Em Tróia, os Franciscos (não) são Pacos


Rui Rocha,

Ao contrário do que possa parecer, a imagem não é de uma praia de Chiclana de La Frontera nem de Zahara de Los Atunes. A bandeira é de facto espanhola, mas a praia é alentejana e situa-se na península de Tróia. Pelo visto, o objectivo é divulgar o destino junto dos turistas espanhóis. O lema da campanha promocional é Conquista o Alentejo. Existe aqui um equívoco evidente. Não são os espanhóis que têm de conquistar o Alentejo, Aguiar da Beira ou as Termas de Monfortinho. São os portugueses que devem conquistar os turistas espanhóis para os nossos destinos através da qualidade do serviço, da simpatia e do profissionalismo, de preços adequados e de campanhas promocionais ajustadas. Se assim fosse, a bandeira certa para colocar na imagem seria a portuguesa. Como prova de orgulho na qualidade da proposta e como marca distintiva de um destino genuíno reconhecido e apreciado pelos turistas espanhóis e não só. Acreditássemos nós no serviço que estamos a propor e a mensagem correcta seria vem a Portugal porque é diferente – e já agora melhor – do que Espanha. A inversão dos símbolos concretiza uma perversão da mensagem e revela uma menoridade e um provincianismo inaceitáveis. E uma confissão de ausência de outros argumentos. Queremos agradar, mas fazemo-lo da forma errada, prescindindo das nossas marcas e dobrando a espinha. Tenho a certeza de que não é isso que os espanhóis procuram quando saem de casa. Da mesma maneira que eu, quando vou ao estrangeiro, procuro tudo menos Portugal. E quando vou a Espanha procuro Espanha e não outra coisa qualquer. E estou certo, também, que jamais em Espanha se promoveria um destino local com a justaposição da bandeira de outro país.

6 comentários em “Em Tróia, os Franciscos (não) são Pacos”

  1. “vem a Portugal porque é [..] melhor […] do que Espanha”?!

    É.. os espanhóis iam adorar isso. Vinham logo a correr para lhes mostrarmos como somos melhores. Tb gosto de ir a Madrid ou Barcelona pq fazem-me sentir que Espanha é melhor que Portugal.

    (quanto ao resto do texto concordo, está óptimo!)

    1. Não foi esse o sentido, João. Não é dizer melhor a seco. É valorizar o que temos de bom (sem comparação directa), deixando as conclusões para quem as quiser tirar.

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