
Incapaz de desatar o nó do Golfo Pérsico, onde as forças armadas norte-americanas estão atoladas, Donald Trump diz agora que ele teria vencido a guerra do Vietname «muito rapidamente».
É fácil falar, mais de meio século depois. Demasiado fácil até, tratando-se de alguém que fugiu dessa guerra quando foi chamado a prestar serviço militar.
Nascido em 1946, Trump festejou 20 anos no auge da intervenção norte-americana na Indochina. Mas esquivou-se a vestir farda, com cinco adiamentos sucessivos – os quatro primeiros invocando a sua condição de estudante de Economia, o quinto alegando ter um «esporão num calcanhar». Assim se safou à tropa, com o precioso auxílio de um médico amigo do papá.
Anos depois, bem ao seu estilo, o actual inquilino da Casa Branca gozou com o sucedido, garantindo já não saber em que pé teria o suposto esporão. Gozou ainda mais, observando que «o seu Vietname particular» havia sido a trepidante vida nocturna de Nova Iorque, onde o risco de contrair doenças vénereas era elevado para alguém com o comportamento dele, público e notório.
Escarrou sobre as campas dos 60 mil soldados norte-americanos que morreram no Vietname, sem fugirem à incorporação obrigatória. E em heróis de guerra, como o falecido John McCain, que ele insultou sem um pingo de vergonha.
Não admira que os seus parceiros ideológicos na Europa tenham começado a demarcar-se dele. Já perceberam que apoiar Trump é um suicídio político. E um tombo moral.

cansado de Trump e da Europa adiar ser Federação
Pois eu não me consegui safar da guerra colonial. E bem gostava…
Azar. Não tinhas um médico amigo do papá que te safasse da guerra. Ao contrário do Trump, combatente contra «as vaginas selvagens» nas noites loucas de Nova Iorque.
O Vietname e a guerra colonial foram guerras da guerra fria. No caso português, constitui uma das maiores vergonhas da nossa história. Honra e respeito a todos aqueles que infelizmente tiveram que lá andar.
No caso português foi realmente uma vergonha, onde o meu querido avozinho, contrariado, mas obrigado a vivê-la.
Honra e respeito para ti, meu querido avô.
Ontem vi na SIC N um documentário sobre a vida dele. “Toda a Verdade” vale a pena ver.
Anotei, agradecendo.
E o que também vale muito a pena ver é a paródia do Jimmy Kimmel – de 5ª feira! – ao Jantar dos Correspondentes, que acabaria como se sabe.
Como o Trump exigiu, para aceitar comparecer ao Jantar (que é tradição centenária a que ele nunca compareceu…), que não houvesse o também tradicional “bobo da corte” inimputável a gozar com os presentes, Kimmel monta uma rábula do dito Jantar, com assistência de notáveis MAGA, sendo ele o cómico de serviço.
Até para os critérios americanos, é vitriólico. Imperdível.
Agora Melania exige que Kimmel seja despedido (outra vez, aquela Primeira Emenda não tem descanso…) por causa de uma piada sobre ser ela uma “futura viúva”. Ainda que nos limitemos às piadas sobre ela, essa foi de longe a mais inócua; pelo que é pateticamente evidente a tentativa de manipulação emocional para fazer o frete ao Presidente e mais a todos os notáveis e influentes que foram generosamente regados com ácido.
Mais valera que Melania ficasse calada, muitos não se aperceberiam do “desastre” – eu, por exemplo, que fui logo a correr ver uma piada e afinal encontrei muitas, e muito melhores.
Outro que também fugiu à tropa é um dos heróis do Pedro, a reencarnação moderna de Churchill foi chamada por quatro vezes para ir à inspeção militar e fez de conta que não era nada com ele….
Desprezo anónimos, mesmo quando aparecem com nomes fingidos.
quem é tal indivíduo?
Deve ser o Cláudio Ramos.
As teorias da conspiração na maior parte dos casos não passam de farsas. Contudo, existem situações que dão que pensar. Este último episódio em Washington, está muito mal contado… Trump fez-nos acreditar que com ele, tudo é possível.
E é! com ele tudo é possível pelo lado oposto ao que à dignidade diz respeito.
Alguns não acreditaram nos americanos na Lua, outros não acreditaram que foi Lee Oswald matou o Kennedy, eu acreditei.
Hoje não acredito no tiro na orelha nem no atentado de agora no Hilton.
O sacana livrou-se de falar na frente de centenas de jornalistas.
Ficou caro mas esquivou-se!
o Golfo Pérsico, onde as forças armadas norte-americanas estão atoladas
Ora bem, boa descrição da situação.
Estão elas e, indiretamente, estamos todos nós.
Elas, mais. Até ao pescoço.
Trump é uma criatura miserável e deplorável, a todos os níveis… A todos os níveis, sem qualquer dúvida ou reserva…
Já não haverá muito mais a dizer sobre o maior embuste da História dos Estados Unidos… O pior entre os piores, que a América já escolheu…
Confesso que já cheguei àquela fase em que não suporto vê-lo, nem ouvi-lo… Simplesmente, enojam-me todos os seus trejeitos…
É, alguém lhe devia dizer que aquelas boquinhas o fazem parecer uma boneca insuflável já muito gasta…
Tal e qual, Zebra…
É fascinante como a história gosta de pregar partidas: os Estados Unidos passaram anos a despejar Agente Laranja nas selvas do Vietname para queimar tudo o que era verde, e décadas depois, o carma decidiu enviar-lhes um “Agente Laranja” em pessoa.
A analogia é perfeita, quase química. Tal como o desfolhante original, por onde este Trump passa, a ética costuma secar e as alianças diplomáticas caem como folhas mortas no outono.
O Agente Laranja original deixou sequelas por gerações. O Agente Laranja de Washington faz o mesmo: insulta heróis de guerra como John McCain e deixa um rasto de destruição moral que nem os seus aliados europeus, que de parvos só têm a cara, conseguem digerir.
Mas é preciso reconhecer a coerência estética. O tom de pele, algures entre o pôr-do-sol radioativo e uma batata frita industrial, serve de aviso cromático. Na natureza, as cores vibrantes indicam perigo. No caso de Trump, a cor-de-laranja indica o mesmo.
No fundo, o verdadeiro Agente Laranja não caiu do céu aos trambolhões; ele desceu uma escada rolante dourada para mostrar ao mundo que a vergonha é, tal como o serviço militar, algo que só acontece aos outros.
Para além de todos os epítetos, bem merecidos, nomeando Trump como a figura mais abjecta desde sempre da política mundial, ficou um por afixar em letras garrafais: COBARDE.
Para um jovem que se furtou ao Vietname não por ser objector de consciência mas antes sim por cobardia, não devia sequer ser permitido ocupar cargos públicos relevantes, dando-se ainda por cima ao desfrute de alardear a vigarice que lhe deu a isenção do serviço militar, gozando com aqueles que se sujeitaram a cumprir. Só lamento que a incompetência que vai grassando nos States se revele também nos atentados, quando tiroteios dispersos por todo o País continuam a fazer vítimas inocentes.