Tomando o Porto como referência, concluiremos que existem, num raio de 100 quilómetros, cinco Universidades públicas: a do Porto, a de Coimbra, a de Aveiro, a do Minho e a de Trás-os-Montes e Alto Douro. As cidades onde estas Universidades se localizam estão ligadas entre si por auto-estrada. Para todas existe transporte em autocarro. E entre a maior parte delas existe uma rede de transporte ferroviário.
Se nos dermos ao trabalho de analisar a oferta de cursos dessas instituições, será fácil concluir que existem vários que são leccionados em todas elas. E muitíssimos existem em, pelo menos, 3 ou 4 Universidades. Ou seja, não existe uma especialização de cada uma das Universidades numa determinada área. Pelo contrário, cada uma delas parece replicar a estrutura da oferta formativa que existe nas outras.
A sobreposição de ofertas formativas não tem, dada a proximidade geográfica entre as Universidades e os acessos existentes, qualquer justificação. E implica a duplicação de estruturas, de corpos docentes, de suportes administrativos e de custos. Pelo contrário, a especialização da oferta permitiria escolher, para cada Faculdade, professores bem preparados. E a concentração de meios em cada uma das áreas permitiria potenciar a constituição de núcleos de conhecimento mais próximos de uma ideia de excelência do ensino superior.
É claro que uma medida destas teria uma forte resistência dos diversos interesses instalados. Mas, o ensino universitário público não existe para servir essas clientelas. E, também neste caso, as circunstâncias do país impõem uma abordagem racional e uma visão integradora do papel de cada uma das partes no todo que é o sistema educativo.

Engraçado falar nisto e olhar para o Norte. Olhe para a capital colonial, que suga e esmifra o país. Por exemplo, já pensou em quantos centros culturais existem em lisboa? Já pensou nas verbas comunutárias destinadas ao Norte e desviadas para a capital colonial sob um pretexto qualquer de de isso (o desvio e investimento em lisboa) beneficiaria o país? Falem no esbulho diário que a capital colonial faz ao resto do país! As universidades de que fala são extraordinários veículos de desenvolvimento das regiões onde estão inseridas. Ou acha que essas Casas de Sabedoria deviram encerrar e os alunos deviam deslocar-se para a capital colonial? isso sim é que era bom! depois transportava-se o Castelo de Guimarães ali para a lapa e a Torre dos Clérigos para a baixa… É só centralistas e colonialistas neste blogue. Estamos fartos. Independência ao Norte!
Falha o alvo, Carlos. Os exemplos que dou são os que conheço. Estudei no Porto e moro em Braga. E os exemplos que dou em nada inviabilizam outros exemplos de racionalização que devem ser avaliados noutras paragens. Em nenhum momento falei de encerramento. Falei de especialização o que é o exactamente o contrário. Referi os interesses instalados no texto. Mas, esqueci-me de incluir o regionalismo básico entre eles.
Esta era uma daquelas medidas capaz de revolucionar o ensino. Isto e pôr estágios a meio dos cursos, para os alunos se aperceberem de duas coisas:
1. Se as futuras funções lhes agrada.
2. Se aquilo que lhes é ensinado é, de facto, útil num ambiente de trabalho.
O único problema é que os institutos de ensino superior eram bem capazes de entrar em guerra civil.
A guerra civil no ensino superior está agendada, Hugo. Por esse, ou por outro motivo.
As universidades já se estão a especializar. O que acontece é que existem mais universidades a especializarem-se na mesma área. Não creio que isso seja negativo, só abona a favor da concorrência.
É possível, APR. Mas, não vejo qualquer racionalidade em que todas ofereçam Engenharia Civil, ou Economia, ou que quase todas ofereçam Português/Inglês, para só citar alguns exemplos.
Concordo consigo relativamente às ciências sociais, mas no que diz respeito às engenharias e afins já tenho outra visão.
Se a sua visão for a de que existe excesso nas ciências sociais e que há défice nas áreas científicas “puras” e nas engenharias, estamos de acordo. Agora, eu preferiria concentrar numa das Univeridades (ou em duas) essas áreas, especializando as outras nas cs.
Um belo post caro Rui, mas creio que serve essencialmente de ponto de partida para este tipo de reflexão.
Não nego a necessidade das especializações. São evidentes e absolutamente necessárias para criar pólos de excelência e evitar que as universidades se tornem centros regionais. Por outro lado, a duplicação de cursos é absolutamente necessária à competitividade da oferta. Se eu for de Braga, quiser estudar engenharia civil e esse curso, num raio de 150 km, só existir numa universidade, acaba por se tornar quase obrigatório ir para a mesma. Isso reduziria a necessidade das universidades em melhorar a sua oferta de ensino.
Outro ponto problemático seria a qualidade dos professores. Sabendo-se seguros na sua posição (falta de competição), não seriam tão tentados a fazer esforços para melhorar a oferta do ensino e da investigação. O mesmo se passaria em relação aos estudantes. Ou seriam menos que no passado a estudar determinado curso e tornar-se-iam elitistas (devido a serem dos poucos que conseguiriam o acesso) e possivelmente arrogantes. Ou seriam muitos (a universidade abriria as portas a, digamos, 700 por ano) e a qualidade do ensino diminuiria.
A oferta deve permanecer. Faz sentido ter cursos de engenharia civil em Braga, no Porto e em Coimbra (e já agora em Vila Real) porque a especialização não é feita no curso em si. Isso é uma visão redutora. Em engenharia civil poderíamos ter Braga como especialistas em estruturas, Coimbra em betão e Porto em fundações, por exemplo (estou talvez a dizer asneiras, a minha área é engenharia química, não civil). Isto reflecte-se em outras universidades internacionais, as quais acabam por se especializar em certas subáreas devido a terem professores que se ditinguem nelas. Em Braga, por exemplo, conseguiu-se criar um grupo de engenharia dos tecidos na área biomédica que é dos mais conceituados do mundo. É esta a especialização.
Como se consegue isto? Bom, não tentando meter todos os proveitos no mesmo saco. Uma opção é optar pelo controlo da qualidade dos grupos de investigação e ensino tal como é feito noutras universidades pelo mundo. Outra seria a de valorizar certos pólos de excelência nas áreas onde a universidade já se tivesse destacado. Isto seria uma descriminação positiva das especializações de maior qualidade. Por fim, tornar os cursos mais abrangentes na altura da matrícula dos alunos na universidade (por exemplo uma engenharia de processos que depois criasse engenheiros mecânicos, químicos, de materiais, ambiente, etc).
Isto não é, de forma nenhuma, uma solução única. Cada universidade teria as suas especificidades, até em função do tecido empresarial em volta da universidade. Não porque as empresas sejam necessárias apenas para financiar a universidade (embora isso fosse desejável) mas também para poder utilizar os profissionais ali “produzidos” e o conhecimento desenvolvido.
Tem toda a razão, João André. O post mais não é do que um ponto de interrogação face a uma situação actual que não me parece adequada. Apresenta por isso uma abordagem redutora e naturalmente superficial. O seu comentário traz excelentes pistas para uma discussão urgente.
A sobreposição de ofertas formativas não tem, dada a proximidade geográfica entre as Universidades e os acessos existentes, qualquer justificação.
Como assim?! Na minha rua também existem diversas mercearias, e diversos restaurantes. Não sabe o que é a concorrência? A concorrência é, em geral, uma coisa boa, e quanta mais, melhor (para o consumidor).