4 comentários em “As canções do século (476)”

  1. Pedro, a escolha não poderia ter sido melhor: apesar das sondagens valerem o que valem, nunca um PR foi tão mal “classificado”, o “messias” só dá tiros nos pés, o “Judas” está na sombra à espera do momento certo para dar o golpe e até o Jesus está a percorrer a Via Sacra! Nada mais podemos pedir do que afastem este cálice…

    1. MFM, não precisamos de meter a politiquinha lusa em tudo. Esta é, sim, uma grande canção política – de um tempo em que era muito difícil fazer canções políticas no Brasil. E também uma canção que constitui uma declaração de amor à língua portuguesa, idioma de tão ricos cambiantes e que nós por cá tratamos tão mal, quase como se não nos pertencesse. Felizmente do outro lado do Atlântico um senhor chamado Francisco Buarque de Hollanda, mestre da língua portuguesa, sabe mostrar-nos como podemos falar de coisas muito sérias brincando com as palavras a cantar.

  2. “Afasta de mim esse calice” foi a forma que o Chico Buarque encontrou para dizer: não me mandem calar!Parece que lá como cá os homens do lapis azul eram pouco dados a entenderem as entrelinhas.
    Não nos podemos esquecer, que mesmo na sua versão tropical, a Lingua Portuguesa é muito “traiçoeira”.

    1. A língua portuguesa é riquíssima, Alexandre. Nós é que a empobrecemos diariamente com o nosso linguajar cada vez mais básico, com uma gama vocabular cada vez mais estreita e com as sílabas cada vez mais mudas. Este ‘Cálice’ (Cale-se) demonstra bem como é possível trabalhar as entrelinhas do idioma fitando os censores, broncos por natureza.

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