Liu Xiaobo, o novo Prémio Nobel da Paz, foi detido e condenado a 11 anos de prisão simplesmente por ter sido um dos autores deste documento que defende os direitos humanos na China. Não andou a pôr bombas em transportes públicos, não disparou contra ninguém nem sequer partiu nenhuma montra à pedrada, como aqueles jovens “radicais” gregos tão idolatrados pela extrema-esquerda blogosférica.
Um intelectual injustamente encarcerado numa ditadura por exprimir ideias de modo pacífico devia merecer a solidariedade de um partido como o PCP, que no seu hino diz defender “uma terra sem amos”. Mas não: o partido de Jerónimo de Sousa, Francisco Lopes, José Casanova, Albano Nunes, Bernardino Soares e – lamento, mas é um facto – também de Carlos Carvalhas, António Filipe, Honório Novo e Octávio Teixeira não se solidariza com a vítima, mas com o injusto aparelho judicial chinês e o seu poderoso amo, o Partido Comunista. Tornando pública esta enormidade, que devia indignar qualquer cidadão intelectualmente honesto, a começar pelos militantes comunistas: o Nobel para Liu “é um golpe na credibilidade de um galardão que deveria contribuir para a afirmação dos valores da paz, da solidariedade e da amizade entre os povos”. Naturalmente, no 5 Dias ainda recebe aplausos por isso.
Contra a vítima, ao lado dos carrascos – à semelhança do que tantas vezes tem sucedido ao longo da História. Não esquecem nada, não aprendem nada. Como a aristocracia decadente do ancien régime.
Imagem: manifestação de apoio a Liu Xiaobo em Hong Kong


Impressiona-me a posição do PCP, contudo não escandaliza, já que vem no seguimento de outras acerca da Coreia do Norte, Birmânia etc. Estão tão presos a preconceitos ideológicos que já não conseguem ser honestos do ponto de vista meramente intelectual. Abraço.
O PCP tem ditaduras e ditadores de estimação. Por isso não lhe sobra qualquer moral para criticar violações de direitos humanos seja onde for.
É bom não esquecer que o também Nobel português Saramago, se fosse vivo, apoiaria concerteza a tomada de posição do PCP, nunca é demais desmascarar as atitudes dessa gentalha.
Isso é tão provável como o contrário. Para se tentar ser justo, não podemos esquecer que ele defendeu várias vezes posições diferentes do partido. E, curiosamente, foi o único nunca beliscado por isso.
Mencionei militantes comunistas vivos. Não falei nos que já morreram, pois gosto de dar oportunidade às pessoas para contestarem e rebaterem, se for o caso.
Lui Xiaobo está enacecerado por ter cometido um crime terrível, Pedro.
O qual, por acaso, até dá título a este blogue.
Pois é, Pedro. Como é fraca a forte China quando trata desta forma alguns dos seus melhores cidadãos.