Até Rangel se tornou “passista”


Pedro Correia,

Pedro Picoito insurge-se contra Pedro Passos Coelho por “quebrar a primeira promessa” – a de “acabar com a lei da rolha”. Parece-me um fraco pretexto para criticar o novo líder do PSD: como esclarece Assunção Esteves, membro do Conselho de Jurisdição social-democrata, o congresso que decorre este fim de semana não tem capacidade formal para alterar os estatutos do partido. O problema da “lei da rolha”, que critiquei na hora em que mereceu aprovação no anterior congresso com o aplauso de Manuela Ferreira Leite, é só um: nunca devia ter existido. Pedro Picoito denuncia ainda a “dissonância cognitiva dos passistas”, frase cujo significado não descortino. Quando escrevi isto, propus-me debater ideias, como sempre faço, e não colar rótulos a ninguém. O problema, nas discussões políticas portuguesas, é cairmos sempre nestas questões de rótulos fulanizados que se trocam como se fossem cromos para colar em cadernetas. Lamento que Pedro Picoito, por quem tenho apreço, também não resista a esta tentação. Logo ele, que é militante do PSD liderado por Pedro Passos Coelho, e portanto “passista” lato sensu. Tal como o próprio candidato que apoiou no congresso de Mafra, Paulo Rangel, que acaba de transmitir um novo mote a quem então o seguiu: o que interessa agora é a unidade do partido. Ou Fernando Seara, que também alinhou com Rangel e que acabo de ouvir na RTP N: “Passou o tempo da disputa interna, agora a disputa é externa.” Não certamente pelos lindos olhos de Passos Coelho, mas porque não existe alternativa para destronar o PS do poder que tem exercido em 12 dos últimos 15 anos.

Haverá nisto “dissonância cognitiva”? Ignoro. Se assim o entender, Pedro Picoito esclarecerá.

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18 comentários em “Até Rangel se tornou “passista””

  1. O Pedro Correia faz um esforço tão grande para branquear o seu ídolo que só pode dar gargalhada.
    Se não, vejamos: a dita ‘lei da rolha’ foi aprovada há coisa de três semanas com o voto favorável de Ângelo Correia (o ‘mentor político’ de PPC segundo o insuspeito Jornal de Notícias) e a abstenção de PPC (o único candidato a líder com direito de voto).
    Minutos depois da votação, PPC garantiu que NO próximo congresso ela seria revogada (não disse EM próximo congresso).
    Pois que escreve então o Pedro? Que aquela disposição estatutária mereceu o aplauso de MFL e que, segundo o CJN, este congresso não a poderia alterar. Pois não, mas PPC sabia isso e prometeu coisa diversa! E sublinho, absteve-se na votação.
    Note-se a fixação em MFL e a esponja sobre o comportamento (leia-se sentidos de voto) de PPC e AC.
    Decididamente, o Pedro viu a LUZ em PPC

    1. Pode criticar o líder do seu partido à vontade, porque a “lei da rolha” aprovada durante a presidência de Manuela Ferreira Leite, com o aplauso dela, só penaliza os infractores a 60 dias das eleições. Ou será que já rasgou o cartão de militante?

      1. Tem razão Pedro! A ‘lei da rolha’ foi aprovada durante a presidência de Manuela Ferreira Leite, da mesma forma que PPC foi eleito Presidente do PSD… pelo voto maioritário dos militantes.
        Com uma coincidência acrescida: com o voto de Ângelo Correia, o tal ‘mentor político’ da sua LUZ

  2. “dissonância cognitiva dos passistas” tem um significado bem definido e objectivo. “Dissonância cognitiva” é um termo que foi definido por psicólogos, psiquiatras e afins. Aborda as consequências mentais de justificar e suportar mentalmente dois valores (logicamente, naturalmente, obviamente) incompatíveis – como dizer que se defende a liberdade e suportar a tortura, como exemplo.

    1. Agora fui eu que fiquei com dúvidas.

      1. Não ignoro o significado de “dissonância cognitiva”; só esperava o significado de “passistas”.
      2. Sei o que são psicólogos e psiquiatras, mas não sei distinguir os afins.
      3. Há cinco anos que acho insuportável ouvir que não haverá aumento de impostos mais um rol de promessas e ver exactamente o contrário.

      Agradeço antecipadamente a sua resposta, mas não se esqueça de vir com o mesmo nome, se não corro o risco de ficar nesta liberdade de me sentir torturado.

      1. Não sendo o João autor do post, fico sem perceber a reacção criticando o comentário sob várias perspectivas.

        “3. Há cinco anos que acho insuportável ouvir que não haverá aumento de impostos mais um rol de promessas e ver exactamente o contrário.”
        – isto não é um exemplo de dissonância cognitiva, o João reconhece a incompatibilidade entre as promessas e a execução de Sócrates, reconhece e faz o que pode para que se corrija a situação em favor de um dos valores (no caso, não aumentar impostos). A dissonância ocorre naqueles que dizem que acham tudo normal mas que caem em mecanismos de justificação e compensação que de outra forma não existiriam. Um exemplo interessante é a o das centésimas no apuramento do défice.

        “2. Sei o que são psicólogos e psiquiatras, mas não sei distinguir os afins.”
        – em afins junto todos os que têm afinidade aos conhecimentos típicos dos psiquiatras e psicólogos, sem quaisquer condescendência por esses afins.

        “1. Não ignoro o significado de “dissonância cognitiva”; só esperava o significado de “passistas”.”
        – ok… por “passistas” entendo aqueles que (há poucos dias) escolheram ser representados por quem defendia (sobre a “lei da rolha”) que os estatutos deviam ser alterados logo no congresso seguinte.

        Se reparar uso sempre a alcunha Francisco, com ligação ao pensasmal.blogspot.com .

        1. Se reparar, não usa sempre a ligação que diz: o seu primeiro comentário a este ‘post’ nem vem com qualquer ligação.

          Se reparar melhor, eu não me queixei de dissonância cognitiva: até ver, estou dentro dos padrões de normalidade.

          Se reparar ainda melhor, não é apenas razoável que eu me manifeste em ‘post’ de outro autor do DO: é uma norma que todos aqui cultivamos desde o início e que ninguém estranha.

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