Com amadores é que não


jmmcc,

Afinal, a linha de alta velocidade do Poceirão fica (ou ficava) pelo dobro do preço indicado pelo Ministério das Obras Públicas. O ministro Mendonça, claro, já explicou que há o custo das “acessibilidades” (são os acessos) e outras coisitas de somenos que são inerentes à obra. Ora, precisamente por serem inerentes à obra é que fazem parte do custo da obra, não é? Ninguém ergue um hospital a partir do primeiro andar se o vazio do rés-do-chão não tiver uma escadaria ou um elevador de ligação com a parte de cima (a integrar no orçamento da obra), nem se fabrica vestuário sem operários têxteis (cujo salário faz parte do preço da roupa).

A gente sabe que a mentira está institucionalizada. Mas, por favor, ao menos façam-no com profissionais. Bons tempos em que o conto-do-vigário era uma arte.

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6 comentários em “Com amadores é que não”

  1. João, no que às obras diz respeito, desde que vi um bairro municipal ficar concluído quando se fizeram os arruamentos e se montou a rede eléctrica, isto quatro anos após os primeiros moradores terem as suas casas concluídas, já acredito em tudo – até que é possível fazer uma casa começando pelas telhas. Só é preciso haver dinheiros públicos, um empreiteiro criativo e uma grade de minis.

    Mais a sério, agora: já não há necessidade de arte no conto do vigário. Os portugueses já nem ligam às mentiras. Eles são todos iguais, dizem.

  2. Só para fazer notar que, com arte ou sem ela, uma vigarice não deixa de o ser.
    É, portanto, aqui assumido que os “bons tempos” eram de vigarice. Gostava era que o assumissem também no Parlamento e em todos os media.

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