«Na verdade, muitos dos problemas deste país também se devem aos empresários. Tudo isto começou logo quando chegaram as grandes vagas de apoios comunitários, milhões de euros, que foram astutamente para as contas bancárias de engenhosos donos de empresas, que se “desdobraram” em manobras e esquemas para receber o dinheiro que deveria ter servido para o desenvolvimento do tecido empresarial e do país… Esse dinheiro serviu, sim, para o desenvolvimento das contas bancárias de muitos empresários de algibeira, dos mesmos que agora se queixam que têm que pagar a segurança social e as férias de quem trabalha para eles… todos conhecemos histórias inacreditáveis. Certamente que há bons empresários (mal seria…), mas o registo de maus, demasiado maus, é gigantesco. Um dos últimos casos que conheci reflecte bem o que se passa neste país: a senhora empresária gosta de se apresentar no seu BMW (comprado obviamente pela empresa) e de fazer boa figura, mas depois de no último ano ter conseguido levar a empresa que tinha todo o potencial quase à ruína (trabalhar cansa), e de chegar à conclusão que não conseguia pagar o ordenado da sua única funcionária (as contas do telefone, do cartão de crédito e do gasóleo para as suas necessidades privadas eram mais importantes…) também auferiu que não lhe podia pagar a indemnização devida, e que iria pagando conforme pudesse… mas do BMW e do restante nem pensar em abdicar! Pior: Ainda ficou ofendida quando a ex-funcionária de quatro anos defendeu os seus direitos! Esta é, infelizmente, a mentalidade de muitos dos nossos empresários… vamos esperar que esta crise também sirva para “varrer” muita dessa gente, e que fiquem os bons…»


Efectivamente se fôssemos a repartir justamente as culpas do estado a que chegámos talvez se livrassem apenas as crianças lusitanas, doentes de longa duração, alguns deficientes e muitos poucos mais…