
Anda por aí uma espécie de pensamento único, que tende a desculpar o novo plano de austeridade: não há outra solução… É um discurso que não admite contradições, pintado com um tom de inevitabilidade (e daí o pedido de desculpas a acompanhar, no miserável coro laranja). Ora, basta pensar um bocadinho para ver que o défice resulta da diferença entre despesa e receita. Há muito tempo que a despesa excede as receitas, numa tendência de obesidade estatal que só cresceu. O bloco central informal, ou lá como a combinação daquelas duas cabecinhas pensantes se chama, apenas olha para a receita. Vêm com grandes desculpas, apontam medidinhas pontuais de descida da despesa, mas ao mesmo tempo adjudicam novas auto-estradas, só para referir o exemplo mais evidente. Podíamos, claro, perguntar se alguém pensou em olhar para as despesas “menores”, como a renovação de equipamento dos milhares de departamentos do Estado, ou ainda os custos de deslocações e alojamentos. Claro que nada disto se faz, até porque não dá direito a aberturas de telejornais. A solução mais simples é estrangular quem já está meio morto, e não reage: o contribuinte comum. Vai daí, aumentamos os impostos, tiramos mais dinheiro aos que já pouco têm (e aos que pouco terão, no futuro), e continuamos o nosso alegre cortejo, com o Estado a fazer de Jabba the Hut.
Confesso que não sei o que mais me irrita, se o tom desrespeitoso do senhor primeiro-ministro, com a estúpida conversa da Coca-Cola, se o falso pedido de desculpas de Passos Coelho. De qualquer maneira, de uma coisa tenho a certeza: ninguém neste arco governativo respeita os contribuintes portugueses.

E não podemos congelar Sócrates e Passos Coelho em carbonite?
I wished.
Passos Coelho irrita mais porque, muito lá no fundo, ainda havia uma ténue esperança de que fosse diferente de Sócrates!
Despesas – receitas – déficit – investimento
Construir uma estrada é um investimento.
Restaurar prédios é uma despesa.
Os investimentos são uma necessidade.
As despesas fazem-se quando não há crise.
Absolutamente de acordo com o post.