Temos de reflectir sobre o dia de reflexão


Rui Rocha,

O dia de reflexão não é uma originalidade portuguesa. Mas existem muitos países, entre eles democracias que temos como as mais avançadas, onde nunca se ouviu falar de tal coisa. Em geral, o dia de reflexão parece estar associado a momentos da vida dos países com especial animosidade entre as forças políticas e sociais. Ou a estados embrionários de desenvolvimento da democracia. Em qualquer caso, numa época em que as redes sociais assumem um papel determinante na comunicação, o dia de reflexão está completamente ultrapassado pelos acontecimentos. Como controlar os blogues, os fóruns, os sms, as notícias publicadas em meios de comunicação social estrangeiros? Mesmo no cenário de contenção por quem utiliza e alimenta as redes sociais, a assincronia da internet torna inútil qualquer tentativa de controlo. Em rigor, antes já era assim. Na época dos outdoors, que parece agora ultrapassada, o que deviam os eleitores fazer no sábado véspera de eleições? Fechar os olhos para não verem o apelo ao voto colocado na berma da estrada? Da mesma forma que, na verdade, a pré-campanha não o é, pois que a campanha começa muito antes do seu início formal, também se prolonga para lá da última sexta-feira antes das eleições.

É assim, goste-se ou não. Para quê, então, e em nome de que paternalismo, o dia de reflexão?

8 comentários em “Temos de reflectir sobre o dia de reflexão”

  1. Considero um absurdo atentado à liberdade de imprensa e uma atitude de auto castração mental que as redacções se inibam de analisar a campanha eleitoral e de reflectir sobre os actos políticos que ocorreram na campanha eleitoral durante o dito dia de reflexão, véspera da votação. Reflexão jornalística nada tem a ver com propaganda partidária, a tal que deve estar suspensa na véspera e no dia do acto eleitoral. Cumprimentos, José Abreu, Porto, 5/06/2011

  2. «Dia de reflexão» é um eufemismo para dia sem campanha. Nesse aspecto todos devemos estar gratos a esta imposição legal. Eu, por exemplo, já não aguentava ouvir a palavra “arruada”.

  3. Pois eu fartei-me de reflectir , Rui (a sério, pode ir lá confirmar!). E de tanto reflectir fez-se-me luz: o dia de reflexão existe para que os tipos que andam nas campanhas possam votar! É que, se não tivessem este dia de folga, no domingo só acordariam já depois das urnas fechadas!

    1. Pode bem ser, Eduardo. Depois de tanta arruada (como diz o Pedro ali mais acima), almoçarada, actividade cultural (idas ao SEA LIFE, por exemplo), não há quem resista.

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