Convidado: VÍTOR CUNHA


Pedro Correia,

 

 

Gabriela Maravilhas

 

Há pessoas que nascem (pre)destinadas ao brilho e à presciência das coisas e das ideias. A actual ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, revelou-se. Ao assumir-se como femme fatale do socratismo, consciência crítica e livre, fiel intérprete do socialismo realista, veio cravar uma facada oportuna na discussão mais estéril deste Verão (sim, ainda mais estéril que a relacionada com o antigo treinador da selecção de futebol).

A ministra sem papas na língua disse alto o que todos sabemos: o famoso Estado Social deixou-se matar pelo pecado, neste caso o da gula. Em nome dos bons princípios o Estado cresceu tanto que destruiu a vontade solidária das comunidades. Até porque os nossos impostos há muito deixaram de pagar apenas as políticas públicas de redistribuição da riqueza: hoje pagamos a luxúria de uns tantos privilegiados. O Estado não soube limitar a despesa e agora arrisca destruir o que de bom se conquistou em quase um século.

Voltando à discussão estéril: a necessidade de repensar o Estado social, de diminuir a tecno-estrutura contratada para o dirigir, de progressivamente diminuir “direitos” menores (não tenho que ajudar a pagar o remédio para a ressaca dos meus amigos, mas estou disponível para comparticipar numa cirurgia) é uma urgência. Uma evidência.

A ministra Gabriela sabe do que fala e tem razão. Não fosse o azar de estarmos em pré-campanha eleitoral e tudo seria mais fácil. A ministra Gabriela arriscou a pele. Espero voltar a vê-la a tocar, Brahms ou este magnífico “se tu me amasses” (luxúria):

 

 

3 comentários em “Convidado: VÍTOR CUNHA”

  1. Qual padrão do nosso “estado social”!

    Sem saber para onde ir
    assim vamos definhando,
    fica muito por referir
    deste triste caminhando…

    Esse padrão bem conhecido
    em que reina a estupidez
    é por muitos enaltecido
    pois tal é a sua cupidez!

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