Berlusconi sabe que, por enquanto, face à falta de alternativas bem organizadas, por parte da oposição, ainda tem mais algum tempo para se manter à tona. Mas o discurso ameaçador não lhe fica nada bem.
Não sei se em Itália é conhecida a expressão “Pela boca morre o peixe” mas o seu significado deve ser bem claro, neste momento, para Clemente Mastella e Umberto Bossi .
Para quem não viu a notícia e está menos familiarizado com a língua italiana Clemente Mastella, líder de um partido, deputado europeu e antigo ministro num dos governos de Berlusconi, concorreu em Nápoles, nas eleições locais e regionais de domingo passado, e prometeu suicidar-se se perdesse para o adversário. Mas esta promessa peregrina não tem a ver com os calores do Sul. Também o mais conhecido Umberto Bossi, líder da Liga do Norte, prometeu cortar os “tintins” caso não fosse o vencedor em Milão.
Ora o facto é que ambos perderam e entretanto foram criados grupos no Facebook, com quase 45 mil apoiantes, no caso do primeiro, e 20 mil, no caso do segundo, que lhes relembram as promessas feitas. Claro que todos estes italianos já devem saber que as promessas dos políticos não devem ser levadas muito a sério. Mesmo assim, os políticos em causa, sobretudo Bossi, devem estar a pensar: – “Bolas!”… “Para a próxima, prometo só depilar as pernas”… E será que haverá próxima? Algo me diz que sim porque a dimensão da vergonha, face ao incumprimento das promessas, fica sempre muito aquém da facilidade e predisposição para as fazer .

Coisas de italianos…
Aqui há dois ou três anos, a napolitana Sophia Loren, prometeu fazer striptease, caso o Nápoles subisse à 1ª divisão italiana.
Os rapazes subiram de divisão, mas… quanto à promessa… disse nada….
Também não era necessário.
Já Coco Chanel dizia que uma mulher está mais perto de estar nua quando está bem vestida.
Hum… Isso significa que não são só os políticos a não cumprirem as promessas que fazem. Parece que, relacionadas com o mundo do futebol, há várias promessas desse género. Quanto a Sophia Loren suponho que ainda hoje os napolitanos não lhe perdoam. 🙂