3º dia – O meu dia começou cedo, à 1.30h. Consegui dormir a partir das 20h. Foram cinco horas e meia de sono e depois… kaputt! O jet lag assim me obriga. Planos para esta longa madrugada: escrever este diário, ler Ulisses, uma das minhas imperdoáveis lacunas. A seguir ao Ulisses vou para o jacuzzi. Lembrei-me, enquanto vagueava pelo quarto, do Lost in Translation. Eles também não conseguiam dormir.
Ontem, quando cheguei, andei a explorar as imediações do hotel, que fica numa ponta da cidade. Almocei num restaurante barato. Basta procurá-los e encontram-se por todo o lado, desmentindo a ideia de que em Tóquio é tudo caríssimo. Neste restaurante não se falava uma palavra de inglês, mas tinham fotos nas ementas. A linguagem gestual resolveu o resto.
Não foi preciso caminhar muito para descobrir, entalado entre duas torres, um velho templo budista. Parecia uma peça mal encaixada no puzzle errado, mas a seguir descobri uma e outra e outra. Peças soltas que afinal encaixam porque a harmonia aqui faz-se de contrastes absurdos.
Também andei de metro, quis logo ver como era. Apesar de haver alguma informação escrita em inglês é muito difícil orientarmo-nos. O metro é muito confuso quando temos de mudar de linha. O que valeu foi a solicitude das pessoas (estou a achar os japs de uma simpatia desarmante, quando viajam até ao ocidente devem pensar que somos uns brutos). A menina de uma banca de jornais a funcionar numa das estações até me fez um croqui para que eu a entendesse. Um homem, com ar de executivo nipónico, conduziu-me escada acima, escada abaixo, até ao comboio que eu havia de apanhar. Deu para perceber que para o efeito se tinha desviado muito do seu caminho. Outro, ao ver-me com ar desorientado, veio ter comigo a perguntar se me podia ajudar. Este, é claro, speakava.
Acho muita graça a este hábito que eles têm de fazer vénias por tudo e por nada. E gosto do requinte e delicadeza que revelam nos mais pequenos detalhes. Passei por uma secção de produtos alimentares de um centro comercial onde até os produtos mais triviais eram apresentados com uma elegância notável.
Este primeiro dia em Tóquio geri-o como quis, mas a partir de hoje não vai ser assim. Vou andar num tour organizado para ver o resto. Não gosto de circular em rebanho, as poucas experiências que fiz do género deixaram-me sempre insatisfeita, mas aqui, que há óbvias dificuldades de comunicação, pareceu-me vantajoso. Vamos ver como corre.


Podes crer que a excepção à regra faz sentido: o ’tour’ leva-te mais longe e mais depressa nessa terra.
Também me pareceu.
Como eu te compreendo… depois do Ulisses, só mesmo um jacuzzi!
Aproveita bem o tour!
Sim, mas só resulta por esta ordem 🙂
Aqui e ali no seu texto, encontrei traços comuns com outro relato que li recentemente sobre uma viagem ao mesmo país.
http://vilaforte.blogs.sapo.pt/345867.h tml
Boa Páscoa!
Tomo a liberdade de lhe recomendar a leitura deste texto, pois com ele fiquei com uma vontade enorme de conhecer Tóquio.Este seu post vai na mesma linha.
http://vilaforte.blogs.sapo.pt/345867.h tml
Paulo e Pedro: segui o vosso link e de facto há muitas coincidências entre as minhas primeiras impressões e as da autora desse post. Enfim, percebe-se. Eu e ela temos o suficiente em comum para sentirmos o Japão da mesma forma. Gostei muito de me reconhecer nesse texto.
Em Tóquio podemos comer bem e barato. Nos ‘yakitori’, que se identificam bem pelas lanternas vermelhas à porta. Grelhados, excelentes – recomendo. No metro de Tóquio vi o que nunca tinha visto em mais lugar nenhum: à hora de ponta há funcionários que empurram literalmente os passageiros para dentro das carruagens. Incrível.
Também não gosto, por regra, de alinhar em excursões. Mas às vezes é mesmo a melhor alternativa.
Exactamente, os yakitori, recomendados por um amigo antes de eu partir, são baratos, acolhedores e servem grelhados e espetadinhas de frango lacado deliciosas.