
Hoje lemos: Oscar Wilde, ” O Retrato de Dorian Gray”.
Passagem a L-Azular: “O pecado é algo que está escrito no rosto de um homem. Não pode ser encoberto. As pessoas falam por vezes de vícios secretos, mas tais coisas não existem. Se um miserável tem um vício, esse vício manifesta-se nas linhas da sua boca, na queda das suas pálpebras, até mesmo no formato de suas mãos.”
Se fosse assim tão fácil revelar os vícios mais degradantes, noventa e nove por cento dos políticos portugueses seria sósia do Napoleão (mas o da Quinta, não o outro que imperou e acabou envenenado) e seriam perfeitamente reconhecíveis, não fora terem em casa umas fotos no meio de uns livros que lhes absorvam as mais ignotas perversões.
(Imagem Google)

«Dorian Gray é um homem rico que vende a alma em troca da juventude
eterna. A passagem do tempo não lhe altera a bela aparência, enquanto o seu retrato mágico envelhece e revela a decadência interior. Expressando as preocupações estéticas e os paradoxos morais de Wilde, a narrativa constitui uma reflexão sobre o envelhecimento, o prazer, o crime e o castigo »
convém pensar nos excessos que conduzem á degenerescência para evitar cancros e demências.
«não é só o peixe que morre pela boca»
Physiologie du goût / Brillat-Savarin
O envelhecimento é natural. O crime está a tornar-se uma vulgaridade. O castigo é mais um mito, uma daquelas palavras que se vão tornando cada vez mais obsoletas e com tendência a desaparecer por completo.
Claro que não é assim tão fácil mas percebo bem onde o autor quer chegar. É politicamente (muito) incorrecto mas há muito que percebi que o ditado “quem vê caras, não vê corações” tem muito mais de disparate do que de verdade.
Passei boa parte do “Verão quente” num banco e, sendo assumidamente monárquico, frequentava e intervinha nas assembleias gerais de trabalhadores. Com essa experiência, conseguia, mesmo fora do banco, identificar comunistas desconhecidos antes mesmo que abrissem a boca. Não seria apenas a cara, mas um conjunto de expressão, postura, forma de olhar e vestuário, particularmente os acessórios.
Lembro Miguel Sousa Tavares – cuja expressão arrogante e desdenhosa tem evoluído negativamente, acompanhando as atitudes públicas – que escreveu que eles pareciam alimentar um conflito pessoal com o vestuário que escolhiam.
Lembro-me bem de assembleias de trabalhadores em que o papel dos comunistas era criar confusão. Dava para perceber pela postura, atitude e frases feitas, que iam ali vencer os demais, os que na realidade trabalhavam, pelo cansaço. No final, eram sempre os mesmos , com quórum suficiente para fazer passar as suas próprias decisões e fazer valer os seus interesses que pouco tinham a ver com a viabilidadedas empresas. “Patrões fora” eram as palavras de ordem, mas trabalhar e que não interessava. Depois iam para os copos, porque ” eram da comissão ” e nem precisavam de acordar cedo para ir trabalhar . Sempre os desprezei por esta “superioridade” medíocre. Vi muita injustiça e continuo a ver. Nesse particular “as coisas” mudaram muito pouco.
« Ao que parece, na maioria das sociedades ocidentais, os cidadãos estão expressando, de uma forma ou outra, sua decepção e sua desconfiança para com os partidos tradicionais, os políticos profissionais e os
representantes eleitos. Contudo, isso não equivale a desconfiar da própria democracia ou a rejeitá-la. Pelo contrário, como afirma Pierre Rosanvallon em seu livro sobre a Contrademocracia (2006), a desconfiança nos representantes e o controle de sua atividade foram sempre elementos centrais da participação política no processo democrático. Por outro lado, Colin Crouch, no seu Pós-democracia (2004), chama a atenção para o
fato que esse momento negativo, crítico, de suspeita e desconfiança pode ter efeitos deletérios para as instituições democráticas e para o espírito democrático dos próprios cidadãos, se não for acompanhado por um momento positivo de propostas e de demandas políticas concretas.
É bom ser livre e a liberdade é a democracia que nos proporciona. O uso indevido que leva aos exageros liberais dos dias que correm, não tem nada a ver com liberdade ou democracia. Apenas com estupidez.
Os ditos exageros liberais/libertinais do actualmente conseguem suplantar(e não é fácil) em estupidez e insanidade os exageros leninistas e afins neomarxistas do pós Guerra mundial e pós Paris 68.
Os leninitas pós-guerra e os neo-marxistas eram paranóicos. Estes ” romanos são loucos” como diria o Obélix, mas são loucos extremistas porque “nós”, a sociedade, somos uns otários e lhes aparamos todas as madurezas, com medo de nos apontarem o dedo do politicamente incorrecto.
“…vi muita injustiça e continuo a ver. Nesse particular “as coisas” mudaram muito pouco.”
Ainda há plenários nas empresas com os comunistas com um “Patrões fora” e depois vão para os copos?
Quer dizer que ainda há plenários de empresas com empregados comunistas?
Ai há? Muito me diz! Pensei que já estavam em vias de extinção. Pelo menos por cá. E já foram tarde.
‘ta bem então o que escreveu sobre plenários e comunistas é uma grande treta
Mas nem só de comunistas extremistas vive a injustiça , oh anónimo comuna! Deve seguramente ter nascido no facilitismo dos anos 90 em que se tinha tudo mais um par de botas, mas era ” bem” ser contra o poder instituído, vulgo governo, verdade? Já se perguntou como é que se chegou à boa vida? O sofrimento e as injustiças pelas quais muitos tiveram de passar para terem emprego, para poderem encher os anónimos , vulgo filhos, de mimos e facilidades na vida?
Pois é… A geração rasca nunca há-de entender. Não presenciou. Ouviu falar. E dependendo da cor com que se pinta a narrativa, sai a história. Eu considero-me isenta qb para falar, porque vi, senti, lutei e era militante partidária, filiada no PS de cartãozinho passado e tudo. Quem está no convento…
os comunistas conheciam-se principalmente a palitar os dentes para tirar bocados de criancinhas do pequeno almoço.
os monárquicos não merecem este ridículo.
Os comunistas não tinham dentes. O beluga às colheradas é um tanto corrosivo. Como tudo o resto, até as dentaduras eram fachada.
Correcção:
os monárquicos não merecem este anónimo.
Qual deles? Estes anónimos são como os Dupond et Dupont, a diferença é apenas com-soante.
Se os vícios se manifestassem no formato das mãos de certeza que os políticos nasciam manetas.
Impossível! Como é que um maneta consegue encher os bolsos?
Então não há pintores que pintam com os pés?
Tem toda a razão! Dá até todo um novo sentido à expressão ” meter os pés”! Em não podendo meter as mãos… olhe, quem não tem cão, caça com gato!
Exactamente. E como disse alguém (o qual tem muitos amigozzzzzz,mas não Lacerdas nem Escariotes) ‘Não havia nexechidade’.
A necessidade se não existe, pode surgir do nada, o mal é continuar e pensar que se sai sempre bem. Como cantava uma banda dos tempos da boa música:
The first cut won’t hurt at all
The second only makes you wonder
The third will have you on your knees
You start bleeding I start screaming