Hoje é um dia histórico. Reportagem no aeroporto Francisco Sá Carneiro. Um adepto do Porto comprou o bilhete há meses porque tinha «fé». Um adepto do Braga chegou às três da manhã para apanhar um avião que sai às nove. Regresso ao estúdio. Excerto de It’s a Beautiful Day, dos U2. Ligação a Dublin onde, afinal, chove. Reportagem com o tio de Domingos Paciência, que prepara uma sardinhada num pavilhão de Matosinhos. Vai levar entre duzentos e trezentos pães mas não apanhei o número de sardinhas.
É possível que o noticiário (?) das oito da TSF tenha incluído notícias (?) ainda mais bonitas mas eu, que admito ter uma relação complicada com a paciência (com o Paciência não tenho problemas, pelo menos enquanto ele não for treinador do Sporting), saí do carro antes de se chegar, sei lá, à informação (essa sim, seria relevante) de que hoje as strippers minhotas oferecem lap dances gratuitas aos sócios do Braga. (Aos do Porto parece que já ofereciam – ou era só aos dirigentes?) Enfim, acima de tudo, não esquecer de repetir pelo menos dez vezes durante o dia: hoje é um dia histórico.

é só azia.
Peço desculpa por não ter aprovado este comentário mais cedo mas só agora me apercebi dele. Gajo genérico (e unidose?): azia é uma coisa que tenho muito raramente e nunca é o futebol a provocar-ma. E ainda bem. Caso contrário, sendo sportinguista, já não teria estômago.
As sardinhas eram quinhentas, João. Bem-vindo ao DO. Abraço.
Ah. Obrigado. E obrigado.
(Já agora, é “José”. Mas também quem é que me manda só usar as iniciais?)
Desculpa. Ocupei toda a memória disponível com os dados da sardinhada do sobrinho do Domingos
Quinhentinhas?
Tens de aumentar a parada, José António. As dez vezes já foram amplamente yltrapassadas. O que não admira: hoje parece que é… hum… um dia histórico…
É verdade, José (just kidding, João), fui muito conservador. Mas reconheçamos que há razões para o entusiasmo: não é todos os dias que conseguimos ser os melhores da segunda divisão.
Certamente que o post seria diferente se um dos finalistas fosse da 2ª circular. Certamente que o tipo de reportagem é fraquinho, mas os comentários do “postista” são miseráveis e tresandam a azia lampiona! Tenham paciência que é boa para a vista. Aliás, esse olhar serôdio e lisboeta é uma das infelicidades deste país e que nos arrasta para o abismo.
Lisboeta, eu? Vamos lá a moderar os insultos.
Vou ser mauzinho e colocar aqui um comentário cheio de azia benfiquista:
Hoje é um dia histórico… para a Marisqueira de Matosinhos.
Como você mesmo confessa maldade e azia, está perdoado.
Mas o facto de ser mau e estar com azia não quer dizer que seja mentiroso. LOL
Um dia histórico? Um dia histérico, se faz favor! Mais um a juntar à demência colectiva!… Acho mesmo que só deve faltar entrevistar o Bobi e o Tareco, porque as mulheres-a-dias, os porteiros e os tipos da bilheteira já devem ter dado a sua douta opinião.
“… admito ter uma relação complicada com a paciência…”
Relação complicada com a pâciência tenho eu que até sou pacífica. Isto, no mínimo era tudo corrido a pontapé!”…
“Histórico”, “histérico” – é só uma letrita. E com acento em ambos os casos. 🙂
Histórico até de um ponto de vista religioso. Então não é que as paróquias de Braga (pelo menos algumas) vão rezar pelo clube da terra, com a justificação de que, sendo mais pobrezinhos que o F. C. P., merecem as preces mais sentidas? 🙂
Ok, obrigado pela gargalhada, Ana. Mas fazem mal. Toda a gente sabe (pelo menos os portistas fartam-se de o dizer) que o “Papa” está no FC Porto. As preces dele devem ser mais poderosas. 🙂
Na final de Lisboa em 1998, entre Porto e Braga, houve grande confraternização no Jamor e o único problema que pressenti foi um adepto, já nem sei de que clube, a perguntar a um que devia estar a assar sardinhas:
“ó amigo, couratos? olhe que no Norte nem aos cães damos couratos”.
A História reserva-nos mais lições de moral e costumes do que adjectivos para um dia só.
Eu gosto de couratos. E a sua última frase vai obrigar-me a ficar acordado durante em par de horas.
Parece-me que há por aí muita azia…
Adão, eu sou sportinguista, acha que as vitórias alheias ainda me provocam azia? Não ganhava para pastilhas Rennie… Do que eu não gosto é de exageros. Histórico é o dia em que tivemos de pedir ajuda por nos encontrarmos no limiar da bancarrota. Se não acredita, tente lembrar-se de consultar um manual de História daqui a vinte anos. (Se bem que, com a “evolução” do sistema de educação, se calhar é mesmo a informação sobre o futebol que lá vai estar…)