
As mudanças dos últimos 30 anos foram tremendas. Toda a gente quer comunicar e isso estoirou com os canais tradicionais da circulação de informação. Esta ficou demasiado barata para sustentar os meios de antigamente. Temos redes sociais e telemóveis, o conhecimento acumula-se, a ponto de se tornar difícil, no meio da amálgama da quantidade, distinguir aquilo que é mais válido. Esta vaga da digitalização mudou as organizações, a política e o comércio, também acelerou a criação de uma civilização mundial, alterando costumes e línguas, até as próprias nações. As pessoas sentem ansiedade em relação ao futuro e a vida tornou-se mais incerta. Há também um endividamento colossal, talvez insustentável. A acumulação de conhecimento foi acompanhada pela redução abrupta do custo dos transportes, o que tornou acessível a produção de todos os mercados, mas a mudança ainda não terminou. Nos próximos anos chega uma nova onda, de energia barata e inteligência artificial: teremos electrificação dos transportes, transição energética e mais incógnitas. A segunda aceleração acumula os seus efeitos sobre a anterior, as locomotivas empurram-se uma à outra.
imagem: IA, Night Café

Vivemos uma sociedade em que todos opinam sobre tudo, com base em desinformação…
O controlo da informação pública sempre foi uma preocupação. Já foi mais fácil, com um número reduzido de jornais e canais de rádio/TV.
Mas quando o controlo aperta muito, lá se volta aos meios pré-industriais de comunicação boca-a-boca, e clandestinos.
Em 1975 o PCP, anteriormente clandestino e boca-a-boca, estava em posição dominante no media. Passou então a pedir encarecidamente ao público que não acreditasse nos “boatos da reacção”
“Plus ça change …”
Nos próximos anos chega uma nova onda, de energia barata
O Luís Naves deve estar a viver noutro mundo. Energia barata??? De forma nenhuma! A energia está cada vez mais cara!
Tem razão, a energia é cara, por causa das sanções contra a Rússia, mas daqui a dez anos, quando estiver concluída a transição energética, teremos energia barata, mesmo muito barata.
Asneira, Luís Naves.
A energia não é cara por causa das sanções contra a Rússia. Essas sanções pioraram a situação, claro, mas isso foi um fenómeno temporário, a energia já era cada vez mais cara antes disso. E vei continuar a ficar cada vez mais cara.
Porquê? Porque as energias renováveis encarecem a energia, ao exigir uma duplicação dos sistemas de abastecimento e ao exigir complexas redes de transmissão e armazenamento. Quanto mais energia renovável é instalada, mais cara fica a energia – essa foi uma observação importante de Václav Smil, um homem que não se engana nos números. E vai continuar a ser assim.