Um homem inspirador


lauraramos,

 

 

A Universidade Católica Portuguesa conferiu a António Barbosa de Melo o grau de doutor honoris causa.

 

Foi na passada sexta feira, no âmbito da celebração do Dia da Universidade, cuja divisa (gosto de reparar nestas coisas) encontrou neste caso sobre que me detenho a sua plenitude expressiva: Veritati (pela, para a Verdade).

Nenhuma palavra, entre milhões de outras, se adequaria mais a este acto.

Nem a este Homem.

 

O destaque só faz sentido por isso e nada mais: pela homenagem à pessoa verdadeiramente desprendida. Avessa a honrarias e prebendas, distanciada dos palcos, distanciada do imediatismo enganoso das aparências e da falsa aura dos heróis do dia, que  teve a distinta lata de se negar a receber uma qualquer medalha num 10 de Junho dos anos 80.

 

Jamais entrou na dança das cadeiras do poder.

E, entre muitas recusas, por vezes respondeu quando o chamaram, porque acreditava na missão maior da coisa pública, na honestidade do Estado, no primado do pensamento sobre as acções avulsas e no pragmatismo incisivo que nasce das Ideias.

 

Sempre viveu com a cabeça no amanhã.
Sempre viu muito mais à frente do que tantos outros que o acompanharam, e que o ultrapassaram no palmarés de distinções e cargos, contrapartidas, sinecuras e flashes.

Ainda hoje assim é: mais novo do que muitos dos mais novos.

 

Raramente conheci uma pessoa tão LIVRE quanto ele.

 

Assisti com orgulho de portuguesa. E com um outro orgulho: o de quem acredita na justiça terrena…

7 comentários em “Um homem inspirador”

    1. Rui, vai(s)-me desculpar, mas diminuto é que não foi de certeza absoluta. A não ser que a História política dos anos 75-05 venha a ser feita pelo José Hermano Saraiva…
      Foi absolutamente fundamental na construção da identidade do PSD, nos anos decisivos da sua implantação. Deputado à Constituinte presente e actuante (trata-se de um constitucionalista, certo?). Conselheiro de Estado de 85 a 2004. Adviser das Nações Unidas, adstrito à 6ª comissão. Presidente do Conselho Nacional de Educação. Presidente da Assembleia da República. Integrou a direcção que se encarregou da instalação do INA, do CEFA, e aí perdurou por largos anos. É um jurisconsulto que, como cidadão, sempre esteve envolvido nas grandes questões, nas grandes provas. E que ainda – talvez, agora,venha o principal- foi co-autor de inúmeros diplomas essenciais para a democracia (por ex., leis eleitorais e estatuto da autonomia universitária, o melhor que tivemos, antes do actual e aberrante modelo).
      Escreveu coisas sublimes. Experimente este: «Democracia e Utopia» (se conseguir arranjar).

      1. Tens razão, Laura. Refiro-me a diminuto face à dimensão que poderia ter tido (as tais recusas que referes). Aliás absolutamente justificadas por uma verticalidade a toda a prova que o impediu de se envolver em certas jogadas políticas. Sendo certo que, como bem sublinhas, a sua intervenção foi de enorme relevo em valor absoluto. Fui aluno de Barbosa de Melo durante um curto período e posso testemunhar a dimensão humana, científica e o cunho de cidadania que imprimia a cada lição (e era disso mesmo que se tratava).

    1. Nem mais: seria um membro do “SPQR”, que por cá, adaptado, acabaria fatalmente num Senatus Populusque Socraticus…
      E que falta nos fazem os governos de «homens bons»!
      (sou pela igualdade, João, mas já o conheço e portanto nada de promover a igualdade de género pondo isto no feminino! 🙂 🙂

      1. É certo que nunca ouvi dizer que Natal é quando uma mulher quer… mas, como sabes, o género mas culino é também (sempre foi) a designação dupla, abrangente, geral.

        É assim que eu defendo as coisas, porque a nossa língua (como as outras) tem princípios, tem bases, e isso tem de fazer parte do conhecimento para ser usado com critério e sem os disparates da moda absurda e tonta.

        Disparates com uma ponta de educação, à Paulo Portas: “senhoras e senhores deputados” (esquecendo-se de dizer “deputadas” ao separar escusada e parcialmente os géneros). Disparates sem educação, à Francisco Louçã: ‘orricos e arricas que paguem a crise’ (deve ser machismo-caviar). Intolerável, esta modice instalada, como se as coisas tivessem mudado.

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