Visão global


jmmcc,

Ser português, psiquiatra e julgado no Porto é uma coisa e ser francês, director-geral do FMI e julgado em Nova Iorque pode ser outra. Não porque uma violação deixe de ser uma violação, mas porque um psiquiatra português não impõe medidas de austeridade gravosas nem cobra juros de usurário a países amigos.

É esta visão global da justiça no Porto que contrasta com a visão estreita da justiça em Nova Iorque, se as coisas se passarem como estou a contar que venham a passar-se. Acabem com as lamúrias e aprendam, cambada de ignorantes, porque Portugal tem quase mil anos de existência e os EUA têm pouco mais de mil dias.

A nossa visão global baseia-se na nossa longa experiência a lidar com normas históricas. Coitados dos norte-americanos, que têm de conduzir-se por leis meramente actuais.

6 comentários em “Visão global”

    1. Claro que não haveria. O que inviabilizaria o TGV Poceirão-Caia, mais a ligação Lisboa-Poceirão, mais a terceira ponte Lisboa-Margem Sul, mais os vencimentos dos Jamés, Mendonças, Raves, Referes, CPês, IMTTês, etc., porque uma desgraça nunca vem só…

  1. Se não fosse a reincidência, talvez se tratasse de uma manobra política para arruinar-lhe a carreira e as pretensões à presidência. Mas assim é coincidência a mais.

    O mundo está podre, caramba.

      1. João, desculpe, mas desta vez não posso concordar consigo. Confundir o comportamento caricato de Dominique (que não tem passado de violador nem sequer semelhanças com o Berlusconi – é apenas mulherengo) e que ainda está por esclarecer (como é que uma empregada de hotel entra no quarto do director do FMI qd este toma banho sem haver segurança é algo que me cheira a esturro…) com a sordidez do acto de um psiquiatra que abusa de uma doente grávida (deveria recusar fazer sexo com a paciente, mesmo que fosse ela a pedi-lo…) é entrar num terreno em que tudo se equivale e se deixa de ser capaz de raciocinar. Pense só no Savonarola a querer limpar a Florença dos Medici. O puritanismo conduz a coisas muito feias…

        1. Como muito bem sabe, o passado de Strauss-Kahn no que respeita a estas coisas é um tanto enevoado e está ainda muito mal esclarecido o cenário da entrada da mulher naquele quarto.

          Contudo, tem toda a razão no que diz: jamais me passaria pela cabeça comparar o sucedido com o acto sórdido julgado no Porto. A coincidência no tempo não serviu qualquer coincidência nos contornos, mas apenas para (a)notar que há comportamentos e comportamentos quando falamos de agressão e de violação sexual e, mais ainda, que o conceito dito democrático ou ocidental de Justiça não existe, tão amplo e diferenciado ele se mostra.

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