Essa veio de carrinho, Leonor. Vou substituir a minha mesa de cabeceira por uma estante! Eis um dos que ando a ler, assim mais ao pé da mão (aviso já que a quinta frase da página 161 é um período do tamanho das frases do Rui Santos)…
Não errou o prognóstico, o apoquentado navegador, pois não tardou a soprar um vento de sueste com frequentes chuvaceiros e tão forte que dispersou os navios, não escapando sequer a nau capitânea, de modo que, na manhã seguinte, quando a armada se reuniu de novo, os pilotos aconselharam o capitão-mor a levantar âncora e fazer vela ao longo da costa, para norte, em busca de alguma baía abrigada para aí surgir e tomar água e lenha, o que logo foi feito por todos os navios, com os batéis e esquifes amarrados à popa, indo as caravelas adiante por serem mais veleiras e pequenas, portanto, mais próprias para velejar chegadas a terra.
(O Navegador da Passagem: A história
de um descobridor de mundos que o Mundo ignorou,
de Deana Barroqueiro.)
E vai já de patins para mais cinco, todos cá da casa (espero não estar a fazê-los repetir esta corrente): Ana Margarida Craveiro, André Couto, António Manuel Venda, J.M. Coutinho Ribeiro e Vieira do Mar.

Lida a Leonor, em sobressalto, um piouco mais abaixo, e vi que tinha escapado. Nem outra coisa seria de esperar de uma senhora que me ouvi dizer, ao jantar, que o que mais me dói são as correntes. Obrigado, Leonor. Com um beijo. Depois – apenas horas depois – volto aqui e deparo-me com isto! Bolas, João! Ainda por cima sabes… E vais obrigar-me a ir comprar um livro!
Estava prometido, lembras-te? Hehehe…
Lembro, mas pensei que fosse bluff. Espera pelo troco….
Caramba, João! Se um dia me dá para começar a ler livros assim, ainda aprendo a escrever antes de morrer. O meu drama é que aprendi a escrever a ler os livos “Seis balas”… Lembras-te? Achas que há para aí uma imagem para a rubrica?
Pode ser que se arranje alguma coisa.
Olha, «O Navegador da Passagem» é bem bom. Aquela frase não é exemplo. E está muito bem escrito, muito bem traduzido e muito bem revisto.
É um romance histórico, em que a ficção é criada a partir da viagem de Pedro Álvares Cabral, depois de chegado às Terras de Santa Cruz e a preparar-se para prosseguir a viagem para a Índia. Muito recomendável.
Caro João Carvalho
Escrevo de novo a agradecer a sua opinião sobre o meu livro e a assegurar-lhe que não se trata de uma tradução, mas de um romance original, escrito em Português. Apesar de ter nascido nos Estados Unidos, sou filha de Portugueses, vim para Portugal aos 2 anos de idade e vivi toda a minha vida em Lisboa. Sou licenciada em Filologia Românica, professora de Língua e Literatura Portuguesa e uma apaixonada da nossa Língua e História que considero das mais ricas da Europa. Escrevo romance histórico de temas e personagens portuguesas, que são o pretexto para passar aos meus leitores as obras magníficas dos escritores dos Séculos XV ao XVIII, a minha especialidade, temas que estudo há cerca de 20 anos.
Fico-lhe muito grata pelo elogia!
Saudações amistosas de
Deana Barroqueiro
Agradeço as suas palavras. A minha referência à tradução foi um lapso, porque tinha obrigação de saber tudo isso de si e até sabia. Escapou-me. Mantenho que o romance está muito bem escrito e muito bem revisto.
Saúdo-a como seu leitor.
Não ia fazer-lhe essa desfeita, mas o João tem desculpa, não foi ao jantar.
Não compre, Joaquim, preciso de arranjar mais espaço nas estantes 😉
Venho apenas agradecer a João Carvalho ter-me feito participar nesta simpática corrente de… frases. Foi pena não ter calhado em episódio mais ameno.
Obrigada, meu caro leitor!
A autora da 5ª frase, da pág. 161 d’O Navegador da Passagem
Deana Barroqueiro
Realmente, não houve volta a dar: aquela é a 5.ª frase da pág. 161. Mas a sua extensão revela – coisa rara – uma narrativa impecavelmente exposta. E o tratamento da língua é indissociável, a meu ver, da qualidade de uma obra.
Grato pelas suas palavras.
Obrigada, mais uma vez, João Carvalho
Quando alguém gaba a minha escrita, o meu prazer é sempre novo, como se fosse o primeiro livro… E não digo isto “a armar”. A revisão também é predominantemente minha, sou maníaca da correcção nos meus livros, faço várias versões e revejo exaustivamente o texto, à medida que vou escrevendo e, depois, quando já entreguei o texto ao editor, que já não encontra muita coisa para corrigir. E mesmo assim passam gralhas que me desesperam.
Por isso, é uma carícia para o meu ego ler que um leitor gostou do meu trabalho, quer da escrita, quer da reconstituição de época, que é a minha marca e aquilo que considero a mais-valia do romance histórico.
O meu leitor tem de se sentir “lá”, imerso nos cheiros (muitas vezes maus), nos sons, nas cores… Ver esse mundo com os olhos, não do Sec. XXI, mas do XV ou XVI em que viveu a personagem.
Se o leitor não conseguir isso, é porque eu falhei.
Estou a acabar um novo romance, em breve lhe darei notícias…em paga do seu interesse e simpatia.
Um abraço muito grato
Deana Barroqueiro
Por qualquer razão inexplicável, ‘cheirou-me’ que a Deana Barroqueiro seria a sua própria revisora. Nos meus modestos escritos publicados, faço o mesmo. Torna-se mais difícil, porque temos tendência para ler o que lá não está, mas que julgamos estar, do que para ler o que está de facto lá. Porém, gosto de ser eu a rever-me, apesar do risco.
Cá estarei, à espera da sua nova obra, para mergulhar em novo ambiente de antanho.
Abraços, com a minha gratidão pela atenção que me dispensou.