Mais um sacrifício humano por crime de blasfémia


Rui Rocha,

Asia Bibi (foto) é uma mulher paquistanesa, de 45 anos de idade e mãe de 5 filhos. Está presa há mais de 1 ano e arrisca-se a ser executada nos próximos tempos. O seu crime? Basicamente, o de ser cristã num país onde dissentir da crença da esmagadora maioria muçulmana é meia sentença de morte.

De acordo com os relatos conhecidos, depois de ter sido provocada por colegas de trabalho muçulmanas com quem se envolveu em discussão, e de ser por estas acusada de ser infiel e de professar uma religião de infiéis, terá dito algumas palavras menos abonatórias sobre o profeta Maomé. Daí à detenção e à acusação por crime de blasfémia foi um passo. O passo seguinte foi a condenação à morte, perante o embaraço das autoridades políticas que não conseguiram sobrepor-se à pressão da opinião pública, das entidades religiosas e à clarividência dos tribunais locais.

Os manifestantes na foto acima não protestam contra a pobreza, nem contra a corrupção, nem contra a violência em que o Paquistão está mergulhado. Manifestam-se contra um eventual perdão a Asia Bibi, exigindo que a sentença de enforcamento seja cumprida.

A situação de Asia Bibi não tem a visibilidade da de Sakineh Ashtiani, e o Paquistão não tem o mesmo grau de hostilidade face aos Estados Unidos da América que o Irão ostenta. A barbárie, todavia, é a mesma.

12 comentários em “Mais um sacrifício humano por crime de blasfémia”

  1. Tem ainda a “ajuda” da sua irmã que ofereceu meio milhão de rupias paquistanesas a quem acabar com ela!
    Se porventura não for enforcada, não terá muitas hipóteses.
    E andam ainda cinco filhos fugidos, escondidos de tudo e de todos.

    Desde sempre que os cristãos são vítimas de perseguições.
    Também ainda hoje a Igreja Católica é alvo de críticas menos abonatórias, radicalismos de opiniões, apenas por ser tolerante, senão vejamo-nos comparados a estes atentados aos mais elementares direitos humanos.
    Sem palavras!

    1. E, pelo que pude ler, teve também a solidariedade do Iman que a denunciou e que declarou, lavado em lágrimas (de felicidade) que o dia da condenação era um dos mais felizes da sua vida.

      1. Desconhecia mais essa achega, mas o fanatismo religioso leva a essas coisas.
        Qualquer fanatismo, aliás, mas nos dias de hoje, é inacreditável e ninguém pode calar,há que denunciar.
        Apenas porque essas religiõees vivem ainda na Idade Média.

  2. Caro Rui Rocha,
    Obrigado pela denúncia… desconhecia o caso e, portanto, resta-me, sinceramente, agradecer-lhe.
    Um abraço.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *