O ódio primário aos judeus gera textos como este. Que tem apenas o mérito de ser escrito sem qualquer máscara politicamente correcta: cada parágrafo, cada frase, cada palavra limitam-se a escorrer ódio indisfarçado, ódio em estado puro. O autor chama-se Carlos e é de extrema-esquerda. Mas podia chamar-se Jean Marie e ser de extrema-direita. Os extremos tocam-se, unem-se, complementam-se, nutrem-se mutuamente do ódio ao judeu, que por vezes chega camuflado com a capa de uma certa modernidade mas é velho como o mundo: “E porque é que nós humanos temos de tolerar a existência de um estado que nunca fez outra coisa em 60 anos de existência se não violar todas as regras mínimas da convivência humana??”, dispara o autor, na sua prosa canhestra. Ora aqui está uma frase que poderia ser subscrita pelo líder histórico da Frente Nacional francesa, para não recuarmos a outros políticos de outras épocas, com e sem bigode.
Achei significativa a necessidade que o autor sentiu em sublinhar que é “humano”. Lendo o que escreveu, certamente haverá quem tenha as maiores dúvidas.


Admito, logo à partida, a minha parcialidade quando o tema é Israel e o povo judeu. Por isso apenas comentarei que concordo, em absoluto, com o seu texto, Pedro.
É difícil haver imparcialidade neste tema, Mike. Faço o possível para a manter, até por imperativos profissionais. Mas prosas como a que transcrevo são absolutamente inaceitáveis.
Abraço
Absolutamente de acordo. Aquilo é um texto miserável.
por lá não é o único com pensamentos daquela qualidade.
Depois, tem uma guarda de comentadores anónimos, supostamente anónimos, dispostos a insultar quem discorda.
Sobre a qualidade de alguns desses comentários, nem me pronuncio. Bastou-me o ‘post’.
Lá fui ler a coisa, tendo a custo evitado o vómito. O ódio em que, também quanto a Israel, coincidem as extremas sempre me enojou profundamente. Mas fez bem, Pedro Correia, ao denunciar a desvergonha.
Obrigado. De facto, os extremos tocam-se sempre que o tema é o ódio aos judeus em geral e a Israel em particular.
O único elogio que se pode fazer ao Carlos Vidal é o de assumir abertamente o seu anti-semitismo absoluto, ao contrário de alguns arrastões que por aí pululam, que o disfarçam para “não parecer mal”. Excelente texto, Pedro.
Obrigado, José. Sabemos bem onde o anti-semitismo absoluto conduziu a Europa supostamente civilizada: à página mais negra da História de todos os tempos.
Eu tenho.
As maiores dúvidas da humanidade deste senhor.
Eu acho que é bem humano. O ódio é um sentimento exclusivo da nossa espécie. Os outros animais são raivosos, impulsivos, violentos, temerários e temerosos, mas não são cobardes. O ódio resulta da cobardia, da impotência, da inveja.
De acordo.
Faz-se sempre espécie essa coisa de alguém precisar de dizer “… mas eu sou humano”. Aliás, o que raio quer isso dizer? Como escreveu David Rousset, “les hommes normaux ne savent pas que tout est possible”.
David Rousset estava cheio de razão, Ana Cristina.
Com toda a certeza. O texto é inqualificável. Os comentários (quase todos), também.
Excelente texto.
O termo que me ocorre é execrável.
Esse blog há muito que segue essa “linha editorial”. O mais lamentável nisto tudo é que muitos dos seus escribas ocupam lugares relevantes na sociedade dando efectivamente um mau testemunho a quem ensinam e orientam…
Esse blogue tem pessoas que muito aprecio. Mas no melhor pano cai a nódoa.
Bom texto Pedro. Espero que se mantenha, assim, isento, mesmo sabendo que será difícil Mas no que toca a Israel eu sou duvidoso, porque acho que os martirizados são eles.
Obrigado, Zé Parafuso. A isenção é difícil, mas não é impossível. Mas perante textos como este não consigo manter-me “isento”. Nem quero.
Caro Pedro Correia,
Embora não sendo bloguer habitual, por vejo leio e releio uns blogues aqui outros ali. Admiro sempre a liberdade que este permitem e que cada um possa dar azo ao que vai na almas, chocando à direita e chocando à esquerda, católicos e islâmicos, branco e pretos.
Viva essa liberdade…
Não é minha missão defender o texto que refere… até porque não me revejo no mesmo, pelo menos na forma que foram as coisas expostas….
No entanto ao ler o seu comentario não pude deixar de reparar que pretende, através deste exercicio escrito, demonstrar e mesmo classificar se deve à um odio anti-semita, reduzindo e limitando as afirmações que demonstrou.
Mas como referi anteriormente ainda bem que esta liberdade existe e é tão sua quando a do referido autor.( Note-se que não conheço qualquer dos envolvidos)
Achei que também deveria usar a mesma liberdade para afirmar isto, sendo que não sou anti-nada… apenas contra a incompêntecia, incoerência e incongroência, (nem sei se bem escrito ou não).
Mas o facto que é Israel e o seu estado é de tudo menos Inocente, as suas acções denotam tudo menos pacificidade… Sempre cresci com “valor” não faças aos outros aquilo que não gostarias que te fizessem… Sendo que neste caso, o de Israel e seu povo, faz e pratica precisamente aquilo que lhe fizeram no passado, o que note-se igualmente condendo veemente.
Não o aborreço mais…
Abraço
Devemos usar e até abusar da liberdade, meu caro. Mas, até por isso, jamais devemos abdicar do nosso sentido crítico. O que é execrável é execrável.
Acho que é outro ódio antigo que o leva a si a ler aquele texto em particular dessa maneira…
Não faltou na caixa de comentários do texto que aponta, quem o discutisse, contestasse, ou apoiasse, e que eu visse nunca a questão de um ódio aos judeus foi sequer levantada, nem me parece pertinente. A não ser que para o Pedro Correia contestar as acções do estado de israel, e questionar a sua existência seja igual a odiar judeus…
(Afinal é aquele estado um facto histórico recente, e não está escrito em nenhum livro de direito que eu conheça que qualquer religião, etnia ou agremiação cultural tenha automaticamente direito a constituir-se como estado, sobretudo à custa da autodeterminação de outros.Não digo que Israel não deva existir, mas acho que a sua existência não é inquestionável).
É como no poema do Brecht: negar o direito à existência do Estado de Israel é a etapa preliminar para negar o direito dos judeus à existência. Nós, portugueses, temos a obrigação moral de sermos particularmente sensíveis a este tema. A expulsão dos judeus da Península Ibérica, no século XVI, foi uma das páginas mais negras da nossa história.
A questão é de que cor serão as páginas da História de Israel, quando se falar dos outros Palestinianos, conspicuamente ausentes das suas reflexões.
Das suas também. Fui ao seu blogue: não é actualizado desde 19 de Maio.
Permita-me… os judeus foram, em finais do século XV, expulsos de Espanha, mas não da Península Ibérica. Muitos, se não a maioria, não sei precisar, nessa altura entraram em Portugal onde, poucos anos mais tarde, salvo raríssimas excepções, foram convertidos à força dando assim lugar no nosso país a uma vasta população de cristãos-novos. Este facto, mais a generalização de casamentos mistos entre cristãos-novos e velhos, evidente no curso do século XVII, faz com que hoje dificilmente se encontre algum português que não tenha entre os seus ascendentes remotos de finais do século XV algum judeu, português ou espanhol, então convertido à força ao cristianismo.
Tem razão. Os judeus foram expulsos de Espanha em 1492 e rumaram em massa a Portugal – terão sido 130 mil. Mas acabaram por ser expulsos também do nosso país – não no reinado de D. João III, como referi por lapso, mas no do seu antecessor, D. Manuel I, ainda no século XVI. Expulsos ou “convertidos” à força. E é como diz: muitos de nós, por via dos casamentos então efectuados entre cristãos e judeus recém “convertidos” temos ascendência judaica.
Houve de facto no reinado de D. Manuel um decreto de expulsão, mas que teve uma execução muito mitigada uma vez que a generalidade os judeus de então em Portugal foi de facto convertida à força e é por o terem sido que, mais tarde, já na diáspora, os seus descendentes puderam exibir apelidos portugueses.
Bem à portuguesa, esse decreto.
Impossível não reparar nesse extraordinário “nós, humanos”, que subtilmente diz que os outros – os judeus – não o são. É bem revelador do que pensa do povo judeu o Carlos Vidal. Que, já agora, não é da minha família, a não ser por sermos ambos “humanos”.
Não sei se ele te considera humana. Não terás sangue judeu?
Devo ter, como ele e mais uma larga maioria de portugueses.
Não digas isso ao sujeito senão deixa de se considerar humano.
Sinto-me tão revoltada, quando leio esses senhores, que nem consigo articular um pensamento.
Só a poesia, neste momento me acalma.
Estes “humanos” gostariam de imitar D. João III, que expulsou os judeus de Portugal.
Até Dom Manuel I foi mais humano.
Permita-me… D. João III não expulsou os judeus de Portugal… D. João III é o responsável pela introdução em Portugal da Inquisição. Certo, a perseguição então iniciada aos cristãos-novos foi motivo da fuga de muitos.
Tem razão. O lapso foi meu. Obrigado pela correcção.
O que me parece de uma demagogia sem nome, a rondar, quase, a abjecção, é o uso que o Pedro Correia dá à fotografia que ilustra este post.
Eu sei que as ideias e o pensamento político não se desenvolvem em linha recta (e, se calhar, ainda bem). Se assim fosse, tenho poucas dúvidas que todos aqueles que se revêm hoje, e se reviram á época, no menino de braços no ar, seriam os primeiros a sentir-se enojados com a política levada a cabo por Israel na Palestina.
Diga-me lá Pedro, que diferenças de substância vê entre os territórios ocupados, Gaza por exemplo, e o gueto de Varsóvia?
Mostre o que pensa sobre o assunto. O Carlos Vidal fê-lo. O Pedro não.
Considero a comparação que faz ultrajante para a memória das vítimas do Holocausto. Com isto respondo à sua pergunta.
Não, não respondeu.
Isso de usar a “memória das vítimas do holocausto” como um salvo-conduto sempre me fez alguma confusão.
Se tivesse verdadeiramente o respeito que proclama- genuíno e não mera táctica- pela “memória das vítimas do holocausto”, nem tinha colocado aquela fotografia a ilustrar o seu post, nem branqueava a política de extermínio israelita em Gaza.
Mas esteja à vontade, ponha-me lá a estrela de David e chame-me anti-semita (esqueça o paradoxo).
E, entretanto, já que é tão conceptual, vá pensando nas diferenças entre anti-semitismo e anti-sionismo.
Não me adaptei ao seu raciocínio porque considero o Holocausto incomparável com qualquer outra situação que tenha ocorrido até agora. Facilitamos a vida aos negacionistas cada vez que o fazemos. Lamento, mas não vou por aí. Se essa é a sua opção, em consciência, terei naturalmente de respeitá-la. Mas não o acompanho, de forma alguma.
Pedro, queria deixar-lhe uma palavra, porventura pouco significante (terá o valor que tem), de solidariedade, motivada pelas declarações insultuosas que lhe foram dirigidas e de que me pude aperceber.
Gostaria de me poder pronunciar de outra forma em relação ao assunto, mas confesso que me perdi na leitura dos posts em causa, sendo que não me foi possível formular uma opinião coerente e minimamente consistente. De qualquer modo, permita-me que afirme que, tendo lido de forma breve o post sobre o qual incide este seu comentário, reconduzo (talvez de forma algo inocente admito) as declarações do seu autor no sentido da afirmação de convicções políticas e não étnicas. Contudo, reconheço que possa tratar-se de uma análise superficial e eventualmente com pouca base de sustentação devida ao facto de desconhecer até à data o blog em questão (e suas orientações). É, porém, a minha análise com todas as limitações que lhe estão subjacentes, nomeadamente o desconhecimento de todo o desenrolar subsequente dos acontecimentos.
Fica o meu cumprimento de apoio.
Sílvia