Parceiros para o tango, ao centro


Pedro Correia,

Eu bem dizia. Aí estão os primeiros apelos oriundos das fileiras socialistas à formação de um bloco central, com esta ou outra designação. Em declarações à TVI, ontem à noite, Vítor Ramalho falou da “necessidade de um acordo estratégico, a médio prazo”, entre o PS e o PSD. Diluindo as fronteiras entre governo e oposição. E, em entrevista ao Diário Económico, António Vitorino – uma das raras personalidades com pensamento estratégico no partido de José Sócrates – deixa bem clara a sua posição, na mesma linha. Dizendo isto: “Neste momento o País tem de encontrar a capacidade de se unir e convergir numa plataforma comum para responder aos problemas.” E mais isto: “O Governo vai ter de dialogar e dar passos para estabelecer pontes com o maior partido da oposição. (…) O PC e o BE não têm préstimo nem relevância governativa, as suas posturas políticas tornam-nos marginais em relação a qualquer solução de governo. Isso obriga o PS a ter o PSD como único interlocutor para uma estratégia deste género.”

No PSD não falta igualmente quem pense desta forma, como o recente discurso parlamentar de Manuela Ferreira Leite deixou transparecer. Em pano de fundo, enquanto avalista supremo desta fórmula política, figura o Presidente da República. Aqueles sociais-democratas que já fazem cálculos eleitorais para 2011 prevendo que Cavaco Silva dissolverá o Parlamento podem esperar sentados…

7 comentários em “Parceiros para o tango, ao centro”

  1. Só para apuramento do martelado exercício mental devem esclarecer se contemplam o ferrugento pisa pés de que Sócrates e sua corte de obediências e malhações entra no bailarico. Contudo, habituem-se á ideia de que educação, saúde e justiça por exemplo, são questões de regime e não devem ser deixadas ao arbítrio de qualquer governo esporádico de legislatura. Isso não se faz com blocos para governar mas sim com entendimentos parlamentares para legislar.

    1. Pois. Escrevi isso mesmo durante a campanha eleitoral de 2009 e logo após a eleição legislativa, em Outubro. A ausência de uma política clara de alianças, ao contrário do que sucede na generalidade dos países europeus, e a formação de um governo minoritário em tempo de grave crise só podiam produzir os resultados que estão à vista. Que diferença com o sucedido no Reino Unido em Maio deste ano: 24 horas após as legislativas, que não deram nenhum vencedor com maioria absoluta, conservadores e liberais estavam a selar um acordo de legislatura. E os liberais, sublinho, estavam afastados do Governo de Londres desde Julho de 1945.

  2. Em que capítulo do “pensamento estratégico” de António Vitorino estão incluídas as duas vezes em que hostes socialistas por ele aguardavam e ficaram agarradas, uma vez com Ferro e outra com Sócrates?
    Ter “pensamento estratégico” quando nada depende de nós temos que convir que não é complicado. Lá inteligente e culto será AV, mas, não deixa de ser o Marcelo socialista, uma eterna esperança que nunca há-de vir…
    Quanto ao post, obviamente o circo é much ad about nothing… parece-me óbvio, seja com MA na Assembleia, seja sem maioria, que num qualquer país civilizado, haja acordos de regime para várias décadas… mesmo quando não existem Homens de regime…

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