Pois é, João, temos o país “amarelado” e “alaranjado”. É um hábito curioso, este que temos de declarar alertas coloridos sempre que as temperaturas vão acima dos 25º e abaixo dos 10º. Tenho cá para mim que o único objectivo disto é pintar o mapa de Portugal com cores vivas para passar na televisão, com infografia a acompanhar – sempre dá para mostrar trabalho durante a “silly season”. Só não percebo é o motivo pelo qual ainda se fala de “risco de incêndio”. Depois dos verões da última década, resta ainda alguma coisa para arder no país?
Os alertas coloridos
eventhorizon,

Os incêndios têm deflagrado de forma intensa nos últimos tempos, mas a natureza tem uma capacidade de regeneração espantosa, com zonas florestais que se encontram neste momento em inicio de reflorestação após trágicos incêndios. Logo, existe ainda muita coisa para arder. Se estão a ser adoptadas as medidas necessárias e adequadas à prevenção de tais riscos já será questionável.
Em relação às temperaturas, temos de concordar que são de facto elevadas e reclamam das pessoas certos cuidados, nomeadamente crianças e pessoas idosas, principalmente quando não vivem a sua rotina diária em ambientes refrigerados que amenizam o impacto do calor que está lá fora.
Se mamasses com os 42º C que eu tenho levado aqui em Elvas ias ver se não têm razão os alertas “das corzinhas”
Se lavasses os dentes talvez te respondesse a sério.
Caro amigo, 42º “mamei” eu a vida toda no distrito de Beja entre Julho e Agosto.
Não conheces o anónimo, John? Então sempre deve ser algum “alentejano” de passagem.
Não conheço ninguém de Elvas, ou que viva em Elvas. Mas há muitos anos que não recebia um comentário mais “agressivo”. Tinha saudades, confesso 🙂
É sempre encorajador. Eheh…
Desculpe?…Pois, não falamos a mesma língua.
É natural, deixe lá. Ele não é de cá. Veio com a água…
Deixo, deixo. 🙂
Irá com a água também…
(eu também ia se me deixassem, mas com outra!eheh)
:o)
Por acaso tenho ideia de que – felizmente – nos últimos dois anos os incêndios foram menos intensos – pelo menos por comparação aos anos 2002-2004. É verdade que muitas áreas estão ainda a regenerar-se, mas se continuar tudo na mesma, vão regenerar-se para combustível. Esperemos que não.
Sim, as temperaturas são elevadas. Mas por cá declara-se “alerta colorido” por um pouco mais de calor e um pouco mais de frio…
Tenho 54 anos feitos. Bem me lembro do calor que “rapei” no verão de 66, a acabar a instrucção primária e na altura dos exames. Em Santarém. Bem como o frio nas idas de Janeiro de manhãzinha, a caminho do Liceu,após uma chuva na véspera,com água gelada em poças nos passeios. Pois só agora é que há alertas arco-íris e as crianças e velhinhos devem beber muito(água!!) e sair pouco e mais o Diabo a sete. Éramos todos desinformados e parvos, dantes, ao que parece. Raio de País infantilizado e amante de não-notícias. Deslarguem-me a paciência…
Eu era as geadas no Alentejo. Sobretudo em Janeiro de 98, andava eu no sétimo ano, e com os acessos principais da aldeia cortados por causa das cheias de Novembro de 97, o autocarro para Odemira dava uma volta enorme… e logo bem cedo pela manhã, naqueles autocarros já velhos, era uma alegria. E melhorava quando alguém se lembrava de usar “bombas de mau cheiro artesanais” – era ver o autocarro com as janelas todas abertas, incluindo a do motorista…
E, claro, os Verões da minha infância, com noites como a de ontem: quentes, muito quentes, após dias em que entre o meio dia e as seis da tarde só se saía à rua para comprar água fresca. Se há alguma diferença, foi nos Verões dos últimos anos, incomparavelmente mais frescos.
Resta o Governo. Já cheira a chamusco.