Um violento tiro ao lado


eventhorizon,

Os atentados na Noruega demonstram, uma vez mais, que o lado mais negro da nossa natureza consegue ser realmente terrível. Já algumas reacções à tragédia demonstram que se a maldade não conhece limites, a idiotice também anda lá perto. Uma cadeia norueguesa de lojas baniu 51 videojogos considerados “violentos”. Tudo isto porque, ao que parece, o terrorista é fã do jogo Modern Warfare e jogava World of Warcraft para passar o tempo e para contactar com amigos sem levantar suspeitas. Vá lá: os videojogos já estão mais do que habituados a servir de bode expiatório. Agora imaginem que o terrorista tinha delineado todo o seu plano com um tabuleiro de “Risco” ou, para ter ainda mais estilo, de Xadrez. O que se fazia? Bania-se o jogo, prendia-se o Kasparov por incitar (ou ter incitado) o terrorismo e desmantelavam-se as racks do Deep Blue que estão em museus?

 

Em jeito de aviso aos colegas e leitores do Delito, tenho a dizer que joguei Doom, Duke Nukem e Quake na infância/adolescência (jogos muito violentos) e World of Warcraft durante cinco anos (um dos jogos preferidos do tipo, atenção), entre outros títulos que normalmente envolvem píxeis a morrer. Já agora, e porque dos videojogos à literatura e ao cinema é um saltinho, entre os meus livros preferidos o The Catcher in the Rye, de Salinger (todo o psicopata que se preze tem um Holden Caulfield dentro de si, é matemático) e o A Clockwork Orange, de Burgess (se este não incita à violência juvenil). Robert A. Heinlein é um dos meus autores de eleição (como se sabe, Heinlein era praticamente – e injustamente, mas isso pouco importa – considerado fascista). Mas sou um bom tipo, e não quero assustar ninguém.

17 comentários em “Um violento tiro ao lado”

  1. Não sei não.
    A forma como você coloca os pontos finais parece-me ser suspeita.
    Acho que não se trata de um blogger mas sim de um perigoso terrorista amante do World of Warcraft que como agora se descobriu é o responsável por todos os massacres da historia, deste este na Noruega até ao ecrã onde o João coloca com uma pontaria, certamente afinada por uma mira profissional, os pontos finais e mais dificil ainda e só ao alcance de um jogador de World of Warcraft os pontos em cima dos iis.

    Como isso é preocupante!!!!

  2. Wolfenstein, Duke Nukem 3D (re-jogado há umas semanas “Come get some…”), Quake (especialmente em rede interna). Já nas leituras sou mais teórico: Lord of the Rings que é uma espécie de anel dos nibelungos a pedir um Aragorn (eu, claro) para limpar esta (meia-)terra de traidores… ooops, orcos (é esta a tradução de “orc”?).

  3. Depreende-se portanto que essa mesma cadeia mandou também retirar de circulação os livros do Heinlein e do Burgess, como o João refere. Bem como os DVDs do Tarantino, a título de exemplo…Ou do Rodriguez..

  4. Aos legisladores (gente cinzenta, de cinquenta e tal anos) e à «opinião pública» (uma coisa informe mas muito construída a partir de gente com características similares) assusta sempre o que não conhecem. Esta gente nunca jogou jogos de vídeo e não os compreende. Em contrapartida, a maioria já aceitou que os livros podem ter palavrões, que os filmes podem incluir tiros (alguns até devem achar piada ao Dirty Harry) e que a música pode ser dura (ainda assim, iriam atrás dos tipos que produzem e consomem os estilos mais extremos do metal se a aparência deles não os assustasse; já os nerds que gostam de jogos de vídeo são um alvo fácil). É evidente que haverá pessoas que partem dos jogos de vídeo para actos insensatos – mas partiriam sempre. Arranjariam sempre maneira de olhar para os olhos da Jodie Foster no «Taxi Driver» e de ir tentar assassinar o presidente americano. Para mim (que os jogo, embora pouco, nos últimos tempos*), os maiores crimes dos jogos de vídeo estão ligados ao cinema: para além de terem dado origem a alguns filmes execráveis, parecem ter inspirado um estilo de filmar cenas de acção que tornou subitamente realistas as aventuras do Coyote e do Road Runner.

    * E sempre os joguei de forma muito mariquinhas. Por exemplo, nunca me senti bem a espancar as prostitutas no Grand Theft Auto.

    1. Não sei não… Todos sabem que antes dos videojogos não havia actos violentos e atentados! O melhor é descobrir quem jogou os 17,3 milhões de cópias de GTA San Andreas vendidas (para ps2) e prender essa gente desde já…

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