Muito a propósito


Maria Dulce Fernandes,

Daqui a pouco mais de um mês é Natal. Em convénio familiar, decidiu-se que a vida não está para gastos em presentes que nem sempre são úteis. Sempre foi uma dor de cabeça decidir o que ofertar a quem, por isso proclamou-se que o Natal é das crianças, transcreveu-se em acta e pronto. Roupa, livros e dois brinquedos.

Para que corra tudo bem, o melhor é mesmo perguntar aos crescidos o que faz falta aos pequenos, fazer uma listinha e ir procurando nas promoções onde compensa mais fazer compras. 

Um dos meus sobrinhos enviou-me a seguinte mensagem ao questionário: “Calças ganga, tamanho 5. Jogo Johnny Cagoni.” Juro que pensei que fosse piada. Não é. Nem penso que seja para rir. 

Talvez inspirado nos acontecimentos actuais um pouco por toda a parte, alguém teve a grande ideia de criar um jogo que diz o seguinte: “Já não aguentas mais? Corre para a casa de banho! O Johnny Cagoni estará à tua espera… Puxa uma carta, imita os puns, gira a maçaneta e… joga! Se o Johnny saltar pelo ar, perdes o jogo e, pior ainda, o papel higiénico sairá disparado na tua direção“.

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Com tanto tema didáctico para divertir e erudir as nossas crianças, o best seller do Natal parece que é mesmo o Johnny Cagoni…

Eu sei que nos meus últimos postais tenho escrito literalmente sobre m*rda, por isso quem sou eu para ficar macambúzia com um jogo de m*rda para crianças com mais de cinco anos? Quem sabe será uma boa idade para começarem a entender que mexer muito na m*rda, acaba por nos rebentar na cara…

Alguém me disse que o jogo da “Operação” vai passar a ser uma mudança de sexo, ou seja incentivar a criatividade das crianças para que possam criar como quiserem, alguém com quem se possam identificar. Pela parte que me toca nestas modernices, creio que será melhor continuarem a jogar o Johnny Cagoni. No final do dia, vai dar tudo ao mesmo.

(Imagem Google)

17 comentários em “Muito a propósito”

  1. não estávamos aqui se Eva tem mudado de sexo.
    será que ela e Adão tinham umbigo.
    ando à procura de Anjas para ver se houve mudança do género do Anjos.
    «Um caganer (em língua catalã), cagão ou cagador é uma figura de uma pessoa a defecar que se pode encontrar nos presépios, como tradição na Catalunha »
    basta de m..da ainda temos governo e ‘teme-se o pior’

      1. O sexo não era a única propriedade dos anjos que gerava controvérsia. No interessante livro “Tales of the Alhambra” de Washington Irving, relata-se que enquanto na universidade de Sevilha, já se diagnosticavam as consequências inflacionárias da importação de prata do México e se previa decadência de Espanha nas décadas seguintes, na universidade Complutense, que influenciava a côrte de Madrid, discutia-se a quantidade de anjos que cabiam na cabeça de um alfinete.

        1. Se os universitários chegaram a conclusões acertadas, a que conclusão chegaram os Complutenses acerca da cabeça de alfinete? Mais uma vez se prova que as influências destroem até impérios por questões de cabeça, ou falta dela.

    1. Em excesso? Concordo em parte sim. É bom liberalizar o pensamento para ficar aberto a aceitar as diferenças. Ao fim e ao cabo todos os humanos são iguais. A questão está sempre no exacerbar da realidade, quando resulta em que os que eram desiguais agora são muitíssimo mais iguais do que o resto do mundo inteiro, apenas porque permitimos que assim seja.

      1. O liberalismo é o oposto do pensamento livre e contra as diferenças, é intolerante, ou é liberalismo ou então tem de ser destruído.

        «…Ao fim e ao cabo todos os humanos são iguais…»

        Não, não somos todos iguais, felizmente, se assim fosse seria uma chatice, mas o liberalismo procura isso, fazer todos iguais, amorfos, líquidos, sem pensamento próprio e divergente, com os liberais no topo da tirania liberal.

        «…A questão está sempre no exacerbar da realidade, quando resulta em que os que eram desiguais agora são muitíssimo mais iguais do que o resto do mundo inteiro, apenas porque permitimos que assim seja…»

        Ninguém tem que permitir que sejam todos iguais, cada macaco no seu galho, a desigualdade quem a promove é o liberalismo, ou como afirma Roberto Woodhouse:

        «O liberalismo serve-se da palavra liberdade para encobrir a tirania e o despotismo.»

    2. Qual liberalismo?
      Há o liberalismo à bloco de esquerda que liberaliza a morte de bebés (aborto) e de velhos (eutanásia), liberaliza o sexo (a que chama género) liberaliza as opções sexuais (a que chama orientações sexuais) mas é conservador na economia, a economia tem de ser controlada pelo estado, os empresários (excepto se se chamarem Robles) são os opressores da classe operária.
      Depois há o outro liberalismo, menos Estado, melhor Estado; “laissez faire, laissez passer”.
      (em português não me dêem esmolas mas não me atolem em impostos).

      1. Esse “liberalismo” parece coisa à Costa. O mercantilismo do “laissez faire, laissez passer” privilegiava a quantidade em detrimento da qualidade. Tal e qual o Governo. Muitos ministros, secretários de estado, acessores, chefes de gabinete, secretárias… Todos de qualidade mais do que duvidosa.

        1. Mercantilismo é o contrário do “laissez faire, laisser passer”.

          Mercantilismo é dar a uma empresa/grupo o monopólio. Na maior parte dos casos são politicas nacionalistas para qualquer grupo nacional da concorrência estrangeira ou mesmo impedir outros grupos nacionais de aparecer. Por exemplo as licenças de TV generalistas em sinal aberto serem limitadas a 4 incluíndo a RTP é um politica mercantilista.

          “laissez faire, laisser passer” é deixar todos concorrer.

          1. Ok. Tinha ideia que mercantilismo tinha a ver com a intervenção do estado em tudo, (principalmente na economia) e este governo interveio em tudo mas em modo “laissez faire, laisser passer”. Era isso que eu queria dizer e provavelmente explquei-me mal.

          2. “Tinha ideia que mercantilismo tinha a ver com a intervenção do estado em tudo”

            Foi isso que disse acima.

            “laissez faire, laisser passer” é o contrário, deixar fazer, deixar passar.

      2. O liberalismo é mais Estado para os liberais, e menos Estado para os Cidadãos; é o parasitismo, miséria, sub-desenvolvimento, mentira, trapaça, usura, impostos e mais impostos, mediocridade, parolice, e tirania.

          1. Precisamente, menos Estado para os Cidadãos e mais Estado para os liberais.

  2. Voltando ao post, de alto valor filosófico e sociológico, este levanta uma questão importante: “Quem sabe será uma boa idade para começarem a entender que mexer muito na m*rda, acaba por nos rebentar na cara…” Ou seja, comparado com o último parágrafo, não tardam 5 anos e estamos a achar o Johnny Cagoni um despertamento pedagógico.

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