Hoje, ao final da tarde, fomos dar uma volta até ao Mindelo. Começava a sentir-me em casa. Mergulhar longe da confusão do Sal, entre gente que falava a minha língua com apreço e me descrevia os primeiros golos da época como se tivesse Sport TV em casa e fosse todos os domingos ao Estádio da Luz, enquanto exaltava as qualidades de Kardec, Coentrão e Carlos Martins, era algo que não me passaria pela cabeça encontrar em S. Vicente.
É arrepiante perceber a forma como a presença portuguesa continua a ser apreciada, vivida e protegida nalguns locais. Ver o antigo palácio do governador português, agora chamado Casa do Povo, a velha alfândega do Mindelo, os bustos de Camões e de Sá da Bandeira, a águia que assinala os setenta anos da viagem de Gago Coutinho e Sacadura Cabral ou a estátua erguida ao primeiro donatário de São Vicente, tudo em perfeito estado de conservação, não obstante as dificuldades do país, tudo em perfeita harmonia com a cidade e as suas gentes, sem perturbantes complexos coloniais ou pós-coloniais, devia fazer pensar alguns dos nossos responsáveis políticos. E em especial a subserviente comunidade empresarial portuguesa que se predispõe a correr para o primeiro local de onde lhes acenem com um maço de notas, sabendo que no fim vão ter de aturar modos rudes, faltas de educação e de cortesia, demorar anos a receber e, ainda, subservientemente, perdoar juros e dívidas por imposição dos novos sobas. Os mesmo que compram hoje em Paris e no Rio de Janeiro com o dinheiro das comissões recebidas por debaixo da mesa o que outros não se atreveriam a comprar em Lisboa. Com dinheiro limpo.



Excelentes apontamentos de reportagem sobre a minha ilha preferida de Cabo Verde, Sérgio. Venham mais.
Mindelo? Hum… Acho que o D. Pedro IV também desembarcou aí perto. Foi quando deixou os Açores…
Eheh…