Fernando Nobre anda a ser criticado, vejam lá, por faltar à palavra: disse que não se envolveria com nenhum partido e acabou por aceitar figurar como independente nas listas do PSD. Quem o critica, em grande parte, é gente que acha muito bem haver um primeiro-ministro que agora governa com o FMI quando há poucos dias jurava que não governaria com o FMI. “Continuarei a dar o meu melhor para que Portugal possa escapar a esse cenário. Lutarei para que isso não aconteça”, declarou o primeiro-ministro em entrevista à RTP, na noite de 4 de Abril, justificando assim esta intransigência: “Um pedido de ajuda externa significaria que o País perderia reputação e prestígio.” Quarenta e oito horas depois, dava o dito por não dito.
Quem critica Nobre, em boa parte, é gente incapaz de contestar o secretário-geral do PS, que levou ao recente congresso do partido uma moção estratégica em que se rejeitava expressamente um auxílio financeiro de emergência a Portugal. “Eu não estou disponível para governar com o FMI”, declarou alto e bom som o secretário-geral dos socialistas, a 19 de Março, com aquele ar de convicção estudada com que diz tudo e o seu contrário. Quando a moção foi votada e aprovada, em pleno congresso, estava já ultrapassada pelos acontecimentos: o mesmíssimo secretário-geral que negava a necessidade de intervenção estrangeira nas finanças portuguesas acabara de solicitar a referida ajuda externa. Cambalhotas atrás de cambalhotas, trapalhadas atrás de trapalhadas. Sem um sussurro crítico de muitos daqueles que agora se confessam chocados com as incongruências de Nobre.
Eu, por mim, não me choco com a duplicidade de critério destes incongruentes, que em larga medida cumprem uma antiquíssima tradição do servilismo lusitano: é de bom tom evitar qualquer crítica ao Governo. Choca-me, isso sim, que Portugal esteja à beira da bancarrota – e que, segundo as estimativas do FMI, venha a ser o único país da União Europeia em crise persistente no próximo ano.
De uma coisa tenho a certeza: não foi Fernando Nobre quem conduziu Portugal a este cenário de ruína.


Então a solução para o problema Sócrates são outros Sócrates…
Se Nobre estivesse no Poder levava-nos ao Hamas…
Esse paralelo não faz sentido. Comparar um primeiro-ministro em funções há seis anos com um candidato a deputado é comparar o incomparável.
Mas não é o que o senhor acabou de fazer… comparou o Nobre com um indivíduo que é 1.º ministro há 6 anos. Parece haver aqui alguma contradição…
Leu mal. Pelo contrário, venho dizer que não há comparação possível entre uma coisa e outra.
Esta resposta é que não faz nenhum sentido. A questão é esta, se estes começam assim, como estariam daqui a seis anos?!!!Por outro lado, quem sustenta uma campanha com base no faltar à verdade do adversário,há um erro que não pode cometer, que é faltar à verdade. E as mentiras já são mais que muitas. E, ainda, a procissão vai no adro.
Você acha que o PM fala melhor com o queixo ligeiramente virado para o lado esquerdo ou para o lado direito? Essa é que é uma questão importante.
Isto que o Pedro acaba de dizer é o quê: crítica ou insulto?
Crítica? Nem pensar. Faço como você: não ouso criticar o Presidente do Conselho.
De acordo. Não vejo como se pode relacionar a crítica à atitude de Fernando Nobre com o criticar ou não Sócrates. São duas coisas completamente diferentes. E se este já começa assim, nem quero pensar como seria se chegasse a Primeiro-Ministro…
O maior problema nacional, já todos vimos, é Fernando Nobre, Sara. O maior desemprego de sempre, a maior dívida externa de sempre, o défice astronómico, a maior carga fiscal de sempre, a perda efectiva de independência nacional, a falta de dinheiro para pagar salários em Junho, o encerramento compulsivo de milhares de empresas são problemas secundários em comparação com Fernando Nobre.
Ouvimos e lemos os comentadores, por estes dias, e chegamos à conclusão de que o buraco financeiro (e talvez até o buraco do ozono) foram causados pelo presidente da AMI. Vivemos uma espécie de alucinação colectiva. Não admira que a ‘Europa’ esteja cada vez mais relutante em emprestar dinheiro a esta espécie de manicómio em autogestão.
Buraco SLN/acções … Buraco submarinos … Buraco BPP , etc , estaremos de acordo que não são buracos seguramente da responsabilidade do Dr. FN …
Mais de 5000 milhões para tapar o buraco do BPN ; mil milhões nos submarinos e não sei quanto para o BPP , são quimeras … ou como o Pedro diz, será insulto ou lápiz azul?
Neste preciso momento escuto na RTP que a Maternidade Alfredo da Costa «está à beira da ruptura» por graves dificuldades financeiras, a tal ponto que a direcção da maternidade acaba de fazer um apelo público a donativos particulares. Um retrato – um entre tantos outros – do País que hoje temos devido a um longo ciclo de incompetência governativa. Um retrato – entre tantos outros – que as torrentes de propaganda já não conseguem ocultar.
Caro Pedro, claro que o *maior* problema não é Nobre, mas sinceramentem alguém disse isso? Algum comentador elevou a atitude de Nobre ao pior que temos de enfrentar nos próximos tempos? Acho que a crise tem sido debatida diariamente até à exaustão. Mas não é por termos problemas maiores que vamos esquecer tudo o resto. E acho que a crise está directamente ligada a toda esta indignação face à atitude de Fernando Nobre. As pessoas estão cansadas destes partidos e deste sistema que tudo lhes pede sem dar nada em troca, que tudo lhes leva. 14% das pessoas acreditaram, nas últimas eleições, que movimentos de cidadãos independentes (dado o seu background agora mais falado, não tão independente assim) poderiam ser uma alternativa e depositaram a sua confiança nesta pessoa. O que faz esta pessoa com isso? ‘Vende-se’ à melhor oferta. Mostra-se muito pouco humilde, dizendo que se nao for eleito presidente da AR nem considera lá ficar, e que nem sequer leu o programa do partido pelo qual escolheu dar a cara, depois de ter andado a criticar partidos e de ter jurado que “deputado, categoricamente não”.
E Passos Coelho já começa a desmentir (que surpresa, Passos Coelho voltar atrás em alguma coisa que a opinião pública recebeu mal!) a oferta do cargo de presidente da AR.
Tudo isto é vergonhoso, tal como são vergonhosas muitas outras coisas. Alucinação colectiva seria não criticar uma atitude, a meu ver, altamente criticável e que revela pouca integridade. Isto é notícia, a crise é notícia. Não percebo como é que criticar Nobre é fazer tudo isso que expôs no seu post. 🙂
Fernando Nobre não vem mexer com o status quo. Está na linha de todos os aldrabões, salafrários, corruptos e outros mimos apropriados à série quase infindável de gentinha que nos tem (des) governado. Ou seja: Nobre é igual a Sócrates, porque hoje diz uma coisa e amanhã o seu contrário.
O insulto é o argumento dos fracos.
O Pedro lá sabe…qual o epíteto com que ainda não brindou o Sócrates.
Não confunda crítica com insulto. O lápis azul já passou de moda.
E o fantasma da asfixia, também … quando o Pedro “mima” algum político que não gosta, chama-lhe crítica … quando é um cidadão que expressa esses mesmos “mimos” em relação a outro qualquer vira-casacas, passa a “insulto”. Perfeitamente entendida a mensagem.
MFM1999: é o «fantasma da asfixia» que o faz ter medo de usar o nome próprio? Podia usar um pseudónimo mais engraçado: Simplício Costa, por exemplo. O nome da personagem interpretada pelo António Silva n’ «O Costa do Castelo». Fica a sugestão. A menos que prefira Simplex Costa.
Os do lápis azul é que se preocupavam com a identidade dos seus críticos “…
Que réplica tão inesperada. Você acaba de comparar o doce Portugal socrático com o Portugal da ditadura, onde o medo imperava e as pessoas tinham de se ocultar sob falsas identidades. Nunca o imaginei capaz de semelhante comparação.
Que estranha essa sua conclusão … Dá para entender essa sua fixação por expressões como “Presidente do Conselho” e “lápis azul” … deveria ir em romaria a Santa Comba para exorcizar esses fantasmas.
Quanto ao “doce Portugal socrático”, permito-me lembrar-lhe que ao contrário do tempo do “Presidente do Conselho”, pelo menos agora o Pedro pode “criticar” impunemente quem quiser e eu sou livre de lhe responder sob o pseudónimo que me der mais gozo…mas pelos vistos o Pedro com o poder do seu lápis azul acha que eu devia escolher outro, à moda dos tempos da intolerância.
Quem falou em fantasmas foi você – o ‘fantasma da asfixia’. Ainda bem que me reconhece o direito de criticar quem me apetecer. Obrigadinho.
E gabo-lhe a lata: vem agora falar do poder do meu “lápis azul” depois de ter vindo aqui dizer, várias vezes, o que muito bem lhe apetece sem ninguém beliscar a sua liberdade de expressão. Ao contrário do que sucede a vários outros blogues, que têm a torneira dos comentários sempre fechada, como bem sabe.
É preciso ter muita lata, francamente.
Está muito enganado, Pedro. Será que ainda não percebeu que ninguém tem que nos reconhecer o direito à liberdade de expressão e que só a devemos agradecer a nós mesmos, assim como só nos podemos recriminar a nós próprios por não sabermos conservá-la, porque se dependesse dos outros, já estaria no “pacote da suspensão” sine die …
Não sei o que acontece noutros blogs, nem me interessa, mas até hoje só aqui fui confrontado com o alerta de que o meu comentário só é publicado depois de visionado pelo dono do blog … admito que haja outros que façam mais do que isso, nem me custa acreditar.
Folgo em saber que a minha “lata”, isto é, a minha liberdade de discordar das suas opiniões o incomoda, mas nem por isso deixarei de visitá-lo.
Apareça sempre, com este ou outro pseudónimo. Aqui, ao menos, pode exprimir as suas opiniões. Noutros lados não pode.
Pedro esqueça essa sua obsessão pelo meu pseudónimo … e agradeço-lhe a sua condescendência em permitir que eu aqui venha exprimir as minhas opiniões. Obrigado por essa carta de alforria …
Já agora, aproveito para lhe contar um episódio do tempo do Senhor Presidente do Conselho que o Pedro talvez até já conheça. Um dia foi submetido à apreciação dos senhores do lápis azul uma obra cujo autor se chamava Vladimir Iliich Oulianov , e não é que aquela cabeças pensantes deixaram passar a obra. Só depois de já estar nas bancas das livrarias é que se aperceberam quem era o autor e andaram a recolher todos os exemplares que conseguiram, como fizeram com “Quando os lobos uivam” do Aquilino Ribeiro. No caso da obra do Aquilino até a casa das pessoas que conseguiram saber que tinham comprado o livro, o foram buscar.
Tem mesmo a certeza disso Pedro Correia? Não haverá por aí um Abrantes qualquer que irá veicular a teoria de que a culpa de tido foi da AMI!
Depois de ter ouvido um primeiro-ministro aos berros, há duas semanas, a garantir ao País que não governaria com o FMI acho que tudo já é possível, Carlos.
Está bem, o PS está cheio de trampolineiros, é um facto indesmentível. O PSD é que escusa bem de se nivelar por baixo.
De acordo, Rui. Mas comparemos aquilo que é comparável, não o que não é.
Pedro,
Tem razão quando diz que não foi Fernando Nober que conduziu Portugal ao cenário de ruína.
Foi antes a cegueira de alguns em atacar o Governo só porque não é do nosso agrado.
Foi antes o oportunismo mais larvar quando se fareja uma oportunidade de mudança de cadeiras.
Patriotismo, onde estás?
Onde pára a Pátria que Fernando Nobre apregoava na campanha presidencial? Serviu só para ser bandeira “roubada” a Manuel Alegre?
As próximas legislativas funcionarão sobretudo como uma espécie de plebiscito a Sócrates, Anónima da Silva. O povo, que é soberano, dirá de sua justiça nas urnas. Como democratas, confiemos no superior critério do eleitorado.
o superior critério do eleitorado votou sócrates nas últimas eleições, foi respeitado? não me parece, toda a gente bate no governo, é moda (desde que foi eleito há 6 anos), o pior é que vão bater também no próximo e por aí fora, o objectivo óbvio é acabar com o regime de liberdade de expressão e democrático onde ainda podemos escolher quem nos governe, falar e escrever o que nos apetece, infelizmente muitos o fazem sem respeitar quem os governa pela simples razão de que não são da sua cor, e isso é que é o mais importante – se querem ser respeitados, respeitem quem nos governa, respeitem o nosso voto e deixem-se de andar a aldrabar o zé povinho
Não critico Nobre, porque a sua missão dentro da AR pode ser muito bem aproveitada.
Era bom que o Presidente da AR fosse uma pessoa escolhida fora dos partidos.
Dava mais seriedade
Por mim, acho muito bem que a segunda figura do Estado venha de fora dos estados-maiores partidários, Francisco. E muito gostaria que a primeira figura também viesse.
A questão não é o Fernando Nobre, per si, pela sua parte ele até fez muito bem em aceitar o convite.
O que carece de mínima racionalidade vem da parte do PSD.
Qual a vantagem politica/eleitoral de o convidar para cabeça de lista do mais importante circulo eleitoral do país? E “pior” ainda declarar desde já que será ele o presidente da AR caso seja possível?
Que proximidade politica pode existir entre Nobre e o PSD?
Não será preciso um mínimo que seja de experiência parlamentar para assumir o cargo?
Encaixá-lo algures entre os 10 primeiros da lista já seria algo de controverso, dar-lhe o primeiro lugar só lembrou mesmo ao PPC.
A avaliar pelas generalizadas reacções o tiro saíu mesmo pelo culatra.
Perfeitamente justificável, a sua crítica. Parece-me no entanto uma questão menor face à bancarrota que enfrentamos – essa sim, é a questão essencial. E com protagonistas (re)conhecidos.
Gostaria apenas de formular a seguintes questão que ainda não vi leventada por nenhum jornalista ou em qualquer blog: Já perguntaram a Mário Soares o que pensa de Fernando nobre ter aceite ser cabaça de lista por Lisboa pelo PSD? Foi “combinado”/cozinhado/apadrinhado em casa de Mário Soares, como aconteceu com a campanha presidencial?
Excelentes perguntas, Anónima da Silva. Aqui ficam, à consideração de quem entender formulá-las a Mário Soares.
Pelos vistos, não repararam que o dr. Soares já respondeu a isso na entrevista de anteontem à RTP.
Gente informada é assim…
Ainda bem que você chegou com a boa-nova.
Já puseram a Mário Soares essa questão. Resposta: estou surpreendido!
E agora?
Não foi o MS que disse que sós burros é que não mudam?
Mário Soares, segundo li hoje, terá organizado um jantar entre Nobre e Sócrates em que o segundo revelou ao primeiro que metade dos ministros tinham votado nele. É caso para todos ficarmos surpreendidos.
Muito honestamente, está-se a fazer uma tempestade num copo de água.
Fernando Nobre concorre nas listas do PSD. E depois? Qual é o problema?
Será que alguém me explica o porquê desta novela?
Eu sempre pensei que viviamos num país livre, mas aparentemente…
Diz bem. Tempestade num copo de água. Como se não tivéssemos de enfrentar tempestades reais. O meu ponto é esse.
Lembra-se daquele comentário em que eu dizia que havia o risco de Sócrates poder ganhar… que discordou?
Veja a máquina rosa a funcionar e bem afinada, aliada com os mesmos do PSD que durante os últimos anos nunca souberam enfrentar o actual Primeiro Ministro convenientemente a alimentarem casos secundários para que se concretize o meu receio e o culpado se ria na cara de todos nós em Junho.
Deixemos o soberano pronunciar-se, Carlos. Em democracia o soberano é o povo através do voto.
e mais nada…
O homem é livre de se comprometer com quem quiser. Ao que se sabe nunca militou em nenhuma força partidária. Claro que já esteve na luta política como independente, já piscou o olho ao Bloco de Esquerda, esteve a um passo de alinhar pelo PS, foi uma invenção do dr. Mário Soares enquanto candidato à presidência da República, portanto, agora, qual é a surpresa – e por quê a crítica? – de ser cabeça de lista pelo PSD?
Pode parecer oportunismo da parte de Fernando Nobre em aceitar ser candidato pelos social democratas, mas não nos esqueçamos que Sócrates e Portas também começaram a vida política nesta mesma formação, antes de se fixarem, respectivamente, no PS e CDS.
Se no Brasil elegeram um palhaço (Tiririca) para o parlamento, o que é nós somos menos que os brasileiros?
Cumprimentos
Onde isso nos levaria… Mário Soares começou no PCP, Zita Seabra também. Sócrates começou na JSD, Paulo Portas também. Freitas do Amaral começou no CDS, Fernando Rosas começou no MRPP. Mota Amaral foi deputado da União Nacional, Ferro Rodrigues vem do Movimento de Esquerda Socialista. Etc, etc. Comecem a escavar e verificarão que isto nunca mais acaba.
“Esse paralelo não faz sentido. Comparar um primeiro-ministro em funções há seis anos com um candidato a deputado é comparar o incomparável.”
Não não é. A falha na palavra é a mesma.
Não, não é. Nada se compara a um primeiro-ministro que há duas semanas gritava em vários palcos que jamais governaria com o FMI nem pediria ajuda externa e poucos dias depois já estava a governar com o FMI e a implorar ajuda externa. Quem faz isto é capaz de tudo.
Compara-se, compara-se. Com aqueles que fizeram tudo para por Portugal nas mãos do FMI, como o PPC e o srº cavaco, o pior presidente pós-25 de abril. Tudo para defender os interesses de uma banca que já se não conseguia financiar.
E Sua Excelência o Presidente do Conselho? Na sua opinião fala melhor com o queixo ligeiramente virado para a esquerda ou para a direita?
Sabe fazer contas? Parece que não.
Dívida Publica 2005 : 92 mil milhões.
Dívida Publica 2010: 170 mil milhões.
O PS, os Socialistas, Sócrates destruíram o País.
E assim com gente desta se vê a asneira do PSD se ter aliado e não ter derrubado o Governo logo após a fraude eleitoral de 2009.
“Não, não é. Nada se compara a um primeiro-ministro que há duas semanas gritava em vários palcos que jamais governaria com o FMI nem pediria ajuda externa e poucos dias depois já estava a governar com o FMI e a implorar ajuda externa. Quem faz isto é capaz de tudo.”
São falhas de palavra e oportunismos.
Sim tal como Sócrates faz.
Se acontece em coisas pequenas o que acontecerá nas grandes?
Cada um preocupa-se com o que muito bem entende. Eu preocupo-me com uma governação incompetente e catastrófica.
O aparelho do Estado Socialista está deveras preocupado com as listas do PSD.
É a velha história do rapaz, do velho e do burro.
É fácil perceber quem é o velho e o rapaz. Na noite de 5 de Junho saberemos quem é o burro.
Pedro,
Este tipo vai levar o PSD à derrota. O que ele disse hoje ao Expresso é uma desgraça e deixa o PPC muito mal colocado. Não vai ser fácil ganhar a um PS tacticamente rigoroso ao milímetro, que não tem cometido erros estratégicos nos últimos meses. Vamos levar com uma frente de esquerda na Assembleia e no Governo nos próximos quatro anos.
Caro Rui, verifico que à direita há muito mais gente preocupada com o futuro do PSD do que com o futuro do País. O problema, para esses treinadores de bancada (nos quais se incluem alguns ex-dirigentes do PSD e alguns putativos candidatos a dirigentes do PSD), é que se o País naufragar o destino do PSD é totalmente irrelevante. Temos provavelmente a esquerda mais estúpida da Europa, mas temos seguramente a direita mais estúpida do continente. Como se tem visto – ano após ano, mês após mês, dia após dia.
Muito bem, compadre.
E aquele nosso prezado leitor que nunca mais nos esclarece se o Senhor Presidente do Conselho fica melhor com o queixo ligeiramente virado para a esquerda ou ligeiramente virado para a direita, compadre? Estou aqui que nem posso.
Continua a paranóia anti-socrática. Já dá vontade de rir, melhor, de chorar a rir. Quando Sócrates sair de cena, ninguém é eterno, vão ficar órfãos de ideias, que elas já não são muitas.
Ó Manojas (o seu primeiro nome é Luís?), não me dê esse desgosto de dizer que o nosso inginheiro não é eterno!
Concordo contigo em que Fernando Nobre e as suas incongruências não são a questão central neste momento, e também em que as de Sócrates são (por agora, pelo menos) infinitamente mais danosas para o país. Mas, convenhamos: um homem que declara peremptoriamente que não aceitará um cargo inferior ao de presidente da assembleia da república (deixou bem claro que não lhe interessa ser um normal deputado) não deixa dúvidas sobre quais os interesses que o movem, se os seus próprios ou os do país. Nobre tem sido uma enorme decepção para mim, talvez porque eu o tinha em elevada consideração.
Ana, haja ao menos uma pessoa que vem dizer com toda a clareza aquilo que aceita e aquilo que rejeita. É pegar ou largar – para ele, para a direcção do PSD e para os eleitores que o escolherão ou não com estas cartas em cima da mesa, sem disfarce. Outros, em flagrante contraste, dizem uma coisa já a pensar que farão outra ou talvez sim ou talvez não.
Desses, confesso-te, estou bem farto. E também daqueles que andam a confundir a AMI com o FMI. O problema de Portugal é o FMI, não é a AMI.
Também eu gosto de clareza, Pedro, só não gosto do que me diz a clareza de Fernando Nobre. E ambos sabemos que também ele já se contradisse… abertamente.
Ok, ok, não estamos de acordo em relação a Nobre. Mas estamos de acordo em que é urgente tirar o poder a quem tem feito dele uma arma contra o seu próprio país. Essa é, aceito, a grande prioridade.
E se o povo seguir o raciocínio do bastonário!
O bastonário quer suspender a democracia? Espero que tenha pago direitos de autor à Drª Manuela Ferreira Leite.
Subscrevo e assino por baixo caro Pedro.
Parece que anda tudo louco (pelo menos ao longe é a percepção que tenho).
De longe percebe-se melhor, André. Não admira.
Um abraço.