O comentário da semana


Pedro Correia,

 

«A língua falada tem acentuação diferente num país e no outro. Enquanto os brasileiros abrem todas as vogais, não necessitando por isso de acentuação nas palavras escritas, os portugueses abrem umas e fecham outras necessitando de uma “sinalização” que nos indique quais são abertas e quais são fechadas sempre que estamos a ler um texto. Eu não leio “dialeto”, leio “dialéto” logo, ou se coloca um acento no E ou se coloca, como temos actualmente, um C antes do T para abrir a vogal que o antecede. Se queriam simplificar podiam fazê-lo mas, nesse caso, precisamos de acentos em vez de consoantes mudas. Assim como dizemos, de forma diferente o pretérito perfeito de certos verbos (como, por exemplo, o andar), relativamente ao presente.

 

Se escrevemos sempre “andamos” como vamos saber se a frase:
“Nós andamos depressa enquanto conversamos uns com os outros”
é de facto o presente, ou se era isto:
“Nós andámos depressa enquanto conversámos uns com os outros.”
Dado que esses acentos desaparecem…


Acho bem que a língua evolua. Mesmo sem acordos, já muitas palavras se tornaram diferentes e muitos termos entraram na nossa língua desde o último acordo de 1945. Não necessitamos de acordos feitos à pressa e por interesses económicos (ou será econômicos?) para que a língua evolua. E sem um acordo ela teria evoluído, de um e do outro lado do oceano, de forma natural e naturalmente aceitável por todos nós.»

 

Da nossa leitora Sara. A propósito deste texto do Sérgio de Almeida Correia.

2 comentários em “O comentário da semana”

  1. Eu também leio “féto”, por isso não percebo por que raio há-de “aféto” precisar de um c antes do t. Também lei “cadête” mas “Odéte”, sem precisar de letra nenhuma antes do t para me explicar que não é “cadéte” nem “Odête”. E também leio “catéto” e “této” sem precisar de letras nenhumas antes do t.

  2. “Acho bem que a língua evolua”. Pois, mas acha que o Inglês e o Francês não evoluem? É que o Inglês tem a ortografia fixada desde o séc. XVII-XVIII e o Francês idem.
    A “evolução” é uma ideia de “marketing” que joga com o medo provinciano de estar “desactualizado”.
    A evolução da língua faz-se no léxico e na sintaxe: não usamos hoje as mesmas palavras de há 2 anos, muito menos as de há 20 (embora tudo regresse em modas).
    O «acordo» é um produto das deficiências do estado de direito em Portugal e do ultranacionalismo brasileiro a que se somará alguma amável corrupção e relações públicas agressivas.
    Quanto ao apontado por Lavoura, são particularidades sobre as quais não se podem erigir leis. Por algum motivo os pareceres oficiais foram e são contrários ao acordo. Assistimos a uma decisão política e tomada pelos mesmos que nos trouxeram à boa situação em que nos encontramos. Qual o motivo pelo qual a língua escaparia à miséria? Já viu os resutaldos do PISA? A resposta está lá, claríssima e eloquente.

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