É a desgraça nacional.
O Presidente Sócrates, ciente de que continua em forma e imbatível na arte do conto do vigário, deu um murro na mesa e desafiou os pachorrentos olhares da sua corte muda:
– Ai querem medir forças? Pois não me tiram daqui!
Silva Pereira serviu a segunda rodada de ‘absolut-libre’, a bebida oficial do Conselho.
E pronto, lá vai ele a votos… enganar novamente essa apetecível aldeia de velhinhos mentais (dos 18 aos 88), com quem conta, fiado, para ser devolvido em ombros ao pódio do poder.
Incautos e taralhoucos, estarão eles prontos a entregar a pensão a troco de uma história qualquer, mirabolante? – diz o contraditório.
Pois, porque não?
Vai resultar, mais uma vez…
Não há duas sem três.
Em baixo, na Assembleia, por entre o silêncio estupefacto do anfiteatro subitamente ameaçado de desemprego, há um pequeno nicho de actores que se agita, vibrante de contentamento: são os berloques de esquerda, que acabaram de assegurar o aumento da sua esperança de vida.
No final da sessão, entram na casa-de-cima pelas traseiras e juntam-se para a terceira rodada de ‘absolut-libre’ com os conselheiros.


E depois vão todos ao Café de S. Bento comer um belo bife tardio, regado com um Pera Manca-reserva, para comemorar a vitória…