A resposta é muito simples: os selvagens que ontem apedrejaram os autocarros do Futebol Clube do Porto e do Desportivo de Chaves à passagem por Lisboa são apenas e só isso. Selvagens. Criminosos. Se são adeptos do meu clube, o Benfica (não sei se são), então tenho vergonha de o meu clube ter adeptos destes. Como tenho vergonha de o clube ter – apoiar? – duas “claques” que são pequenas organizações de criminosos e de vândalos. São exactamente estas coisas que afastam muita gente do futebol, e que tornam este desporto num triste espectáculo.
Lamento também não conhecer um – um – adepto do Futebol Clube do Porto que seja capaz de dizer o mesmo de algumas figuras que apoiam o clube da Invicta.
E uma pequena história (verídica): há alguns anos, quando ainda era estudante, costumava ocupar os meus Verões a trabalhar num restaurante na costa alentejana. Numa ocasião, estiveram no restaurante três rapazes, obviamente mais velhos do que eu, que a dada altura e por qualquer motivo (acho que estava a dar um jogo na televisão), enquanto lhes servia os bitoques, me disseram pertencer aos Super Dragões. Um deles pergunta-me “sabes qual é a minha especialidade nos Super Dragões?”. Disse-lhe que não, e perguntei qual era. “Prateleiras de áreas de serviço”, respondeu-me ele. O que é triste é que até é uma especialidade com futuro neste país.

Eu sei que há adeptos e adeptos e que somos todos iguais, mas que há uns que são mais iguais que outros. Sei, portanto, que quando diz que não há um único adepto deve reduzir o úniverso de análise aos adeptos que, no seu entender, são mais iguais do que outros. Mas a generalização absurda que faz sobre os adeptos do FCP até desvia da bondade inicial do post .
Ainda ontem escrevi isto (ver adenda do post ):
http :/ okayempatins.blogspot.com /2010/05/fcp-ganha-taca-de-portugal.html
No dia 21 de Março escrevi isto: http :/ okayempatins.blogspot.com /2010/03/final-da-taca-da-liga.html
Só assim, de repentemente , como diria o Odorico Paraguassu
🙂
Eu falo apenas dos adeptos que conheço pessoalmente. Ou seja, a generalização é feita apenas dentro desse grupo. Como é evidente, espero que essa característica não seja geral.
O que me parece ser geral, infelizmente, é a constante violência nas claques, seja de que clube for. E isso é sempre lamentável.
O problema das claques é complicado. A sua génese e, sobretudo, o seu desenvolvimento são complexos. O seu comportamento tem de ser explicado por outros motivos que não o futebol. Quem se agrupa dessa maneira, fá-lo no contexto do clube de futebol porque sabe que, assim, tem exposição garantida. Se fossem mostrar o vazio das suas vidas para outro lado, ninguém sabia. Mas, a propósito de um fenómeno tão mobilizador, sabem que têm palco garantido. Daqui decorrem duas preocupações: a cobertura mais ou menos tácita que lhes é dada pelas direcções dos clubes e das SAD e a falta de critério com que os “média” os expõem, como que a ajudarem à festa. Não consigo descortinar qual o critério jornalístico que leva a entrevistar um tal presidente, ou lá o que é, dos super dragões antes de um jogo de futebol, em directo, a propósito das questões de segurança que envolvem o jogo, nem que valores justificam a complacência dos orgãos dirigentes dos clubes e SAD, para com semelhantes energúmenos.
Não diria melhor.
Até porque o clima de violência e de intimidação que as claques tendem a gerar acaba por afastar muitos adeptos. Famílias, por exemplo. Se eu tivesse filhos, jamais os levaria a um estádio para ver um jogo “grande”. Ainda me lembro muito bem de uma imagens que ficaram tristemente célebres de um desses jogos há uns anos…
Muito edificante, essa história.
Volto para dizer que reparei que, para ilustrar o desagrado contra as agressões aos adeptos do FCP, conta uma história de um miserável dos super-dragões.
Sim. Calhou ser um elemento dos Super Dragões. Infelizmente, como aquele há muitos mais, tanto na claque do FC Porto como nas claques do Benfica e do Sporting… mas creio que as claques são um pequeno mundo à parte.
«Lamento também não conhecer um – um – adepto do Futebol Clube do Porto que seja capaz de dizer o mesmo de algumas figuras que apoiam o clube da Invicta.» Conheço vários, John, e posso indicar um que também conheces: Pacheco Pereira. Não será, talvez, um apoiante, mas é portuense e já falou muito com as letras todas e pondo em risco a integridade física – faça-se essa justiça.
Ora aqui está a confirmação. Se fosse o José da Silva não valia.
:o)
Eu nem sabia que o Pacheco Pereira gostava de “bola”. Com essa é que fiquei surpreendido!
Nem eu sei. Eheh…
Cheio de razão, João, cheio de razão.
Os vândalos são todos iguais e têm de ser condenados e combatidos onde quer que se encontrem e qualquer que seja a cor da camisola que enverguem.
Exactamente. Mas, nem todos os adeptos são vândalos e criminosos, nem cúmplices do vandalismo e dos actos criminosos.
Claro que não são – e ainda bem. Mas já descobri que a mdsol é uma adepta sensata do FC Porto. A minha generalização, como disse acima, perde por isso o efeito – e ainda bem, acrescento. Já conheço então um adepto (no caso, uma adepta) com quem poderia conversar com prazer após um jogo entre o Benfica e o Porto. Só por isso, valeu a pena o post.
Querem lá ver que sou uma pedagoga?
:))
De certa forma, sim. Já aprendi alguma coisa hoje, o que é óptimo 🙂
Especialmente para si:
http://okayempatins.blogspot.com/2010/05/h a-domingos-assim-3.html
http://okayempatins.blogspot.com/2010/05/s lb-campeao-20092010-e-as-papoilas.html
http://okayempatins.blogspot.com/2010/05/p regar-no-deserto-espera-dos-peixinhos.ht ml
http://okayempatins.blogspot.com/2010/04/p elo-que-o-meu-stock-de-papoilas-comeca.h tml
Gostei do que li. Definitivamente, o meu segundo parágrafo está estragado. Não se faz!
Só agora te li. Gostei muito. Aplaudo.