«Estou solidário com Manuela Ferreira Leite, mas convém lembrar que eu não fiz parte da direcção de Manuela Ferreira Leite.»
(José Pacheco Pereira a António Costa, pela referência que este lhe dirigiu sobre a “derrota pesadíssima da anterior direcção do PSD”, na Quadratura do Círculo, SIC-Notícias.)

Só por causa das coisas, convém também lembrar o que JPP escreveu na Sábado e disse nessa mesma Quadratura do Círculo. Aqui fica uma pequena parte:
“E isso é um enorme incómodo para pessoas como Sócrates, mas também para uma comunicação social que vive da espuma dos dias e que comparticipa na mesma espectacularidade que constrói um contínuo entre políticos e jornalistas, cada vez mais iguais nos defeitos. O ódio que muita comunicação social mostrou a Manuela Ferreira Leite vinha de ela ser um exemplo vivo do contrário e ter dito aquilo que era preciso dizer, mesmo quando o país não o queria ouvir. Disse-o sobre as grandes obras públicas, a dívida, a situação social, a economia fictícia de Sócrates, a crise que havia antes e a que houve depois. E foi a única a dizê-lo no sistema político. Hoje todos a repetem, obviamente sem lhe reconhecer o mérito. E disse-o porque era “verdade” e a mentira que se lhe opunha deixa todos os dias os portugueses mais pobres e o país mais dependente.
Fez asneiras? Certamente que fez, umas de sua responsabilidade, outras de responsabilidade colectiva da sua direcção que, salvo raras excepções, a deixou sozinha logo que perdeu as eleições. Falhou numa eleição, como antes tinham falhado Sá Carneiro, Cavaco, Nogueira, Barroso, Lopes, em circunstâncias diferentes e em momentos diferentes, com mais ou menos responsabilidade subjectiva. Mas todos os dias, a começar pelo governo no PEC e a acabar nos que a criticaram dentro do PSD, toda a gente lhe dá contrariada a razão que nunca lhe reconheceu quando era preciso e era fundamental para evitar os enormes custos que os portugueses vão ter que pagar pela mentira. É que a “verdade” acabou por vir ao de cima.
O falhanço eleitoral, para que uma parte do partido contribuiu activamente, foi tratado de forma diferente de todos os anteriores, com sanha e ódio porque o que estava em causa era uma personalidade que afronta muita gente pelo simples facto de existir. Há quem no PSD veja com grande alívio o afastamento de Manuela Ferreira Leite. Mas não tenho dúvida que maior alívio tem o PS e José Sócrates.”
Boa, Sofia Lourenço 🙂 Convém contextualizar. Sempre.
Nem mais.
Pois é: Pacheco Pereira continua a confundir imprensa com porcos a voar e país com um PPD/PSD que já ninguém sabe qual é. Nem ele…
Corre esse risco, de facto. Aquilo já é metafísica política…
Mas se patina muitas vezes, tem carradas de razão em outras tantas 🙂
Mal fôra que não tivesse…
Que amor. Falamos de ratos e navios, não é isso?
Na ‘mouche’.