O Pedro Correia já o sublinhou um pouco mais abaixo, mas nunca será demais lembrar que Teixeira dos Santos é apenas um ministro. No caso, o ministro das Finanças. Não é primeiro-ministro. E o que agora aconteceu com a forma tão “desastrosa” como o PEC 4 foi comunicado ao País não constitui novidade. Atirar o odioso para cima de Teixeira dos Santos, que não deixou por esse desastre de ser um homem sério e que se limita a cumprir o seu papel o melhor que pode e sabe na perspectiva daquilo que para ele é o interesse nacional, não resolve o problema. Muito menos iliba a responsabilidade política do primeiro-ministro. Em especial no cumprimento de algumas regras básicas que fazem a essência da democracia. Convirá não esquecer que o primeiro-ministro é responsável perante o Presidente da República e a Assembleia da República e que os ministros respondem perante o primeiro-ministro, em primeira linha, e só respondem perante a Assembleia da República no âmbito da responsabilidade política do Governo (cfr. artigo 191º da Constituição da República). A subversão das regras, como das responsabilidades, nunca conduz a bom termo. Seria bom que cada um fosse assumindo as suas culpas e, já agora, que os militantes do PS se fossem lembrando disso, tanto mais que estão prestes a ir às urnas para elegerem o secretário-geral e votarem as moções estratégicas de orientação política para os próximos anos.
O País não precisa de mártires, apenas de gente responsável
Sérgio de Almeida Correia,
