É fundamental para a compreensão da deep shit em que estamos metidos a leitura de uns jornais ingleses sobre Portugal –
foi assim que Clara Ferreira Alves começou a crónica que assinou no Expresso no já distante dia 8 de Maio de 2007. Como se nota, inspirei-me nela para dar título a esta série em que partilharei convosco opiniões e sobretudo notícias que guardo no meu arquivo para memória futura. Deep shit (perdoem-me o provincianismo) parece-me uma expressão perfeita para classificar a situação em que nos encontramos.Para não me alongar, porque os posts querem-se curtos, fico-me apenas por aquilo que CFA recolheu dos jornais ingleses que leu há três anos sobre o nosso país: A manchete do Portugal News diz que a “dívida má” dos portugueses, em tradução literal e muito acertada do inglês, aumenta 3,2 milhões de euros por dia e que a quantia que devemos aos bancos duplicou em apenas sete anos. As instituições financeiras preparam-se para meter a mãozinha no pescoço dos devedores, visto que três quartos da riqueza criada em Portugal são usados para pagar a dívida aos bancos.
Outra das breves diz-nos que Portugal está entre os mais infelizes povos da UE. Outra diz-nos que as deportações de imigrantes aumentaram 33% em relação ao ano passado e o número de estrangeiros que nos abandonou voluntariamente aumentou 66% no mesmo período.
Ambrose Evans-Pritchard no Daily Telegraph diz que o divórcio entre os dois campos da zone Euro, os ricos e os pobres, é inevitável. Um tal Bernard Connoly, global strategist do Banco AIG, diz que Espanha enfrentará “um ciclo de recessão, deflação e quebra generalizada do sector privado – de facto uma depressão”. E a Grécia e a Itália vão por aí, todos no grupo dos latinos que não aguentarão a força teutónica.
O mundo mudou muito nas últimas três semanas? Ohe que não, primeiro-ministro. Olhe que não.


Excelente ideia, Teresa.
A propósito: às vezes, as semanas são muito looooongas.
Vai dizer isso ao colectivo «Abrantes», que produz o blogue oficial de Sócrates. Nessa mesma altura andavam eles a proclamar que não havia crise, prestando vassalagem ao chefe até o queixo deles bater no chão.