Odeio, odeio de raiva e fúria, água gelada e mar frio, não tanto as ondas, porque tendo aprendido a nadar na Figueira da Foz e sendo frequentadora assídua das praias que tenho aqui a dez minutos de casa, não há como não me ter habituado ao mar batido e furioso. Mas o frio. O frio é que me mata. Matava, passemos então a usar o pretérito, porque depois do cefalópode germânico, Paul de seu nome, ter adivinhado o resultado de todos os jogos onde os audazes rapazes teutónicos se envolveram com outros onze rapagões, nas vitórias e nas derrotas, incluindo o recentíssimo infortúnio holandês contra nuestros hermanos, sou eu mesma, eu mesminha da silva, que me porei no encalce de um polvo adivinho nestas águas gélidas da Ericeira. Com os políticos que temos prefiro acreditar em polvos e com as presidenciais quase à porta há que precaver o futuro. Assim que tiver novidades sobre os desígnios deste país darei novas. O pior que pode acontecer é convidar-vos para um opíparo arroz de polvo.


… pero que los hay, los hay.
Pois…
Tem graça, Leonor. Há uma semana, precisamente junto ao mar da Ericeira, travei conhecimento com um polvo. Cozido, com batatinhas e salada. Naquele jeito sábio que só os polvos têm, disse-me que o almoço me saberia ainda melhor se mandasse vir um jarro de sangria. Assim fiz. E não é que o raio do bicho estava cheio de razão?
Eu bem avisei que a Ericeira é bom sítio para o polvo mas com essa profecia, Pedro, deixei de ter quaisquer dúvidas.
Imagino a cena… A Leonor a perguntar ao polvo pelos desígnios do país e ele a dar às oito pernas areal acima e a só parar dentro do primeiro tacho que encontrar ao lume! E de tanto chorar por nós, o arroz vai saír bem malandrinho.
Acho que é mais mar adentro, Pedro, com o susto 🙂
Será que ele também faz previsões para presidenciáveis com tabus?
Certamente, Luis 🙂
Eu já tinha, desde há uns meses, ganho um ovo respeito pelos polvos e pelas suas capacidades intelectuais (http://garden-of-philodemus.blogspot.co m/2009/12/o-polvo-que-queria-ser-caracol.h tml), mas este polvo em especial é um fenómeno 🙂
Já fui ver e também já tinha ouvido falar das capacidades dos polvos. Fiquei surpreendida há uns tempos com a inteligência dos porcos (também daria outro post). Este é mesmo um fenómeno, não errou uma 🙂
“Novo” e não “ovo”, claro.