O Mesa Marcada consultou os especialistas e estes, graças a deus, não se armaram em franciscanos. Há dois ou três representantes da alta cozinha low cost (que, valha a verdade, não é alta nem low), mas os outros ainda conseguem preservar algum hedonismo, complacência e saúde mental. A lista completa está aqui.


Eis aqui alguns poisos obrigatórios de uma certa “esquerda”, que pensa que nem só de pão vive o homem: o caviar também faz falta.
Pedro, em países muito mais igualitários que o nosso existem alguns dos melhores e mais caros restaurantes do mundo, como o Noma de Copenhaga.
Ser de esquerda (como eu sou) não significa ter hábitos frugais, significa defender que uma sociedade possa distribuir a riqueza para que não sejam só alguns a frequentar o Tavares de vez em quando.
Escrevo isto não para polemizar contigo, mas porque estou um bocado cansado de ver apontar à esquerda os “vícios burgueses” enquanto à direita assumida, à que se está a borrifar para as desigualdades, se permite tudo exactamente porque se “assumiu”. Como se o egoismo, desde que teorizado, fosse uma boa desculpa.
Meu caro, também sem qualquer intenção de polemizar contigo devo confessar-te que algumas das criaturas mais insuportavelmente pedantes, chatas, com pose de histérica superioridade moral e com inegável bom gosto para a ‘haute cuisine’ provêm precisamente dessa área a que chamo esquerda-caviar. Que se distingue à distância da esquerda-tremoço e da esquerda-coirato. Também existe a direita-caviar, claro, mas essa expressão é quase pleonástica. Em Belém somos representados desde 2006 pela direita-carapauzinhos-fritos-com-feijão-f rade. E antes estivemos representados pela esquerda-sandes-de-paio. Nesse aspecto, honra ao dr. Soares, o nosso melhor representante gastronómico na política, capaz de ombrear com qualquer inspector dos guias Michelin.
Concordo contigo quanto à prevalência de pedantes com a mania da superioridade moral em algumas franjas da esquerda (eu próprio incorri ocasionalmente no horrendo pecado do pedantismo, mas não, e isso redime-me em parte,no da histérica superioridade moral — basicamente porque não gosto de moralismos). Isso é uma coisa: outra, diferente, é fazer argumentários políticos com os hábitos de consumo da gente de esquerda. Não creio que o tenhas feito, mas que muita gente os faz, lá isso faz.
E isso chateia-me de morte, pelo motivo que já esclareci: porque se considera que quem defende o egoísmo tem todo o direito de ser egoísta, e quem defende a solidariedade devia comer só migas com toucinho.
Os nórdicos, mais uma vez, desmentem essas subtilezas da interpretação judaico-cristã.
Noto aqui uma certa prevalência do eixo Lisboa-Lisboa…
‘La gauche gourmée’ odeia sair do eixo Chiado-Príncipe Real.
Acho que o caríssimo Pedro Correia tem algumas dificuldades com a geografia. Tudo para forçar o cliché gauche /Chiado, tss tss tss.
Porta-te com educação no meu blogue colectivo, Miguel. E depois manda-me o faisãozinho como prometeste, que eu tenho um jantar marcado com três revolucionários da Rua Garret.
Pois tenho, Miguel. Já encomendei até um GPS ao Pai Natal.
Rui, a lista completa está lincada no fim do post citado. Existem por lá bastantes restaurantes de fora de lisboa. E, no “top ten”, existem vários do Algarve. Essa distribuição é aliás equivalente à das estrelas Michelin. As coisas são o que são. Numa cidade como o Porto, que dá cada vez menos importância à cultura por exemplo, porque é que se haveria de valorizar a alta cozinha? Sei que isto é em parte injusto, mas só em parte.
Não temos de fazer uma avaliação da qualidade por critérios regionais, e muitas das pessoas que compuseram o painel dos avaliadores são de fora de Lisboa.
Ah! peço desculpa pela falta de educação. Obrigado pela referência ao post do Mesa Marcada.