O Rui tem razão: os verdadeiros amigos da liberdade e da democracia, ao contrário do que se diz por aí, são todos de direita. Ainda bem que ele me abriu a pestana. E estes combates de almofadas em formato de chalaça blogosférica são tão divertidos — quase me fazem retirar o que escrevi sobre a Helena Matos.




Tens razão, Luís. Quis deixar a radiografia da direita para ti. Mas, sobre esta, já todos estávamos entendidos. É igualmente criticável. Todavia, o alinhamento da esquerda que se coloca em plano de igualdade (e é ao mesmo nível que o teu post coloca a discussão) é para mim mais surpreendente. Para ti, não é?
Não, Rui: porque neste momento corremos o risco de substituir a “superioridade moral” da esquerda por uma “superioridade moral” da direita, igualmente falsificada. O meu exercício, de um tipo que aliás nunca aqui pratiquei, quis chamar a atenção para os limites destas análises unilaterais.
É este tipo de merdas que conduz ao discurso “a la Helena Matos” em que a “esquerda” se transforma num projecto de ficção contra o qual a “direita” dirige umas bocas, como se a “esquerda” fosse toda igual — como se não houvesse entre nós quem sempre tenha exigido mais dos seus líderes, ou quem não fosse vegetariano e “politicamente correcto”.
Estas dicotomias são tolas, não porque servem um combate (nada tenho contra combates) mas porque o falsificam.
Eu próprio tenho posto neste blog gente com a qual pouco me identifico politicamente: no último post citei o Pedro Picoito, o Daniel Oliveira e o Francisco José Viegas, para dar um exemplo.
E faço isso com a convicção de que aquilo que nos separa ou aproxima é uma consciência crítica, civilizacional ou a falta dela.
Quando olho para as “radiografias” do outro lado feitas pelos alinhados (o Valupi, a Helena Matos, os novos “boys” do PSD) encontro muito pouco que mastigar.
E isso chateia-me, porque sou um pouco gastrónomo.
Fica então esclarecido que o propósito do teu post não é a defesa da honra de uma esquerda que bate no peito com o exclusivo da liberdade. E que foi contra essa que o meu post se dirigiu precisamente porque é essa que faz mais barulho a bater no peito. Daí que considere o meu legítimo e oportuno (o que é um pressuposto tão discutível como qualquer outro). E que na verdade a conclusão que tiras a partir do meu post com a tua ironia imbatível seja abusiva (em nenhum momento contrapus uma vantagem da direita na defesa da liberdade). Desmontada a cartilha dos detentores do exclusivo da liberdade, estejam à direita ou à esquerda, e colocada a questão no âmbita da consciência crítica e civilizacional, não encontrarás melhor aliado do que eu. Posto isto, creio que podemos ir almoçar.
Podemos sempre ir almoçar, nem que seja para despejar copos de vinho no casaco do outro.
Quanto a essa noção de “exclusivo” na defesa das liberdades, parece-me cada vez mais uma criação retórica com que parte da direita se diverte a confrontar uma “esquerda” muito minoritária. Mas a isso regressarei talvez noutro post.
Pois amigos como sempre e, por favor, nada de estragarem vinho nos casacos um do outro…
Meninos: se quiserem mesmo praticar esse divertido desporto de atirar copos de vinho um ao outro no próximo jantar do Delito (ver mail hoje ou amanhã), por favor avisem com alguma antecedência. Primeiro, porque eu também quero entrar nisso (ou pensam que o divertimento é só vosso?) e quase juraria que todos os outros também. Depois, para levarmos roupas que se possam estragar e para pedirmos um vinho rasca para o efeito. Com vinho bom, nem pensem!! Terceiro, para eu escolher melhor o restaurante. Tem de ser um onde não tenhamos pena de nunca mais voltar…
Vou estar atento. Proponho um restaurante em São Pedro de Sintra, com lareira, que é bom para acabar o Inverno, mas vou precisar de boleia porque não conduzo.
Isso para mim era prático, quem me dera. E até tinha a solução ideal. Mas não vou obrigar-vos a todos a vir de Lisboa (e não só) até Sintra para jantar, só porque vivo lá. É caso para brainstorm colectivo…
Ah, então deves conhecer o restaurante. É o Cantinho de São Pedro, tem uma cozinha de influências francesas um bocado arrevesadas — mas a comida é apetitosa, e não é muito caro (30 euros ou pouco mais). Vou lá com a com a minha namorada logo que acaba o calor ou que o frio chega ao fim. É romântico e tudo.
Também podíamos reservar mesa na Tasca da Esquina. Gosto dos petiscos do Sobral. Ou o Casanostra, se não se importarem de o partilhar com as namoradas do regime. Quando morava no Bairro Alto era a minha cantina, daí a inclinação.
Claro que conheço, desde sempre. Era esse a “solução ideal” que eu dizia. Dantes comia-se divinalmente, depois piorou bastante e agora está bom outra vez. E é tão romântico que começou lá a minha primeira lua-de-mel… lol
Então vamos matar saudades da tua primeira lua-de-mel, Ana. Insiste com os rapazes.
looooooool. Acho que o resto da conversa vai seguir por mail…
Faltou ao Rui dizer que noutro código da estrada, as “regras de trânsito politico” afirmam que a defesa intransigente da defesa e da democracia pertence à direita. É que eu nestes dias já vi 7652374762 fotografias do Socrates com o Kadafi. O homem vivia na tenda do Kadafi e praticamente não saia de lá nem para apanhar ar. Mas a direita tem esta propensão para o martirio e acha que a esquerda a sufoca, que a imprensa é toda de esquerda, e os blogues e a opinião pública e tudo e tudo. No sistema simplex de classificação, há quem despache o assunto com “a maçonaria”. É o eterno complexo do PREC. O que dá imenso jeito.
“a direita tem esta propensão para o martirio e acha que a esquerda a sufoca, que a imprensa é toda de esquerda, e os blogues e a opinião pública e tudo e tudo.”
Lá isso é verdade: o que eu tenho visto de gente sufocada nos blogues porque alguém lhes responde. Já não se podem mandar bocas desempoeiradamente.
a tragédia é que nem de esquerda, nem de direita…
Noto em si um saudável cepticismo. Venha a meus braços blogosféricos, Ana Cristina.