Este ano, pela primeira vez em muitos anos, não vou passar o Natal à terra (das poucas cidades portuguesas onde a neve nos pode supreender à saída da missa do galo). E não sei escrever sobre isso.
Vazio
Adolfo Mesquita Nunes,
Este ano, pela primeira vez em muitos anos, não vou passar o Natal à terra (das poucas cidades portuguesas onde a neve nos pode supreender à saída da missa do galo). E não sei escrever sobre isso.
Eu sou uma sem terra, Adolfo (nascida em Lisboa e filha de naturais de Lisboa) de modo que só posso imaginar esse vazio de que falas. Em contrapartida sei bem o que é cobiçar, nesta quadra, a terra dos que têm terra onde neva no Natal 🙂
Eu sou nascido em Lisboa, filho de pais nascidos em Lisboa, mas de avós espalhados pelo país. Bem-hajam os meus avós, como se diz, precisamente, lá pela Covilhã 🙂
Percebo-te muito bem, Adolfo, e só essa parte da neve falta na “minha terra” (embora eu tenha nascido em Lisboa). Quando penso em Natal é lá que faz sentido estar. Sei que não te consola, mas também eu este ano vou sentir esse vazio pela primeira vez.
Um beijo
Obrigado Ana. É curioso como o Natal começa a ser, sobretudo com as crianças a crescer, um momento de saudade. E mesmo que muitos não o admitam, penso que o Natal traz sempre, ainda que escondida, alguma tristeza.
Posso enviar para o Delito, ao seu cuidado, umas papas de carôlo, a matar saudades ? Na mercearia perto da minha casa,de bons alentejanos,(ou não morasse eu na maior cidade do Alentejo, Almada…) o carôlo de milho não falta. Boas Festas.
Venham de lá as papas!
Muito obrigado pela lembrança. Como é possível que as memórias se abriguem tanto em cheiros e comidas?
Aconteceu-me o ano passado. Tantos anos a almejar ficar no “quentinho de Lisboa pelo Natal”, para depois, quando finalmente acontece, cravar-se cá dentro esta gelada ausência de pedra desenhada.
é isso mesmo. quem desdenha quer comprar…
Também eu, este ano, fico perdido no meio do Atlântico Norte. E não quero escrever sobre isso.
O Natal é quando o homem quiser, não necessariamente onde o homem quiser 🙂