Lápis L-Azuli


Maria Dulce Fernandes,

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Hoje lemos: Joël Dicker, “Os Últimos Dias dos Nossos Pais”.

Passagem a L-Azular: “Não, isso não foi nada. Estou a falar do medo que te esmaga, que te faz dormir mal, viver mal, comer mal. Aquele que não te dá trégua. O verdadeiro medo é o dos caçados, dos perseguidos, dos rebeldes, o medo daqueles que têm que viver escondidos porque correm o risco de morrer mesmo que não tenham cometido nenhum crime. O medo de existir. O medo dos judeus.”

Viver com medo.

É legítimo ter opiniões. É lícito podermos expressá-las sobre tudo e todos, porque somos livres de dizer. Falamos sobre o que pensamos saber, porque formámos um ponto de vista que cremos sólido sobre tudo o que vimos, lemos ou ouvimos dizer. Sobre tudo aquilo que nos é informado subjectivamente por terceiros.

Mas e o que dizer de perorarmos objectivamente, porque experimentámos fisicamente? Porque estivemos lá e por isso o sentimos na pele?

Sobre isso não sabemos coisa alguma. Quem de nós nasceu e viveu com medo, com o tal medo que não dá trégua, e que nos acossa e agrilhoa o espírito de tal modo que nos faz recear a própria sombra?

Falar é fácil, quando nos cremos entendedores daquilo que nunca presenciámos para poder contar como foi.

(Imagem Google)

16 comentários em “Lápis L-Azuli”

  1. En 1940 Winston Churchill tiene una idea que cambiará el curso de la guerra: crear una nueva sección de los servicios secretos, el Special Operations

  2. a profecia que se auto realiza : : ” Quando as pessoas esperam ou acreditam que algo acontecerá, agem como se a profecia ou previsão já fosse real e assim a previsão acaba por se realizar efetivamente.”

    1. Eu não acredito em profecias. Acredito no medo e no aterrador que deve ser viver com medo. Na Ucrânia, na Palestina, em Israel, no Líbano, na Síria, em Africa… As pessoas vivem o seu dia a dia aterradas e com o medo como companheiro constante , porque sabem bem o que é a precariedade da vida. Sentiram-na e sentem-na na pele todos os dias e a toda a hora.

      1. sim , difícil aceitar que tenhamos de viver com medo uns dos outros.
        a profecia que se auto realiza mão é bem uma profecia , é muito usada em insucesso escolar ( és um burro , berra a prof. primária) e em criminalidade ( estigma e “carreira delinquente” )

        1. Sim, também pode acontecer mas isso não faz com que as pessoas ( crianças, estigmatizados) vivam todas as horas do dia com medo. Referia-me mais exactamente a quem tem de vivem e sobreviver em cenários de guerra ou conflitos armados, que nós comentamos diariamente, mas não fazemos ideia de com é verdadeiramente in loco.

  3. Há vários tipos de medo, há o medo que é inato e há o medo que é adquirido, assim como há vários tipos de reacção ao medo. Será que uma pessoa que nasceu e cresceu num país sempre em guerra tem a mesma percepção do medo, que outra que viveu sempre em paz?

    1. Há quem nasça, cresça e viva com medo.
      Todos temos os nossos medos. As crianças a partir dos 3 anos entram na fase dos medos, e até sombras ou sons os assustam. São fases e têm tendência a passar. Em Portugal temos medo das doenças, das subidas de juros e da falência do estado; temos medo da insolvência e da fome e do despejo do tecto de abrigo . Mas não acordamos com sirenes, comemos o que há, que mesmo pouco sempre há, abraçamos os nossos filhos sem medo, saímos à rua sem medo…
      Nós não fazemos ideia do que é viver com o medo de que cada momento possa ser o último.

      1. “Nós não fazemos ideia do que é viver com o medo de que cada momento possa ser o último.”

        Nós não fazemos ideia, nem nunca iremos fazer ideia porque o medo não é o mesmo.
        O significado da morte é diferente, para alguns, senão a maioria, morrer a lutar é uma honra. Daí que seja muito difícil um país que esteve sempre em guerra, ficar em paz de um dia para o outro.

        1. “O significado da morte é diferente, para alguns, senão a maioria, morrer a lutar é uma honra”
          Pergunte à sua família, amigos , vizinhos, companheiros de espera nas finanças, nos hospitais nas caixas de supermercado e depois diga- se a maioria concorda com esse tipo de fundamentalismos.

          1. Expressei-me mal, a frase correcta é:
            — O significado da morte é diferente, para alguns, senão a maioria dos países que estão sempre em guerra, morrer a lutar é uma honra.
            É evidente que eu não sou fundamentalista a esse ponto.
            Não há dúvida que você me conhece bem.

          2. Ninguém quer morrer a lutar, porque só luta quem o faz por obrigação, por sobrevivência ou por fanatismo.
            “Não há dúvida que você me conhece bem” , nem tenho de conhecer! Deus me livre! Não casei consigo!!

          3. Não casou comigo mas parece a minha mulher a falar, nunca percebe nada daquilo que eu digo.

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