A partir de um link da página SAPO, fui direccionada para um artigo de opinião de Carla Baltazar. É apresentada como “gestora e mentora” e eu nunca tinha ouvido falar dela. Achei, porém, o artigo interessante, até porque vinha de encontro a algo que o meu marido ouviu num documentário televisivo.
A propósito do COP28, Carla Baltazar pergunta-se: podemos pensar na saúde do planeta como pensamos na nossa? O facto é que, se o fizermos, entendemos melhor porque nos custa tanto adoptar certas medidas e comportamentos, tendo em vista a preservação da Natureza.
Quando estamos doentes, ou a dar cabo do nosso organismo com maus hábitos, temos de prescindir de certos comportamentos, ou confortos, por vezes, temos mesmo de nos sujeitar a tratamentos dolorosos. Claro, trata-se sempre de uma opção pessoal. A maior parte de nós sujeita-se ao que os médicos prescrevem, ou aconselham. Para os que não o fazem, as consequências podem ser catastróficas. E há quem só se deixe tratar, quando é tarde demais.
Sei que é difícil para muitas pessoas resistir aos prazeres do dia a dia porque é difícil imaginar o que será esse futuro distante. E é isto que vem de encontro ao que o meu marido me contou. O tal documentário ocupava-se da pergunta: porque é tão difícil a muitas pessoas adoptarem comportamentos benéficos para o planeta? Resposta: porque os resultados não são imediatos.
Assim como não adianta dizer a certos jovens que olhem pela sua saúde, caso contrário, sentirão as consequências, quando forem mais velhos, também muitas pessoas não vêem razão para mudar certos hábitos, tendo, como meta, benefícios a longo prazo.
Um dia será tarde demais. Nessa altura, porém, já não somos nós a sofrer. Apenas os nossos filhos, netos e bisnetos. Há quem se preocupe com isso. E há quem encolha os ombros e diga: “que se aviem!”

a tragédia dos comuns
https://pt.wikipedia.org/wiki/Trag%C3%A9 dia_dos_comuns
“Articular soluções para a tragédia dos comuns é um dos principais problemas da filosofia política. A solução mais comum é a regulamentação por uma autoridade. Frequentemente, tal regulamentação assume a forma de ordenações governamentais limitando o montante de um bem comum disponível para uso por um indivíduo. Sistemas de concessão para atividades econômicas extrativistas incluindo mineração, pesca, caça, criação de gado e corte de á…”
??
sendo a atmosfera e a Natureza um bem público global aplica-se-lhe muito bem a teoria da “tragédia dos comuns” , sendo “comuns” bens comuns como água , baldios , etc. e neste caso , o planeta -:)
Obrigada, não tinha percebido.
não tem a ver com os resultados serem ou não imediatos. à parte as pessoas que amam a Natureza e é-lhes natural respeitá-la , todos os outros pensarão : vou poupar nos poucos recursos que já gasto para os super ricos- os mais educados e cultos e responsáveis do mundo – andarem de jacto e encherem piscinas e essas coisas todas de desperdício descomunal ? nop.
enquanto houver quem gaste à tripa forra e faça gala nisso tudo ficará igual. as pessoas não são parvas , racionalmente escolhem também gastar , mesmo pondo em perigo a humanidade. a longo prazo estamos todos mortos -:)
Não costumo imitar, nem seguir maus exemplos. E nem me parece que isso seja racional.
há sempre excepções , tem a ver com a sensibilidade e educação das pessoas , mas no geral na sociedade de massas funcionam por imitação. a tragédia dos comuns está bem documentada , é um comportamento generalizado. e é racional individualmente , ainda que não o seja em termos colectivos : maximização de benefícios.
de aí que só com regulação estatal global de comportamentos se chegue a algum lado , e como todos são iguais perante a lei , não poderá haver gente a gastar recursos e a poluir mil vezes mais que outros.
esta é a altura indicada para o aquecimento global.
«10 nov 2023 — Não há nenhuma necessidade de salvar o planeta, o planeta não precisa de nós para se salvar.»
as opiniões são como os símbolos: cada um vê o que quer
Claro que o planeta não precisa de nós para se salvar. Nós destruimo-nos a nós próprios, o planeta há de continuar. Na verdade, trata-se de salvar a humanidade, não o planeta Terra. Nós precisamos do planeta; o planeta não precisa de nós para nada.
“comportamentos benéficos para o planeta”
O que é que isto quer dizer?
Poluir o menos possível.
É isso que tenho dificuldade em entender, Cristina. Como é que há tanta gente que sendo pais e avós não se preocupa com o futuro dos seus…
E nem é preciso ser fundamenalista, Teresa. Com algumas alterações de hábitos, já se conseguem resultados aceitáveis. Parece que muita gente tem dificuldade em ver o verdadeiro problema. Não é a morte. Isso é claro que nos acontece a todos. O problema é como se vive, como querem que os seus descendentes vivam.