Quando alguém faz uma coisa muito estúpida raramente aceitamos que seja capaz de um acto inteligente. No caso do PSD, é certo que a proposta da revisão constitucional foi estúpida, mas o modo como está a gerir a aprovação do orçamento não é.
Há muito que Pedro Passos Coelho decidiu viabilizar os desvarios de Sócrates. Mas para que esta decisão não cause dissensões internas nem provoque o cinismo dos eleitores, o país inteiro tem que erguer-se num apelo lancinante e suplicar-lhe que faça o supremo sacrifício das promessas recentes.
A operação está em curso. Manuela e Pacheco, com a perspicácia habitual, exigiram aquilo que de outra maneira teriam contestado. Cavaco, de moto próprio ou com aviso prévio, empunha bandeirinhas em nome dos consensos. Os abrantes, anónimos ou ilustres, urram pela responsabilidade do líder da oposição. Jornais e blogosfera em peso imploram-lhe que nos condene à negra miséria socialista.
A pergunta é esta: quando deve Passos Coelho aceder aos berros pungentes da pátria? Resposta: no último minuto.
Até lá, mais vozes se unirão ao coro. E o povo conhecerá dia após dia, se as agências de comunicação não forem parvas, aquilo que deve conhecer: os delírios galantes dos ajustes directos e dos eventos, das comemorações e das chazadas. A dissipação abjecta dos recursos públicos por amigalhaços e correligionários. O sofrimento dos almeidas santos e dos pedros soares. Depois, só depois, virá a aprovação — e com ela o negrume.
De maneira que a situação é a seguinte: Passos Coelho não está acabado. Vocês é que estão.

Muito bem, Luís.
“Vocês”
Pois.
Continuem assim…e lá vai o meu voto de esquerda, ao ar.
Como já foi nas europeias.
A minha costela de direita a vir ao de cima.
Pedro Passos Coelho é o Socretino II ! agora diz que quer uma moção de censura…ja não bastava um…
Perspicaz és tu, Luís.
Então venha de lá uma sericaia.
Sai uma sericaia para a mesa do canto!
Hum… Com que então a dar ao dente e não me diziam!?
Sobrou uma ameixa, queres?
🙂
Reafirmo que não consigo perceber qual a obrigação que tem o PSD de viabilizar um orçamento com o qual não concorda.
Pelo contrário, e para dar sentido ao que os portugueses exprimiram através do voto, se não concorda com o conteúdo do orçamento, tam a obrigação de votar contra.
Raramente concordo com Alberto João Jardim.
Neste particular, estou de acordo com ele.
Qual é o grande problema de haver uma crise política?
Se for para clarificar, para desanuviar o ambiente, limpara do espaço público alguma gentinha, até já vem tarde.
Vale a pena lembrar o lema do Tiririca – pior que está, não fica!
Nesse caso vale a pena lembrar-lhe que o palhaço Tiririca foi lançado há vários anos por alguns escroques do “mensalão” ansiosos por regressarem ao poder.
Mas eu só estou a referir o lema.
Nunca o personagem.
Ora aqui está um rapaz sonhador, acreditar que algum dia vai ser feita uma limpeza do espaço público.
A malta da politica não é mesmo nada ” asseadinha ” e o que não faltam é Tiriricas que como diz o nosso amigo abaixo, o que querem mesmo é não fazer nada, um golpe de Marketing que engana toda agente.
Ou não. Talvez tenha um ponto de vista único neste panorama de que o PPC é que vai salvar isto tudo, mas acho que PPC é mais um político como os outros que sempre tivemos desde que a carbonária passou a referência histórica. Começou a dar luta, a prometer mudança e lá cativou o PSD real que o PSD de Cascais não conseguiu erradicar – tal como Paulo Portas fez com o CDS-PP real –. Chegadinho à presidência do partido, é vê-lo mandar sentar os líderes de sempre, como que a assentar o chão que pisa. Depois, é falar ao povo e aguardar; não poupar num funeral decente ao PS, custe o que custar ao País; esperar até que a constituição que quer liberalizar o impeça de fazer o que deveria ter feito no dia seguinte a ser eleito; lá para a semana, ou assim, estará, ou estarão por ele, a dizer que até vai ser bom viver com duodécimos. É este operar, que entendo como maquiavélico, que encontro PPC e me faz dizer que é um político como os outros e, como tal, nada há, digo eu, a esperar dele senão o que se recebeu dos outros.