Crisis? What crisis?


Sérgio de Almeida Correia,

 

Não sei quanto é que ele valerá em postes de alta tensão, mas gostava de saber se há alguma empresa privada portuguesa (nada de empresas onde o Estado tenha uma golden share) que esteja disposta a pagar-lhe o que ele ganha na EDP. Se houver, agradeço que deixe ficar o contacto para eu poder transmiti-lo ao Dr. Teixeira dos Santos. O senhor ministro das Finanças, tal como eu, está preocupado com a crise e gostava de ter o contacto de algumas empresas que o ajudassem a reduzir alguns custos. 

Tenho-o na conta de um excelente profissional, pese embora aquela passagem pelos governos dos submarinos e dos sobreiros. Não é isso que está em causa, nem é por aí que o activo – capacidade de trabalho e competência – se desvaloriza. Mas duvido que haja alguma coisa que justifique a razoabilidade de salários desta ordem de grandeza, pagos por uma empresa de serviço público e cuja riqueza foi construída ao longo de décadas com as contribuições de todos os portugueses.

Do ponto de vista ético e moral, com os números do desemprego que hoje temos e as dificuldades por que muitos passam, é algo de verdadeiramente escabroso.

Isto poderá não ser facilmente percebido pelo centrão, por Armando Vara, Fernando Gomes ou alguns dirigentes do meu partido, mas José Sócrates tinha a obrigação de dizer uma palavra sobre isto. Nenhum Estado social de direito, nenhuma democracia decente na nossa situação, pode conviver facilmente com isto. Eu, pelo menos, sinto-me profundamente desconfortável. E se logo quando chegar a casa tiver de novo os vídeos a piscarem e o gelo derretido por ter tido uma nova quebra de corrente na minha zona, ainda mais desconfortável vou ficar.

 

P.S. Para alguns leitores que não me conhecem de lado nenhum, que ainda não perceberam o óbvio e que insistem em fazer comentários desagradáveis nas caixas de comentários, esclareço que penso pela minha cabeça, não faço fretes (nunca fiz nem faço tenções de vir a fazer a ninguém), não respondo pelos erros alheios, apenas pelos meus, e nunca tive medo de assinar por baixo tudo aquilo que penso, resolvo escrever e aqui publico, com a tolerância e a compreensão dos co-autores deste blogue.

7 comentários em “Crisis? What crisis?”

  1. À espera de novas madrugadas…

    I Parte

    A erudição tecida
    em ideais mal firmados
    numa base retorcida
    de fiapos declamados.

    Tantas madrugadas por nascer
    após noites escurecidas
    com o país a desvanecer
    nestas décadas esquecidas.

    II Parte

    Da abastança colectiva
    em frioleiras refinadas
    brota gentalha defectiva
    de atitudes inquinadas.

    Tantas pedras rutilantes,
    quais cartões plastificados,
    deixam alguns ululantes
    por galardões emporcados.

    Epílogo

    Com as mentes descontroladas
    e com poucos anéis por vender
    as políticas propaladas
    são difíceis de compreender.

  2. Não o conheço de lado nenhum, mas pelo seu comentário final, só me resta aplaudir.
    Seja por não saber, não querer ou para não perder benesses, já não há muita gente que pense com a sua própria cabeça.

  3. Sérgio posso assinar por baixo?
    Mas permita-me dizer-lhe que não vejo utilidade em fazer a nota final, pela simples razão de que aqueles a quem se dirige ou são burros, e esses nunca aprendem, ou mal intencionados e a esses não devemos dar confiança. Ainda há uma terceira possibilidade de serem ambas as coisas, e então nesse caso só merecem desprezo.

  4. Nem sempre concordamos, Sérgio, mas sempre (mesmo quando não estamos de acordo, o que não é o caso deste post) me pareceu óbvio que quem assina é alguém que pensa pela sua própria cabeça, e bem. Para além de uma qualidade de escrita que dá gosto, a isenção em relação aos tais “fretes” é evidente. Este texto, aliás, é um bom exemplo disso.

  5. A questão de fundo que aqui abordas configura um escândalo nacional num país em tão grave crise. Muitas das indignações que andam aí à solta deviam ser canalizadas para casos como este. A propósito: de regresso a Portugal, após umas curtas férias, acabo de saber que o António José Seguro já se pronunciou sobre o assunto. Indignado, como qualquer de nós.

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