Jerónimo de Sousa está preocupado com a perda dos direitos sociais e laborais dos trabalhadores portugueses. E apela à luta contra a “ofensiva” do Plano de Estabilidade e Crescimento. Trata-se do líder de um partido que mantém “relações de amizade e cooperação” com o Partido Comunista Chinês, há mais de 60 anos no poder na República Popular da China, provavelmente o país do mundo que mais espezinha os direitos dos trabalhadores, além de brutalizar a população do Tibete ocupado. Comunista de nome, capitalista selvagem na prática, a China é um país que proíbe o direito à greve, a existência de partidos da oposição e a formação de sindicatos independentes do poder político. E com as condições laborais bem exemplificadas aqui. Sempre com a benévola compreensão do PCP, que combate cá o que aplaude lá – uma duplicidade que desqualifica todo o seu discurso. Não se pode pugnar pela democracia num continente e pela ditadura noutro sem perda da autoridade moral para combater o que quer que seja.


O PCP recusa pura e simplesmente dar o mais pequeno passo em frente. Em plena época do DVD regravável, insiste nas velhas cassetes sem qualquer desvio, geração atrás de geração.
Restava-lhe, como sempre lhe restou, ser travão para os desmandos do(s) poder(es). Mas nem isso. Os desmandos multiplicaram-se e arrastaram o país para o fosso actual. Onde esteve, afinal, o PCP este tempo todo? A limpar o seu gasto leitor de cassetes.
É inqualificável esta duplicidade do PCP, que persiste em defender os “direitos democráticos” em Portugal enquanto justifica o esmagamento desses mesmos direitos em países como a China, Coreia do Norte e Cuba.
Está muito bem…!Suponho que deve ter “relações de amizade e cooperação” com o pcp da coreia do norte, de cuba…(há + algum sobrevivente?) E os bons-rapazes das FARC?Continuam a abrilhantar a festa do Avante?
O PCP mantém “relações de amizade e cooperação” com todas as forças opressoras, desde que sejam comunistas.
Meus filhos…o que eles fazem para branquear a perda de direitos laborais em Portugal! Não têm uma cassete melhor do que a presença das FARC na FA ? e já agora: quem cumprimenta mais os líderes chineses, mostrando sólida “amizade” e “solidariedade” a quem lhes financia os deficits financeiros? Um dia destes acordareis de um pesadelo com cubanos, norte coreanos e chineses… e FARC `s por todo o lado…
O PEIXINHO VERMELHO
Também cumpre os seus deveres de “amizade e cooperação” com os camaradas chineses, Peixinho Vermelho?
Aplausos, Pedro. E cumprimentos.
Obrigado, Francisco. Um abraço.
Esta é uma das fragilidades da democracia, permitir no seu espectro eleitoral a opção por forças que não se pautam pelo exercício da democracia.
Portugal devido a complexos de esquerda, permite quase exclusivamente partidos de democraticidade duvidosa de esquerda, noutros países europeus menos complexados existem os partidos de extrema direita igualmente pujantes.
Todavia, também é esta fragilidade que garante a superioridade moral da democracia.
Não indo por aí, tenho dificuldade em perceber por que motivo o PCP não se demarca desses regimes ditatoriais. Até por saber que muita gente dentro do partido discorda profundamente da existência desses laços de “amizade e cooperação” entre partidos que encaram a democracia de forma tão diversa.
A um pobre dá-lhe a chave do palheiro e a um brincalhão põe-lhe o brinquedo na mão. Nunca mais vais á palha nem o brinquedo te calha.
Do CDS ao PCP tudo vai dar à China.
Sim, mas só o PCP chama “partido irmão” ao partido único da China.
Se por um lado é censurável o espezinhamento da China face aos trabalhadores, o facto de a banca estar nas mãos do Estado impede, certamente, fuga de capitais e promove uma resistência à crise como não existe no mundo ocidental. Daí poder ser falaciosa a invocação do problema do Partido Único. Se existirem associações de produtores e consumidores que possam decidir democraticamente onde investir as mais-valias dos trabalhadores, não necessitamos sequer de recorrer a um parlamento ou ao Partido (o que se fala hoje de anarco-sindicalismo?). O problema é que as burocracias ocidentais não são redes de influências menos complexas que as da China, por existir um sistema multipartidário: é para isso que chamo a atenção com este meu comentário.
O PCP é um partido que conta no seu interior com um grupo de intelectuais bem mais ágil do que fora dele se pensa, ideologicamente se manteve do lado da URSS na altura da cisão sino-soviética, mantém hoje esta aliança estratégica com a outra parte. Quem sabe se o mundo dá uma volta nos próximos tempos e o dinheiro chinês não viria cá parar numa hipotética revolução. Uma revolução à PCP, construída de cima, mas mais exequível, dado o adormecimento do cidadão português, hoje espezinhado por um capitalismo selvagem. Mas o que importa aos burocratas portugueses, do PS, do PSD, do CDS que a nossa população esteja nas mãos da alta finança? Para eles o perigo – certamente também real – é a burocracia…
Se me permite, o facto de na China haver um partido único (no poder desde 1949) não é uma questão de opinião – é uma questão de facto.
Claro que lhe permito: o que estou a dizer é que apoiar-se nesse facto para renegar um sistema político é absurdo, já que nos sistemas multipartidários existe igualmente o fenómeno da burocracia. Basta olhar à sua volta em Portugal e perceber quantos cargos são criados à volta do governo e das câmaras municipais – cargos absolutamente desnecessários e improdutivos – ainda que tenhamos mais que um partido. Nenhum dos partidos se zanga com isso porque todos têm gente para distribuir por esses cargos. Daí que democracia não seja o oposto de muitos partidos. Permite-me?
Permito-lhe à vontade. E permita-me discordar, desde logo neste pormenor: uma democracia, por muito mal que funcione, não é comparável a uma ditadura.