O direito feudal


Rui Rocha,

Mário Vargas Llosa sobre Straus-Khan, no Estadão:

 

Portanto, se há indícios negativos no que concerne ao caráter e à personalidade da camareira guineana, as credenciais morais do hóspede estão longe de serem impolutas. Esse senhor superinteligente, ultra poderoso e milionário estava acostumado a se conceder certos excessos com a convicção de que estas fraquezas são permitidas a alguém como ele, assim como o direito da primeira noite era permitido aos senhores feudais.

 

O mais terrível é que, aparentemente, um bom número de seus compatriotas concorda com ele. A indignação contra a polícia e a Justiça dos Estados Unidos por terem tratado esse homem tão importante e de tão grande prestígio como um ladrãozinho preso em flagrante é quase unânime.

2 comentários em “O direito feudal”

  1. Acabo de ler o mesmíssimo artigo, na edição de hoje do ‘El País’. Excelente artigo sobre o inconcebível «direito de pernada» atribuído pelas bempensâncias parisienses – com BH Lévy à cabeça – ao influentíssimo DSK, que em França jamais veria contestado este suposto «direito». Por ser rico e poderoso. No país da «igualdade», reina a mais chocante e gritante desigualdade.
    O meu aplauso ao Vargas Llosa.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *