Pesos e medidas


Ana Vidal,

“Em resultado de informação proveniente das autoridades alemães sobre a ação judicial em curso naquele país, o Governo suspendeu de todas as funções relacionadas com o exercício do cargo o cônsul honorário de Portugal em Munique, Alemanha, o senhor Jurgen Adolff, a partir de hoje”, lê-se num comunicado do gabinete do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.

 

A suspensão das funções de Jurgen Adolff do cargo de cônsul honorário de Portugal em Munique manter-se-á “até cabal esclarecimento das investigações que o envolvem pessoalmente”.

 

Concordo inteiramente com a suspensão de funções do cônsul português, “até cabal esclarecimento das investigações que o envolvem pessoalmente”. O que me espanta é que tão pronta medida não tenha sido também aplicada a outros casos, a começar pelo do próprio primeiro ministro do governo que a tomou. Os exemplos devem vir de cima, sempre ouvi dizer.

16 comentários em “Pesos e medidas”

    1. Eu sou mais descrente ainda, Zeparafuso: é a política dos sucessivos governos que temos tido, a política “à portuguesa”. A honra é um conceito fora de moda, uma palavra que saíu dos dicionários. Deve ser do acordo ortográfico…

  1. Por cá, em terra e no mar não se aplica o princípio do cabal esclarecimento? Bandalheira perpétua, refúgio dos intocáveis.

    1. Meu caro, à espera de explicações estou eu ainda, e todos nós. E espero sinceramente que alguém mais, além da Felícia Cabrita, tenha investigado os inúmeros casos em que o nome de Sócrates está envolvido.

  2. Sempre me pareceu que este negócio dos submarinos estava envolto em águas muito turvas, o que parece que afinal se está a verificar. E então quando li o nome do homenzinho, até gelei. Pensei que era o outro… Quanto ao resultado das investigações em curso, parece que bem podemos ir calmamente fazer as 80.000 léguas submarinas e no final esperar sentados, que esta novela vai dar tempo para tudo. Isto, para já nem se falar do resultado mais do que previsível de tais investigações. Vai tudo, mais uma vez, ficar em águas de bacalhau, como convém a um caso que já mete água por todos os lados.

    1. Pois. Infelizmente, esse é o “final feliz” de muitas investigações neste país. A sensação que todos temos da impunidade dos poderosos não é invenção de maldizentes, é aquilo a que assistimos há anos.

  3. Sr.ª D. Ana Vidal
    O Sócrates não é alvo de nenhuma acção judicial nem está sequer sob investigação.
    Há uma diferençazinha.

    1. Sr. José Sejeiro, Sócrates pode não ser o “alvo”, mas o seu nome está envolvido em mais do que uma investigação em curso na justiça portuguesa. O que devia bastar, no lugar que ocupa, para ser ele próprio a tomar a atitude de auto-suspender-se das suas funções “até cabal esclarecimento das investigações que o envolvem pessoalmente”. Era assim que faziam, noutros tempos, os homens de carácter. E são esses os que eu respeito.

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