A despesa do Estado não só subiu, em relação ao ano passado, como acho curioso verificar que essa subida se verifica em 12 dos 16 ministérios. Mais curioso ainda é que, entre eles, tenha subido no Ministério da Economia, apesar de ter poupado com a extinção do plano anti-crise nacional (?), e no Ministério da Agricultura, que apresenta o aumento impensável de um-terço das suas despesas em 2009.
Nesta realidade assustadora em que a abertura dos cordões à bolsa da Segurança Social já não serve de pretexto, o primeiro-ministro diz que a subida corresponde ao que estava previsto e que está tudo controlado. O que não impediu que viesse um secretário de Estado do ministro das Finanças declarar que não há qualquer alarme e que o governo vai continuar a diminuir a despesa do Estado, numa referência a qualquer coisa que deve ter sonhado de noite. Nem vale a pena pedir explicações. De explicações precisam os decisores que nos arrastam à força para este pesadelo.
Pelo meio, têm aparecido vários gurus em macro-economia e finanças a garantir que é muito mais importante ter um bom Orçamento de Estado para 2011 do que obter um rápido consenso para a sua aprovação em tempo útil. Não preciso de ser um especialista para entender que, sem Orçamento aprovado a horas, governa-se por duodécimos do anterior, o que significa não haver subida nem descida das despesas do Estado: gasta-se o mesmo, o que é pior que mau. E isto os gurus não dizem.
Com o fantasma do FMI a pairar cada vez mais perto, o que fazer? Como alguém já disse, a receita é simples e conhecida: bastaria que Portugal aplicasse as medidas que estão a funcionar na Grécia sob a batuta do FMI, com a vantagem de podermos fazê-lo sozinhos, por iniciativa própria e sem ingerência externa. Já alguém assistiu ao encerramento de organismos e instituições que parasitam por aí? E qual é o tamanho real do buraco financeiro em que a verdade completa das contas públicas está metida, escondida nas empresas públicas e nas chamadas empresas municipais? E quanto custa ao Estado (e com que proveito) a teia infindável de fundações que o governo esconde?
Pois é: vamos discutir a revisão constitucional enquanto a gestão do país se faz a martelo. Só que as marteladas são perigosas: com estes habilidosos do martelo, depois das jóias pode já nem haver dedos sãos.

Não há juízo que aguente esta!…
Depois de tantas marteladas
desta gestão orçamental
as frouxidões são reveladas
de quem definha no pedestal.
Sem saber para onde ir
assim vamos definhando,
fica muito por referir
deste triste caminhando…
Proponho uma troca: Paulo Bento com primeiro-ministro para trazer “tranquilidade” aos mercados; José Sócrates a seleccionador para nos tornar “campeões do crescimento” técnico-táctico. E que venha o primeiro que me convença que ficávamos pior do que estamos na governação ou na bola!
Inteiramente de acordo João (a sua inicial deve ser em maiúscula, desculpe).
A ideologia é importante. Mas quando se tem 3 e gasta-se 5, não é preciso de ser de esquerda nem de direita.
Francamente, já não sei o que dizer nem o que pensar sobre o que se passa neste país. Temos um primeiro-ministro tão alienado como Vasco Gonçalves, com a única diferença de que tem um aspecto mais credível, fisicamente. Mas aparentemente ninguém parece importar-se muito com isso para além do comentário de café, e até acho bem possível que ele ganhe outra vez as eleições. E não vejo grande alternativa a isto. É o que temos. É o que somos.
Bom, quando a única coisa que temos é um martelo, tudo se parece com um prego…
Para cortar na despesa, desde logo no plano emblemático, o primeiro-ministro deveria formar novo governo, só com dois terços – no máximo – do número actual de ministros e secretários de Estado. Depois deveria incluir, no projecto de revisão constitucional que o PS vai apresentar em breve no Parlamento, a extinção imediata dos Governos Civis (pasmo por ainda hoje estas inutilidades administrativas constarem do nosso texto constitucional, o que diz tudo sobre a urgência da sua revisão e actualização). Nada disto se fará, o que é um excelente indicador da falta de capacidade e da falta de vontade deste Executivo para conter os níveis escandalosos da despesa pública.
Caro Senhor João Carvalho,
Vivo num país em crise constante e á beira do abismo, se dou um passo para trás mais me afundo neste atoleiro, se dou um passo em frente, espera-me o abismo profundo.
Não sei que fazer? por favor pode orientar-me? estou desesperada.
(carta aberta ao artista residente desta casa)
Minha cara Senhora
Como vivo no mesmo país, vou experimentar uma das alternativas. Quando chegar lá ao fundo (do atoleiro ou do abismo), mandar-lhe-ei dizer como é, para que possa decidir-se por uma das opções.
Ofereceu-se portanto como cobaia, caro Sr. joão Carvalho.
Como sempre um cavalheiro.
Cá ficarei na expectativa das suas notícias, desejando-lhe uma chegada suave ao atoleiro ou ao abismo, mas confesso que tenho a ideia, de que não demorarei a fazer o mesmo percurso, porque isto de ficarmos paralisados á espera de melhor sorte, não é para mim.
Nesse caso, follow me.