Convidado: PAULO FERREIRA


Pedro Correia,

 

Se cá nevasse fazia-se cá ski…

 

Portugal enfrenta hoje, por muito que custe a aceitar por muito boa gente (e má também!), o maior desafio da sua história. Consolidada a Independência, expulsos os Mouros, conquistada a Glória, falhado o V Império, perdida a extensão ultramarina da Nação, desperdiçado o ouro e mais um horror de oportunidades, implantados ou experimentados vários regimes, descolonizando e democratizando, mais coisa menos coisa, a Pátria, chegamos ao patamar em que nos encontramos hoje.

Afonso Henriques morreu, D João II e o Marquês do Pombal também e a União Europeia já não se sente nada bem.

O maior português de sempre diz que era de Santa Comba Dão e para cá do Marão mandam os que em Bruxelas estão.

Atrasos tecnológicos a vapor, falta de formação e qualificação à pressão, erros alheios e desperdícios voluntários , auto-estradas a mais e caminhos-de-ferro a menos, barragens com gravuras e bancos com gavetas e sacos azuis. Traumas imperiais, tabus coloniais, defeitos matriciais, cultura ou falta dela.

Camarate’s, BPN’s ou submarinos à parte, temos nem mais nem menos aquilo pelo que lutamos no passado ou construímos no presente. Ou não?

Queríamos mais? Queríamos melhor? Sonhamos mais alto? Ambicionamos chegar mais longe?

Quando? Exactamente quando é que isso aconteceu? Foi um sonho há muito perdido no mar de conforto instalado ou de sobrevivência garantida? Foi um último suspiro no final de um gelado perdido numa infância longínqua? Não sei.

 

 

Dizem que temos o país que merecemos. Que o panorama actual é exactamente reflexo da “sociedade” civil ou civilizada, à rasca ou encavacada. Uma realidade enrascada.

Eu sei que temos muito melhores políticos, em todos os partidos e até fora deles, do que aquilo que “a sociedade” acredita ou é levada a acreditar. O que falta? Coragem?

Os cidadãos, que são também contribuintes e parece que alguns até são eleitores de vez em quando, são culpados ou vitimas? Ou ambos?

As elites, escrevem uns, desgraçaram-nos. Em parte até acredito, mas não chega.

E o resto? Onde esta o resto? É isto tudo o que sobra?

Vinho do Porto em copos do Ikea, CDs da Amália vendidos na feira e vídeos do Eusébio a preto e branco?

Será “sim” a resposta à pergunta “E se isto for o melhor que conseguimos?”

Desculpem-me, não me levem a mal, não me julguem por delito de opinião, mas não acredito, isto está muito, muito longe de ser o melhor que conseguimos…

 

Paulo Ferreira

4 comentários em “Convidado: PAULO FERREIRA”

  1. Grande, grande texto! Cada pergunta abre uma chaga na pele portuguesa, mas é preciso abri-las sob pena de morrermos todos de letargia. É isto o que merecemos, o que queremos, o máximo que conseguimos? Não quero nem posso acreditar nisso, caro Paulo. Perdemo-nos pelo caminho, é verdade, mas ainda acho que somos capazes de ser grandes. A prova é que o conseguimos, invariavelmente, longe da “pátria”. Não será então um problema do povo, mas do chão que pisamos…

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