O comentário da semana


Pedro Correia,

«Neste caso em concreto, eu estou disposto a dar alguma margem de manobra a este governo. Pelo seguinte:

– o desvio na execução do orçamento não é da sua responsabilidade;
– há urgência em corrigi-lo o mais depressa possível, e de forma pró-activa;
– o sinal dado para o exterior é de extrema importância (será feito tudo o que for necessário para cumprir com o objectivo do défice).

Lembro ainda que, a par do imposto extraordinário, vai ser exigido um esforço extraordinário de redução da despesa às administrações públicas durante este semestre.
Fico surpreendido por ver tanta gente a arrepanhar os cabelos, quando as dores de parto ainda estão a começar. Entretanto, os que ganham o salário mínimo nacional (ou menos, no caso dos pensionistas) nem sabem se hão-de rir ou chorar ao ver tanto desespero a escorrer pelas páginas dos jornais…»

 

Do nosso leitor Sampy. A propósito deste texto do Rui Rocha.

7 comentários em “O comentário da semana”

  1. Pois. Eu não ganho o salário mínimo, mas quase. E quase chorei quando hoje me disseram que, sendo falso recibo verde, e só ganhando 12 meses, me vão tirar na mesma esses tais 50% sobre o 14º mês que não ganho. Porreiro pá!

    É esta atitude que, a meu ver, vai muito mal neste país. O espírito do “só isto? podia ser pior”. Porque nunca se pedem responsabilidades a quem anda a gerir mal este país há anos. E pede-se sempre aos mesmos para pagar a porcaria feita por incompetentes.

    Eu “arrepanhei” os meus cabelos quando soube da notícia, e ela supostamente nem me tocava a mim. Não é justo. E se não é justo, eu não me conformo.

    1. Só para esclarecer, Sara:
      Tendo em conta o que, para já, se sabe, ser-lhe-á tirado 50% sobre o 14º mês que não ganha, descontado o valor do salário mínimo.
      Se, como diz, ganha pouco mais que o salário mínimo, a quantia a pagar não será propriamente elevada. Se é que terá algo a pagar.
      O que não significa que não lhe faça falta esse dinheiro. Mas se a Sara chora a perda dessa quantia, imagine como se sentem aqueles que nunca a receberam…

      1. Vou dar de barato que, o governo que o Sampy dá “margem de manobra”, quer sacar apenas um euro dos meus rendimentos provenientes do trabalho. A questão já nem é o valor, é a intenção, uma espécie de imposto revolucionário. A seguir será o quê? Imposto por respirar?! Imposto por tomar banho?! Por alma de quem é que tenho de pagar por erros cometidos pela classe política ao longo de décadas?! Se as outras pessoas nunca tiveram o 14º mês – o que é de lamentar – que culpa tenho eu?!

        É interessante verificar como as pessoas mudam de opinião consoante a cor partidária. É interessante como as pessoas querem branquear este governo de direita, apelidado de salvador, mas que de facto, é mais do mesmo, ou neste caso, ainda pior do que o outro!…

      2. Tenho ainda outra dúvida: o cálculo será feito com o valor bruto que eu declaro no recibo verde? É que depois ainda tenho de pagar 180€ à segurança social. Isso não se chama, sei lá, dupla tributação?

        Mas adiante. Acabou por não me esclarecer em nada. Ao seu comentário respondo com o meu primeiro. Faço muitos sacrifícios para viver com um salário que, acho, não faz jus ao trabalho que desempenho. Vejo a minha família menos de uma vez por mês porque a viagem até casa é cara. Aquilo que me vão tirar no fim do ano sobre um subsídio de Natal que eu nunca vi na vida, porque nunca o ganhei – e porque estou à margem da lei e o Estado não quer sequer saber disso – é uma viagem a casa que vou fazer a menos. Compreendo que não ache nada de especial. Calculo que a vida lhe sorria. Ainda bem para si. Mas para quem ganha pouco e nunca lucrou nada com estes desvarios cometidos por boys, corruptos e outros incompetentes, é um murro no estômago. Outro.

        É esse tipo de mentalidade que me causa ainda mais raiva. Esse conformismo com algo que está muito errado e que constitui uma injustiça.

  2. É para mim evidente que dado que o INE ainda não publicou os resultados da execução orçamental do 2º trimestre de 2011 ainda temos mais outra oportunidade fácil para outro PEC ainda durante este ano. Tenho uma vaga curiosidade (embora não tenha nenhuma pressa) em saber qual o termo que vai ser usado em vez do “o mundo mudou”, para os PECs que se seguirem.

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