Ainda que este seja o pretexto, não se pode dizer que a questão não seja polémica, intra e inter géneros. Não há muito tempo (mentira, para aí há um ano) eu e a Ana Margarida aqui do Delito dirimimo-la à saída de um convívio blogueiro, inconclusivamente. A minha posição é a seguinte (para além de sentada a escrever): é possível trajar um fato sem gravata sem que este pareça órfão, mal enjorcado, foleiro. Em caso de dúvida, tomem-se estes dois contrastantes exemplos:
Cary Grant, Philadelphia Story, 1940
[quando um casaco não tem cair, não há brilhantina que valha]

Cary Grant, To Catch a Thief (1955)
[digam lá que não parece outro, vá]
Sim, isto é o antigamente no cinema, certo. Mas hoje há também quem consiga fazê-lo com sucesso. Tentarei respigar algumas ocorrências ao longo da estação atoleimada (aceitam-se sugestões), tudo, claro, a bem da camada do ozono, da conta da electricidade, etc. Começando pelos media de maior difusão (a televisão e a net), assim de repente ocorrem-me dois muito bons exemplos: o jornalista Martim Cabral e o blogger Zé G. Cabral. Duas gerações, dois estilos, e lá que são ambos elegantes, são. Digo eu.

A gravata é um acessório, mas não fundamental. Na Alemanha há uma espécie de regra de vestuário não escrita que descreve a necessidade de utilizar um fato, de preferência escuro, com uma camisa, de preferência clara, e uma gravata (sem preferência). Isto pareceria cobrir sem qualquer problema toda e qualquer objecção, mas a verdade é que os gostos são frequentemente tão maus que seria preferível ver alguns homens de calções e havaianas. Desde camisas e fatos dois números acima (claramente comprados noutras décadas de modas diferentes), gravatas com tantas cores que poderiam induzir ataques epilépticos se associadas a movimento, sapatos que necessitariam de ser atirados para uma fogueira devido ao insulto ao olhar que causam, muitas das pessoas que seguem o código de vestuário acabam por fazer asneira.
Um fato faz o homem, mas apenas se bem escolhido. Uma gravata só faz sentido se combinar. Desde que escolhida com gosto, a roupa a usar fica sempre bem. A gravata é apenas e só um acessório. Quem não gosta dela e não se sente bem a usá-la dará sempre mau ar. Mais vale retirá-la.
João, absolutamente de acordo; muitos euro-pálidos (não apenas os alemães, há que dizê-lo) têm um sentido de gosto, sobretudo no que toca à escolha das cores (aquelas combinações cor de vinho com castanho escuro, argh…), comparável ao som das unhas no alumínio. E o que me parece é que o factor dinheiro não determina isso a que chamamos ‘bom ar’.
Viva! Um post à antiga!
Desde pequenita que me chamam antiquada 🙂