Olhe, pense e adivinhe – VI (último)


modosdever,

 

 Casa onde Salazar nasceu, no dia 28 de Abril de 1889, no Vimieiro, sala de visita de amigos e refúgio das tensões do poder. Não se entende porque não a deitam simplesmente abaixo ou arranjam de uma vez por todas. Assim, sobre estacas, a ameaçar ruína, mostra no mínimo hipocrisia – ou algo pior.

13 comentários em “Olhe, pense e adivinhe – VI (último)”

  1. País onde Salazar nasceu, no dia 28 de Abril de 1889, num canto da Europa, sala de visita de amigos e refúgio das tensões do poder. Não se entende porque não o deitam simplesmente abaixo ou arranjam de uma vez por todas. Assim, sobre estacas, a ameaçar ruína, mostra no mínimo hipocrisia – ou algo pior.

    Tal casa, tal país.

  2. Portugal é useiro e vezeiro nisto. É como se nunca tivesse existido a biblioteca de Alexandria, nem o Ceaucescu, nem o Lenine, nem a ponte de Hintze Ribeiro, nem a bomba de Hiroshima, nem a guerra colonial.

    Porém, como existiram, Portugal veste-se de avestruz e mete a cabeça na areia até ao dia em que achar que as marcas já se apagaram. Quando o diacho da casa no Vimieiro vier abaixo, Portugal tira a cabeça da areia e descobre então que já não consegue endireitar a coluna vertebral como antes. E descobre outra coisa: afinal, a História continua a existir.

  3. Excelente série. E o carro lá abandonado é incrível (só hoje vi esse post).

    Realmente, mais valia deitar a casa abaixo, se nao se tenciona transformá-la em museu, ou noutra coisa parecida. Mas um carro daqueles… É uma pena!

    E assim vamos cantando e rindo…

  4. E não tem a ver com o facto de se tratar de Salazar, Fernando. Ali bem pertinho temos a Casa do Passal que está neste estado http :/ diasimperfeitos.blogspot.com /2011/04 cronica-de-uma-ruina-anunciada.html#comments

    1. Realmente, Ana. Tal como o João disse, Portugal é useiro e vezeiro na sua forma muito singular de lidar com o passado. Uma série destas continuaria indefinidamente. Obrigado pela achega.

  5. Excelente série, Fernando. Pela tese desenvolvida, que aplaudo, e pela técnica de ‘suspense’ que utilizaste. Sou há muito contra o apagamento da História. Não perdoo ao Estaline ter eliminado o Trotsky das fotos de revolução de 1917, que aliás não teria ocorrido sem ele da forma como correu. Também não lhe perddo ter ter dado ordem expressa para excluir Bukarine e Kamenev, entre tantos outros, da Grande Enciclopédica Soviética, que acabou por tornar-se uma manta de retalhos à medida que se sucediam as purgas na doce Rússia estalinista e a censura dava cabo da versão original da obra. Acho bem que a múmia do Lenine permaneça na Praça Vermelha, que o Mao continue embalsamado junto ao Grande Palácio do Povo e que o Franco se mantenha na tumba do Vale dos Caídos. A isto chama-se História, gostemos ou não. Discordo profundamente que sejam dinamitadas estátuas deste ou daquele ditador só porque correspondem a períodos históricos que queremos esquecer ou preferíamos que nunca tivessem existido. Azar. A História deve ser assumida na sua plenitude, o que não invalida – antes pelo contrário – o sentido crítico.
    Tudo visto e somado, é tempo de se deitar a mão ao que ainda for possível da casa e da antiga propriedade de Salazar. Com o acordo dos herdeiros e a intervenção da autarquia correspondente. O que lá se fará depois é matéria a ver. Mas se já lá não houver nada a nâo ser ruínas e capim nem vale a pena pensar mais nisso.

    1. Parece que estamos todos de acordo. Mas depois deste teu apontamento decidi-me pelo sim à restauração da casa do Vimieiro, frente, interior e traseiras. As Histórias que se apagam, voltam-se mais tarde ou mais cedo contra os povos. A melhor forma de entender o passado é estudá-lo, não destruí-lo – e muito menos deixá-lo cair aos bocados. Sem referências, a memória morre e o futuro não se aguentará nem mesmo sobre estacas!

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