Os que Falam & Os Que Fazem


Ana Cláudia Vicente,

Daqui envio os meus entusiásticos parabéns ao Miguel P., digo, a ambos os Miguéis, pelo prémio recebido da Fundação Bill and Melinda Gates, o qual permitirá avanços no conhecimento e combate à malária.

Como pessoa concebida em clima tropical e gestada em circunstância atípica, comecei por ser confundida com um desses parasitas da família Plasmodium que causam a tão conhecida infecção. Triste é que a dita, décadas depois, continue a matar milhões (sim, leitores, milhões) de pessoas a cada ano; o quinino não deu cabo de mim, pelo que aqui estou, fazendo votos para que os avanços liderados por estes cientistas portugueses venham a ter a mais positiva das consequências  nos que fazem o possível e impossivel para sobreviver a um mal escandalosamente banalizado.

Portugal não é só parlamentação, meus amigos.

[Wikimedia Commons]

12 comentários em “Os que Falam & Os Que Fazem”

  1. Óptima notícia, sobretudo para os milhões (não fazia ideia de que eram tantas) de pessoas que ainda morrem de malária. Finalmente, o princípio do fim dessa maldição tropical.
    Quanto a ti, se resististe ao quinino também vais resistir à crise… nós, portugueses, resistimos a tudo. É o que nos vale.

  2. Excelente texto, Ana Cláudia. Nunca é de mais olharmos para o que de bom os portugueses vão fazendo, dentro ou fora das fronteiras do País. Convém nunca nos esquecermos que podemos olhar para o copo e vê-lo meio cheio, não apenas meio vazio. Eu, que sou um veterano da malária (doença que esquadrões de mosquitos tropicais me transmitiram mais de uma vez), só tenho razões para me congratular com esta boa notícia.

    1. Como dizem os GNR, Pedro ‘toda a gente diz que a culpa é do mosquito’ 🙂
      Fora de brincadeiras, acho mesmo que subestimamos patologicamente as pequenas vitórias, como se só as queixas reiteradas nos fizessem avançar.

  3. Até é verdade que é bom, mas embandeira-se demasiado em arco com isto. A famosa fundação dá uns míseros 100 mil dólares (75 mil euros?) para a investigação por 18 meses (pelo que entendo). Se os dois investigadores receberem 2 mil euros por mês brutos por 18 meses o dinheiro vai-se todo só em salário. Se for para material, considerando que uns meros 5 g de anticorpos custam facilmente mil euros, o dinheiro não dura muito. Na minha investigação de doutoramento foi prevista uma verba de 90 mil euros só para a aquisição de um equipamento de cromatografia (equipamento básico na área da purificação muito usado em biotecnologia). Os 75 mil euros do senhor Gates não darão para muito. Ainda assim, creio ser melhor que nada.

    Parece-me mais propaganda que outra coisa, até porque há carradas de investigadores portugueses que escrevem propostas de investigação em diversas áreas tecnológicas, as quais são aceites e têm orçamentos consideravelmente superiores, que não recebem qualquer atenção. Tudo porque o jornalismo científico em Portugal é do pior que já vi…

    1. Não me parece nem que se esteja a embandeirar em arco, nem que se trate de propaganda, João. Por mais modesta que seja a verba, ela seguramente fará alguma diferença, por mais supletiva que seja. E parece-me positivo que se divulguem os prémios recebidos por investigadores nacionais, não vejo nenhuma agenda política por trás dessa divulgação. Numa coisa estamos de acordo: era preciso mais e melhor jornalismo de especialidade, até porque há cada vez mais leitores em Portugal para o consumirem.

      1. Note-se Ana Cláudia que não estamos a falar de nenhum prémio, antes de um concurso de financiamento. Como este há dezenas da Gulbenkian, FCT, União Europeia e outros, até com muito mais fundos. Tenho a certeza que para os investigadores qualquer dinheiro é bom e que até agradecem a puiblicidade, mas destacar tanto este assunto é mau serviço para todos os investigadores que passam semanas a preparar propostas que serão analisadas pelo menos tão rigorosamente como estas e que lhes dão financiamento por muito mais tempo e para muito mais coisas.

        1. Fui imprecisa e agradeço a correcção, João, tratou-se da atribuição de um financiamento, como refere; mas não me parece que o problema seja o destaque dado a este caso concreto, antes o não se reportar outros semelhantes, ou até de maior relevância. Segundo o que conheço e/ou me vão contando, entra também na equação o facto de nem todos os investigadores/instituições apostarem o mesmo na divulgação destes passos junto dos mass media .

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *